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Tendências 12. 7. 2019

A evolução do biquíni

by Rosalind Jana

 

Banido das praias quando foi criado e com um nome inspirado no atol de Bikini, no oceano Pacífico, o biquíni já passou por muitas fases e formatos. Traçamos a sua história.

Indiscutivelmente, 1946 foi um grande ano. Surgiu a UNICEF. Aconteceu o primeiro Festival de Cannes. Cher nasceu — e Dolly Parton, Liza Minnelli e Diane Keaton também. E o biquíni moderno chegou ao mundo.

Não foi a primeira peça de swimwear — nem mesmo a primeira peça de duas peças, passando a redundância. Na Roma e Grécia Antiga, as mulheres usavam tops cai-cai e cuecas para participar em atividades desportivas, como, aliás, muitos mosaicos encontrados na Villa romana Del Casale ilustram. Avançando no tempo, os vitorianos, com seu interesse crescente em resorts à beira-mar, preferiram outras vestes: imagens dessa época mostram mulheres cobertas com longos vestidos e calções, prontas para desafiar as ondas.

Todavia, na primeira metade do século XX assistiu-se a uma redução da quantidade de tecido necessário para ir à praia. Uma redução que não foi pacífica: em 1907, a nadadora australiana Annette Kellerman foi presa em Boston por estar a usar um maillot de banho justo, apesar deste a cobrir do pescoço aos pés. Anos depois, em 1913, o designer Carl Jantzen introduziu um conjunto de banho composto por um top e calções, peça que também foi totalmente bem recebida.

Na década de 1920, mostrar a pele era já menos atrevido, e na década de 1930 exibir as costas e um pouco do torso era comum. Dos lindos fatos de banho cortados de Claire McCardell ao aparecimento de estrelas como Jayne Mansfield, Rita Hayworth e Ava Gardner — para não mencionar inúmeras pinups e bailarinas — em peças mais reveladoras e, cada vez mais, em duas peças, a natureza do traje de praia aceitável foi mudando continuamente. No entanto, havia um problema. O Código Hays, um conjunto de regras impostas em Hollywood a partir de 1934, proibia a exposição do umbigo em películas, pelo que todas as partes inferiores da roupa de praia (mas não só) necessitavam de ser de cintura subida.

Foi só depois do fim da II Guerra Mundial que o umbigo teve o seu momento de glória. No verão de 1946, dois designers, separadamente, tentaram criar trajes de banho diferentes dos que caracterizavam a época. Assim nasceram a atome de Jacques Heim e o le bikini de Louis Réard. Foi o último, exibido vários dias depois que os EUA detonarem pela primeira vez um dispositivo nuclear sobre o atol de Bikini, que ficou particularmente conhecido. Alegadamente muito provocante ao nível estético, tanto que a maioria das modelos se recusou a usá-lo, o biquíni de fio dental com um design minimalista de Réard foi eventualmente usado pela bailarina de 19 anos Micheline Bernardini.

Levaria um pouco mais de tempo para que o biquíni se tornasse numa peça comum, tanto que inicialmente foi proibído em muitas praias. Só nos anos 60 é que realmente alcançou a crista da onda. Esta foi a década em que Ursula Andress emergiu do mar vestindo aquele biquíni branco infame no filme da saga 007, Dr. No. Foi também a década em que Raquel Welch usou um biquíni feito com peles de animais em One Million Years B.C e Nancy Sinatra apareceu na capa do LP Sugar vestindo um biquíni rosa chiclete brilhante.

A popularidade do biquíni continuou a aumentar na década de 1970, com tecidos como o crochê (veja-se Pam Grier em Coffy). De Pat Cleveland a Cheryl Tiegs, sem esquecer o trio original dos Anjos de Charlie, poucos foram aqueles que resistiram ao allure da peça. Na década de 1980, Phoebe Cates, do filme Fast Times in Ridgemont High, fez do biquíni vermelho uma peça cobiçada. Com a chegada dos anos 90, foram explorados muitos estilos, do modelo mais sporty ao mais minimalista que mal poderia ser chamado de biquíni (como o micro biquíni da Chanel, apresentado em 1996).

O que é imediatamente claro é que a história do biquíni é também a história do corpo: uma história de carne, censura, provocação e, cada vez mais, algumas expectativas bastante frustrantes. Ainda hoje, muitas das figuras que popularizaram o biquíni aos olhos do público foram aquelas cujo físico era considerado aspiracional, em conformidade com um conjunto culturalmente limitado de padrões de beleza.

Talvez o biquíni seja algo que existe nos olhos de quem o vê. Esta peça, que para uns tem sido uma ousada afirmação das liberdadas e das indumentárias, tornou-se, para outros, um símbolo do olhar masculino omnipresente e das pressões depositadas nas mulheres. Seja pela discussão sobre a necessidade de uma maior inclusão aquando do casting de modelos que exibem na passerelle roupa de praia, seja pela hediondez de expressões como “bikini body”, seja pelas batalhas legais sobre o direito das mulheres muçulmanas em usar burquinis, o biquíni ainda não está totalmente em paz.

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