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Pessoas 21. 11. 2019

Name a more iconic duo

by Mónica Bozinoski

 

O “mal-entendido” que uniu Givenchy a Hepburn e transformou a coincidência perfeita no amor perfeito. O match made in shinny heaven de Bob Mackie e Cher. A amizade que brotou nos anos 90, quando Marc e Sofia eram apenas dois miúdos a tentar encontrar o seu lugar no mundo. Iconic duo? São mais iconic duos.  

Hubert de Givenchy e Audrey Hepburn

Audrey Hepburn em Givenchy, 1964. ©Condé Nast Archive

A história conta-se sem contar as vezes em que já foi contada – como qualquer história de amor que o merece ser, a de Hubert de Givenchy e Audrey Hepburn irá ecoar, provavelmente, até à eternidade. Estávamos em 1953. Givenchy, um nome relativamente jovem na época, tinha estabelecido o seu atelier parisiense um ano antes. Quando ouviu que Hepburn o queria conhecer, nesse mesmo espaço, Hubert limpou o calendário. Afinal de contas, não é todos os dias que se conhece uma estrela como Katherine Hepburn. Assim que outra jovem Hepburn, uma certa Audrey Hepburn, entrou porta a dentro, o couturier não conheceu a famosa atriz que esperava. Em vez disso, conheceu a mulher que viria a ser a sua musa, a sua amiga de sempre, a sua companheira de longa data.

“Acho que ela nunca tinha visto uma peça de Alta-Costura”, disse Givenchy à AnOther em 2016, recordando aquele primeiro encontro entre ambos, no qual Audrey lhe pediu para criar os figurinos do seu próximo filme, Sabrina. “Ela apareceu vestida com uma T-shirt às riscas e um par de calças e experimentou alguns samples. Eu estava ocupado a preparar a minha próxima coleção e disse-lhe que não ia conseguir fazer o que ela me estava a pedir, mas ela foi muito persistente. Ela convidou-me para irmos jantar, o que não era frequente para uma mulher naquela altura, e foi durante esse mesmo jantar que percebi que ela era um anjo.” Reza a lenda (melhor, o The New York Times) que, antes de terminarem a refeição, Givenchy declarou o seu amor a Hepburn com uma simples frase: “Farei qualquer coisa por ti.”

A promessa foi cumprida ao longo dos anos, dos mais belíssimos vestidos aos mais belíssimos figurinos, todos eles criados por ele, para ela, fosse ela uma Cinderela em Paris ou uma Boneca de Luxo. Hubert era de Audrey, e Audrey era de Hubert. Eram carinho, eram cumplicidade. Eram um sentimento que as palavras nunca conseguirão verdadeiramente descrever – mas Audrey tentou resumi-lo quando disse, “Nunca tivemos um contrato como os outros designers. Só tínhamos amor.” E esse amor, conte-se a história as vezes que se contar, permanece um dos mais genuínos que a indústria da Moda, casada com Hollywood, alguma vez teve a sorte de ver.

Yves Saint Laurent, Betty Catroux e Loulou de la Falaise

Betty Catroux, Yves Saint Laurent e Loulou de la Falaise, 1969. ©Getty Images

Paris, 1967. Na discoteca Chez Régine, Yves Saint Laurent conhece Betty Catroux, a mulher que o designer reconhecia como a sua homóloga feminina e a sua “irmã gémea”. A ligação entre Catroux, que na altura trabalhava como modelo de Coco Chanel, e Saint Laurent aconteceu porque ambos “detestavam a vida normal” – nas palavras da própria, numa entrevista de 2001, “Éramos os dois muito magros, muito pálidos, com cabelos loiros platinados e um lado andrógeno. Tínhamos um gosto pelo louche. Eu era a dupla dele.” No primeiro encontro entre os dois, Yves pediu a Betty para que desfilasse as suas criações. Ela respondeu que não. “Toda a gente queria fazer isso. Acho que ele gostou que eu tivesse dito que não, acho que foi algo que o entusiasmou. Ficámos amigos depois disso. Víamos-mos todos os dias, e nos dias em que não nos víamos, passávamos horas ao telefone, a conversar. Éramos muito parecidos”, recordou Catroux sobre a relação que partilhou com o criador, numa entrevista ao SHOWStudio.

Um ano depois, Yves Saint Laurent conheceu Loulou de la Falaise, e o trio mais cool da indústria nasceu, qual squad qual quê. Juntas, Catroux e de la Falaise foram as amigas mais íntimas de Saint Laurent. “Para além das suas incontestáveis qualidades profissionais, o verdadeiro talento de Loulou de la Falaise era o seu charme. Particular. Comovente. Era o poder estranho de um dom para a leveza, misturado com uma acuidade irrepreensível e um olho para a Moda. Intuitivo, inato, particular. A presença dela era um sonho.” Loulou começou a trabalhar com o criador, no seu estúdio, em 1972, e permaneceu ao seu lado durante 30 anos. “Ela via tudo com lentes cor de rosa. Ela era o nosso Prozac”, disse em tempos Betty sobre Loulou. “A verdade é que aquilo que o Yves via de atraente em mim era a fantasia, o look enfeitado e over-the-top. A Betty Catroux inspirava os looks mais masculinos dele; e eu sempre fui a inspiração gypsy”, disse de la Falaise sobre Catroux à revista W, aquando da morte de Yves Saint Laurent, em 2008.

Bob Mackie e Cher

Cher e Bob Mackie, 1974. ©Getty Images

Corria o ano de 1965 quando Sonny & Cher declararam ao mundo: “They say we’re young and we don’t know/ We won’t find out until we grow/ Well I don’t know if all that’s true/ ‘Cause you got me, and baby I got you.” Coincidência ou não, dois anos mais tarde, no The Carol Burnett ShowCher conheceu o homem que viria a dar um novo sentido às palavras “I got you babe”, desde 1967 até aos dias de hoje: Bob Mackie. “Eu conheci o Bob quando tinha 19 anos”, disse Cher à edição norte-americana da Vogue. “Foi realmente amor à primeira vista. Às vezes nem precisamos de falar, nós simplesmente sabemos. Somos como duas crianças maquiavélicas a meterem-se em apuros.”

Podemos não conseguir descrever todos os apuros em que os dois se meteram ao longo dos anos, mas conseguimos nomear todas as vezes em que Mackie vestiu Cher e a magia aconteceu – os incríveis figurinos que criou para a cantora vestir (melhor, brilhar) no The Sonny & Cher Comedy Hour no decorrer da década de 70; o coordenado transparente com cristais e penas na Met Gala de 1974; o macacão azul com botas altas e o vestido curto em chamas (não literais, mas quase) brilhantes, ambos em 1978; o outfit de fazer inveja a qualquer showgirl, conjugado com aquele que é o headpiece mais memorável de sempre,em 1986; o naked dress preto, certamente (melhor, obviamente) digno da sua própria estatueta dourada, em 1988, ano em que a entertainer ganhou o Óscar de Melhor Atriz com o filme Moonstruck.

“Há anos que tento que a Cher vista só algo bonito, um vestido de noite em crepe de lã vermelho, sem mais nada... Algo que tenha um corte incrível, que se mova quando ela caminha, esse tipo de criação deixa-me feliz. Não tem necessariamente que ser vermelho, mas ela fica absolutamente linda em vermelho”, disse Mackie à revista AnOther em 2018. “Mas ela recusa-se, ela quer todos os cristais e todos os bordados e todas as pedras. E não posso dizer que não seja divertido de criar!” Se tivéssemos que adivinhar como serão os próximos anos desta dupla inseparável, apostaríamos que a imagem seria algo como um coordenado extravagante, exuberante e oh so Cher. Com todos os cristais, bordados e pedras a que tem direito, claro. 

Gianni Versace e Donatella Versace

Gianni e Donatella Versace, 1996. ©Getty Images

Naomi Campbell considerava-o um amigo, um protetor e um guardião. Carla Bruni era uma presença regular nas suas icónicas passerelles. Christy Turlington, Linda Evangelista e Cindy Crawford faziam parte do seu mais íntimo círculo de supermodelos. Kate Moss foi a sua noiva, num minivestido com lantejoulas, em 1996. Helena Christensen usou o emblemático vestido bondage preto no outono/inverno de 1992, Yasmeen Ghauri o igualmente inesquecível vestido bustier amarelo na primavera/verão de 1995 e Elizabeth Hurley fez soar os alarmes fora da passerelle com o vestido safety-pin que dispensa introduções. Mas antes de todas estas mulheres se sagrarem figuras maiores na história de Gianni Versace, o criador tinha uma única musa – Donatella Versace, a irmã tornada herdeira do império.

“Eu era a boneca dele e a melhor amiga dele”, disse Donatella sobre o irmão ao The Guardian, em 2017. “Ele vestia-me em roupas cool, levava-me a todas as discotecas e bares desde a altura que eu tinha 11 anos. Eu adorava. Foi a melhor altura da minha vida.” Quando, em 1978, Gianni Versace estabeleceu a maison glamorosa, sensual e ultra-sexy que o imortalizou na história da indústria, com referências de assinatura que iam desde o estilo mais barroco às peças mais bondage, Donatella esteve lá para ser não só a inspiração, mas também o braço direito do irmão – a “boneca” e “melhor amiga” tornou-se conselheira e assumiu a posição de vice-presidente da empresa, antes de assumir um papel mais criativo e ter a sua própria linha, a Versus, um presente que lhe foi oferecido por Gianni em 1989.

Quando Gianni foi assassinado em julho de 1997, Donatella assumiu o controlo da Casa italiana. “Quando perdemos o Gianni, eu estava emocionalmente desgastada... Destruída, mesmo. Mas não podia mostrar a minha dor em público porque se eu caísse, as pessoas que estavam à minha volta caíam comigo. Por isso tinha que ser forte para os meus filhos, para a empresa, para as pessoas que trabalhavam comigo e com o Gianni”, disse Donatella à Interview. “Também queria homenagear o Gianni e dizer, ‘Ouçam, ele ensinou-me tudo aquilo que eu sei, por isso acho que devia pelo menos tentar manter isto.’ Sou uma pessoa verdadeiramente sortuda por ter caminhado ao lado do meu irmão. Ele ensinou-me a ousar. Ele ensinou-me a não ter medo. Ele ensinou-me a importância de mostrares a tua sensualidade. Ele ensinou-me a nunca me esconder. Isto era aquilo que funcionava para ele, e eu senti que devia tentar.” Donatella Versace não só tentou – Donatella Versace fez.

Azzedine Alaïa, Grace Jones e Naomi Campbell

Azzedine Alaïa e Grace Jones, 1985. ©Getty Images 

É difícil desassociar Azzedine Alaïa, o criador que redefiniu o sex appeal feminino na década de 80, da imagem altiva de Grace Jones em 007 – A View to Kill, o filme de 1985 da saga James Bond que viu a atriz no papel de May Day. Andrógena, perigosa e altamente empoderada, a Bond Girl de Jones foi tudo menos previsível, e os figurinos criados por Alaïa para a vilã um romance perfeito entre Moda e Cinema – power suits, casacos biker e vestidos form fitting em tons vibrantes. Fora do grande ecrã, Alaïa e Jones partilharam uma amizade sólida: a cantora e atriz tornou-se numa das mais notáveis clientes do criador, acompanhou-o aos Oscars de la Mode em 1985, onde o mesmo foi distinguido como o prémio de Melhor Coleção do Ano (Jones chegou mesmo a carregar Alaïa até ao palco) e desfilou para a sua coleção primavera/verão de 1986, com aquele vestido bandage em rosa elétrico.

Apesar de Alaïa ter sido influenciado pela de figura de diversas mulheres, de Greta Garbo a Farida Khelfa, sem esquecer Stephanie Seymour, foi Naomi Campbell quem teve a relação mais especial e duradoura com o couturier. Mais do que uma musa, a supermodelo foi como uma filha para Azzedine – reza a história que Campbell conheceu o designer quando tinha 16 anos, no seu primeiro dia em Paris, quando uma modelo que trabalhava com Alaïa convidou Naomi a acompanhá-la até à casa do couturier. Apesar de não se conseguirem entender linguisticamente (Azzedine não falava inglês, Naomi não falava francês) a ligação entre ambos não tardou a florescer – a supermodelo ficava na casa de Azzedine sempre que ia a Paris e desempenhava o papel de manequim viva do mesmo, para que este conseguisse criar as suas icónicas peças.

Naomi Campbell, 1992. ©Getty Images

“Ao crescer naquela casa, eu tinha o melhor guarda-roupa no mundo. Quando me mudei, o meu quarto era no primeiro andar e conseguia sair pela janela para ir às discotecas, vestida com roupas da boutique”, recordou Naomi à edição britânica da Vogue. “Deixava a porta da loja entreaberta para poder voltar a entrar, mas o Azzedine conhecia o staff no Les Bains Douches e eles ligavam-lhe sempre para ele me vir buscar. Ele encontrava-me lá, no meio da pista de dança, ajeitava o meu vestido para que ficasse com devia ficar, e levava-me de volta para casa, por mais que eu protestasse. Ele adorava contar estas histórias, e queria sempre proteger-me; ele era o meu Papa.” O sentimento era mútuo, e manteve-se assim até Alaïa nos deixar, em 2017. “Tal como eu, ela é muito intuitiva, teimosa, rápida, generosa e honesta”, disse o couturier sobre a sua amizade de 30 anos com Campbell, numa entrevista realizada por Tim Blanks. “A Naomi é uma pessoa fantástica; ninguém a compreende verdadeiramente. Ela é muito mais profunda do que aquilo que aparenta ser à primeira vista.” Mas se existiu alguém que o soube reconhecer, dentro e fora da passerelle, essa pessoa foi Azzedine.

Karl Lagerfeld, Ines de la Fressange e Claudia Schiffer

Karl Lagerfeld e Ines de la Fressange. ©Getty Images

É um facto que Lagerfeld nunca teve uma única musa, uma ultimate it girl, um rosto singular – mas é um facto que, de todas as mulheres que o inspiraram ao longo dos anos, Ines de la Fressange foi a mais notável parceira de todas. “Conhecemo-nos há quarenta anos, na Chloé”, recordou de la Fressange ao The New York Times. “De todas as vezes que tinha ido lá, como modelo, nunca tinha conseguido um booking, mas numa ocasião o Karl estava à entrada, por acaso, e disse-me, ‘Oh, finalmente, vieste ver-me!’ Ele não sabia que eu já vinha há diversas estações.”

Quando os anos 80 desceram à terra, Karl assumiu que Ines não seria só mais uma manequim e ofereceu-lhe um contrato de exclusividade com a Chanel, em 1983. Para Karl, Ines de la Fressange – a mulher que se assemelhava a Coco Chanel, a mulher que tinha um look que pertencia tanto a Paris como ao mundo, a mulher que era tanto dele como de Gabrielle – foi a musa, foi a força criativa que integrou o seu mais íntimo círculo, foi a mão que ele quis dar no final de cada desfile, foi a primeira “embaixadora” oficial da Casa francesa. Quando os dois se desentenderam em 1989 – ela dizia que a culpa era o desdém que ele sentia por Luigi D’Urso, o seu namorado da altura, enquanto ele dizia que a culpa tinha sido o facto de ela ter sido a modelo de Marianne, uma escolha que o deixou horrorizado de tão bourgeois que era -, a relação profissional e de amizade entre ambos terminou de forma abrupta, e só viria a reacender-se anos mais tarde, quando de la Fressange regressou à passerelle da primavera/verão 2011 da Chanel.

Karl Lagerfeld e Claudia Schiffer, 1992. ©Getty Images

Apesar desse vazio de musa nunca ter sido verdadeiramente preenchido, a era pós Ines viu Claudia Schiffer (quase) assumir o importante papel. “O momento que mudou a minha carreira foi o meu primeiro desfile e foi para a Chanel. O Karl era o meu pó mágico; a decisão dele de me pôr a desfilar transformou-me de adolescente tímida em supermodelo”, disse Schiffer sobre o eterno kaiser da indústria. Na verdade, Claudia fez muito mais do que desfilar – durante vários anos, nos mais diversos coordenados de sonho, foi dela a incomparável honra de vestir a pele de noiva de Karl. 

Alexander McQueen e Isabella Blow

 
 
 
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Remembering Lee Alexander McQueen 1969 - 2010

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Conheceram-se em 1992 e, depois disso, a Moda nunca mais foi a mesma. Um então jovem Lee Alexander McQueen apresentava a sua coleção de graduado pela Central Saint Martins, e uma já estabelecida e extravagante Isabella Blow sentava-se no chão da sala, completamente arrebatada pela descoberta que acabara de fazer e determinada a adquirir a coleção de McQueen na sua totalidade. “Liguei-lhe no dia seguinte, mas não conseguia falar com ele. A mãe dele disse, ‘Há uma mulher louca que não pára de nos ligar. Ela quer algumas das tuas roupas.’ Liguei entre seis a oito vezes por dia. Finalmente consegui ouvir uma pequena voz do outro lado da linha” – voz essa que pertencia a McQueen. Na altura, e como o próprio terá admitido, Lee não sabia quem Isabella era. “Eu só queria o dinheiro, eu estava desesperado por dinheiro, e disse-lhe, ‘That’s 350, love. You can take it or leave it.”

A britânica aceitou, deu cinco mil libras a Lee e convenceu-o a criar sob o seu nome do meio, Alexander. Nas palavras de Isabella, o mesmo tinha um som “mais posh”. Nos anos que se seguiram, McQueen e Blow catapultaram a Moda para uma nova era. Neste Cool Britannia onde todos queriam viver, tudo era possível e as regras não existiam – em vez disso, havia uma fantasia sem precedentes, uma amizade entre duas almas únicas e um “wild bird” que, aos olhos da mulher que lhe construiu o ninho e lhe deu asas para sair dele, seria sempre merecedor de atenção, elogio e amor. Sobre a relação entre ambos, talvez terá sido Isabella Blow quem a melhor descreveu, em tempos, com as seguintes palavras: “Uma musa é alguém que é uma constante inspiração. Não podes comprar uma musa, é como teres um caso amoroso com alguém.” E por mais tumultuosa que tenha sido – porque o foi -, a relação entre McQueen e Blow nunca deixou de ser um dos mais fascinantes e sentidos love affairs.

“Aquilo que eu tinha com a Isabella era completamente desassociado da Moda, era muito além da Moda”, disse à W Magazine em 2008, um ano depois da morte de Blow, a quem dedicou a sua coleção primavera/verão 2007. Prodígio e mentora. Mestre e musa. Criador apaixonado e admiradora ardente. Dois espíritos brilhantes. Dois misfits maiores que o mundo. Dois amantes sem sexo. Assim eram McQueen e Blow, come rain or come shine – como terá dito o artista John Maybury, um amigo íntimo da dupla, “seria um erro pensar que, em algum momento, ele deixou de a amar.”

Marc Jacobs e Sofia Coppola

 
 
 
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Sofia Coppola and Marc Jacobs for Vogue Paris.

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Podíamos escrever inúmeras palavras de amor sobre a relação entre Marc e Sofia, mas nunca conseguiríamos fazer jus às tantas que Jacobs escreveu a Coppola – e é precisamente por isso que preferimos citar aquelas que o criador proferiu sobre a sua musa. “Eu conheci a Sofia Coppola depois de mostrar a minha agora ‘creditada’ (por alguns!) coleção Grunge para a Perry Ellis, em 1992. A Sofia foi uma das poucas pessoas que reconheceu algo especial e que se conseguia relacionar com aquilo que eu estava a fazer naquela altura. Ela queria conhecer-me, e quando isso aconteceu, foi amor à primeira vista para mim!”, disse o designer sobre a realizadora. “Não me senti apenas atraído pela aparência dela e pelo estilo dela, mas também pelos seus modos, pelo seu comportamento, pela sua vida, pelas suas ambições e pela sua criatividade... Ela representa tudo aquilo que me atrai – talento, estilo, criatividade e uma ‘visão e voz’ únicas.”

O que se seguiu foi (e continua a ser) uma das mais bonitas histórias da indústria. Ela foi o rosto da primeira fragrância dele. Ele foi o designer que ela vestiu quando ganhou o Óscar de Melhor Argumento Original para Lost in Translation. Ela foi uma das protagonistas da campanha outono/inverno 2015 da marca homónima dele. Ele confiou no olhar dela para realizar o vídeo publicitário do perfume Daisy. Ela trabalhou com ele numa linha de carteiras para a Louis Vuitton. Ele convidou-a, de inverno e de verão, a dizer ‘Sofia Loves’ e a partilhar a sua peça favorita daquela estação, criada por ele, claro – não tivesse ela colecionado aquela que provavelmente será, nas palavras dele, “a maior coleção de peças Marc Jacobs ao longo dos anos.” Ela escreveu a introdução do livro Marc Jacobs Illustrated, ilustrado por Grace Coddington e editado em maio deste ano. “Eu não sabia o que estava a fazer com a minha vida, mas sabia que queria estar naquelas roupas. E durante os 25 anos que se seguiram, tive sempre o prazer de ir aos desfiles do Marc e ver o que ele tinha criado e aquilo que eu ia poder usar naquele ano! E era sempre o que eu queria!” Ele deu-lhe o braço, olhou-a nos olhos com um sorriso tenro e levou-a a duas edições da Met Gala, o palco onde todas as musas se transformam em atrizes do guião de sonho dos criadores que as vestem.

“Quando as amizades são genuínas, essas amizades duram – é tão simples quanto isso”, disse Jacobs sobre a sua relação com Coppola, numa entrevista à Harper’s Bazaar. “Na Moda, existe certamente uma percentagem de pessoas que não tem a lealdade e a integridade numa relação. Estão a agir de forma nervosa. Estão a ser superficiais. Mas quando encontras pessoas de quem gostas genuinamente, e existe autenticidade, a relação vai durar, e não existe qualquer esforço para a manter.” Vinte e sete anos depois dos seus caminhos se terem cruzado, Jacobs e Coppola continuam assim: apaixonados, à primeira vista, como se fosse 1992.  

Artigo originalmente publicado na edição de novembro de 2019 da Vogue Portugal.

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