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Palavra da Vogue 23. 5. 2019

Rihanna desvenda a primeira coleção de Fenty em Paris

by Sarah Harris

 

Sarah Harris, chefe de redação e diretora de conteúdos de Moda da edição britânica da Vogue, faz uma análise exclusiva sobre a primeira aventura de Rihanna no segmento da Moda de luxo.

 Rihanna durante a apresentação de Fenty ©Vogue Images

Não é segredo que Rihanna faz as coisas à sua maneira. Na pop-up store em Paris para a apresentação de Fenty, a sua coleção de pronto-a-vestir de estreia, criada em parceria com o grupo de luxo LVMH, Rihanna adiou o encontro para uma hora mais tarde do combinado, o que se transformou num atraso de duas horas antes de ela finalmente chegar, mais de três horas depois. Se estivessemos a falar de qualquer outro designer, os editores presentes estariam fumegantes, preparados para abandonar o local. Em vez disso, estavam contentes, às compras. Quando os críticos mais severos da indústria da Moda começam a comprar diretamente das prateleiras, é seguro dizer que Rihanna tem mais um sucesso na manga. 

A coleção - que demorou dois anos a ser concretizada e que vai dos € 200 por uma t-shirt branca cintada aos € 1.100 por uma parka reversível -, reúne o tipo de peças que Rihanna queria ter no seu próprio guarda-roupa, mas não conseguia encontrar. "É muito comum para mim entrar numa loja e pensar, 'Adoro isto, mas gostava que fosse mais assim, ou numa cor ou num tecido diferente' - e agora posso ter isso", disse Rihanna, que vestia um blazer-minivestido em branco da Fenty. Os pontos altos da coleção incluem fatos construídos com corpetes e ombros estruturados, vendidos com bolsas de cintura correspondentes, camisas masculinas em algodão e casacos oversized com diversos bolsos em ganga pura japonesa. "Adoro silhuetas fortes, e que as mulheres pareçam confiantes, e é isso que quero atingir com esta coleção", revelou. 

As peças de Fenty ©Vogue Images

A estreia estende-se, ainda, aos acessórios - das sandálias strappy pontiaguadas em tons energéticos e neutros, aos óculos de sol statement e às joias ousadas e arquitetónicas em ouro polido com pavé de cristais. "Sempre tive um amor pela Moda e pelo estilo", explicou, acrescentando ainda: "Adorava tudo o que a minha mãe usava, da maquilhagem à roupa..." Pergunto-lhe como era o estilo da mãe dela. "Oh, ela era uma bad ass. Ela usava imensas peças oversized mas mantinha a sua feminilidade, e eu só queria ser como ela." 

Claro que esta não é a primeira aventura de Rihanna na indústria da Moda. Aos 31 anos, foi diretora criativa das coleções femininas para a Puma e já desenhou diversas peças de lingerie para a marca Savage x Fenty. No entanto, esta é a sua primeira experiência no setor de luxo. "Estamos a usar os melhores materiais com que alguma vez trabalhei; tudo foi construído na perfeição. Queremos ter a melhor qualidade possível e queremos criar algo que qualquer pessoa possa usar para sempre. Conheço o processo de criação de todas estas peças." Rihanna já experimentou e testou tudo, por isso, conversamos sobre a importância do corte. "Sou uma mulher com curvas, e se eu não conseguir usar as minhas próprias coisas, é um sinal que não vai resultar. Preciso de ver como assenta nas minhas ancas, nas minhas coxas, na minha barriga - é algo que vai ficar bem em mim, ou apenas numa modelo? É muito importante." 

Os acessórios de Fenty ©Vogue Images

Para além disso, Rihanna está a reescrever a forma como as coisas são feitas na LVMH. Fenty representa a primeira grande marca de Moda que o grupo cria de raíz - e a primeira maison de Moda de luxo comandada por uma mulher negra. E, ao oferecer esta coleção num modelo de venda direto ao consumidor, com novas peças a serem disponibilizadas a cada seis a oito semanas, Rihanna também está a mudar o calendário de produção da Moda. A primeira parcela chega ao site Fenty.com no dia 29 de maio; e a próxima será lançada no final de junho. 

"A espera de seis meses não vai existir; assim que vês, podes comprar", diz. "Não há provocação. Tu olhas, adoras e queres, e é assim porque eu sou assim, eu não quero esperar - eu vejo as novas coleções dos designers e penso, "O look 11, eu preciso dele!" Rihanna ri-se. "É frustrante quando não podes comprar logo." Esta estratégia de venda é uma estreia no setor de luxo. "Eu aprecio muito que a LVMH seja flexível o suficiente para me deixar ter uma perspetiva diferente sobre a forma como quero que os lançamentos funcionem", acrescenta. "O Sr. Arnault não é nenhum idiota, é um homem extremamente inteligente e aberto a novas ideias." 

Rihanna espera ver esse mesmo espírito nos consumidores. "Esta coleção é muito diversa, e essa diversidade é algo que as pessoas vão poder ver à medida que as novas peças são lançadas, porque o meu estilo é mesmo assim", confessa. "Eu um dia estou de fato de treino e no outro de vestido." A promessa é criar elementos de streetwear, mas executá-los de uma forma luxuosa - e a esperaça de Rihanna é que os homens também comprem peças da sua coleção. (O diretor da edição britânica da Vogue, Edward Enninful, comprou a parka camel e preta para si mesmo.) "Gosto de usar roupas masculinas, mas não gosto de dizer, 'Isto é de homem ou isto é de mulher.' Aquilo que quero é que os homens e as mulheres usem esta coleção porque a adoram." 

Rihanna durante a apresentação de Fenty ©Vogue Images

Com tudo aquilo que Rihanna já alcançou - oito álbuns aclamados pela crítica, 14 singles que foram número 1 nos Estados Unidos da América, tours esgotadas, nove Grammys e o não tão pequeno pormenor da sua linha de maquilhagem milionária Fenty Beauty (e dos seus 40 tons de base que deixaram a indústria da Beleza de pernas para o ar) - será que ainda sente a pressão de se superar e de fazer sempre mais e melhor? "Claro, sinto essa pressão em tudo o que faço. Preocupo-me em fazer o melhor, e apresentar o que faço da mehor forma possível. A cada segundo que passa existe essa pressão, e eu consigo senti-la... mas não é uma pressão destruídora", diz, rindo-se, "mas o ser-se destemido é uma fachada." 

É bastante óbvio que Rihanna não está a contar os seus êxitos, e não é o tipo de pessoa que reflete em demasia. Mas é possível sentir que reconhece o peso desta parceria com a LVMH. "Pessoalmente, para mim, enquanto imigrante, que se mudou para os Estados Unidos da América; é uma grande jornada chegar aqui, a Paris. E isso é algo que eu celebro e abraço", diz. "Só quero deixar o meu chefe orgulhoso", confessa, referindo-se a Arnault. Se o número de editores que saiu daqui com compras Fenty significar alguma coisa, o orgulho é um negócio fechado. 

Veja todos os looks da estreia de Fenty, na galeria abaixo. As peças estão disponíveis na pop-up, em Paris, até dia 2 de junho, e em Fenty.com a partir de dia 29 de maio. 

©Fenty

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moda fenty rihanna

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