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It’s the season to be... conscious.

31 Dec 2020
By Mathilde Misciagna

Começaram os saldos. Saiba exatamente como fazer escolhas inteligentes e responsáveis (inclui metodologia).

Começaram os saldos. Saiba exatamente como fazer escolhas inteligentes e responsáveis (inclui metodologia).

©Getty Images
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Antes uma minoria - os consumidores conscientes são agora a tendência - na era da informação e face às alterações climáticas, vieram para ficar. Quando se trata de uma compra, o consumidor consciente faz a sua pesquisa. Procura na internet informação sobre práticas comerciais e de fabrico. Verifica a etiqueta antes de comprar e presta atenção à opinião pública sobre determinada marca através das redes sociais (são frequentes os boicotes a marcas nas redes). A era do consumo consciente está aqui, gostemos ou não. As marcas precisam de ter objetivos claros, saber que valores têm os seus clientes e a ligação entre estes dois fatores. De acordo com um novo estudo do IBM (Institute for Business Value) e desenvolvido em parceria com a National Retail Federation, um terço dos consumidores globais - da Geração Z aos Baby Boomers (idades entre os 18 e os 73 anos) - abandonaria até mesmo a sua marca favorita se esta não estivesse alinhada com os seus valores pessoais. Estão dispostos a pagar mais, e até mesmo a mudar os seus hábitos de compra, por marcas com as quais estão alinhados. O consumo consciente tem sido uma tendência crescente nos últimos anos. Em quase seis dezenas de países, existem agora 3.200 empresas com certificação do tipo B, ou seja, que se alinharam legalmente com o objetivo de equilibrar propósito e lucro.

E com as palavras ‘sustentabilidade’ e ‘consumo consciente’ chegamos à palavra ‘saldos’. O que são saldos? As empresas compram em quantidade, espremem os fornecedores até ao preço mais baixo, acumulam e vendem barato. Muita receita, pouca margem de lucro. Esta definição de saldos coloca evidentemente em risco a tal sustentabilidade de um negócio. E se inicialmente os saldos aconteciam duas vezes por ano, hoje em dia há sempre saldos – porque existe uma banalização do desconto com todo o tipo de desculpas e mais alguma para haver uma promoção. Às vezes até mesmo sem necessidade de qualquer ‘desculpa’ ou trigger. Há quem defenda que, enquanto consumidores, não devemos aceitar os saldos. Devemos ser radicais para um mercado mais justo. Se há descontos, é porque existe excesso, se existe excesso é porque as marcas produziram mais do que o necessário. Somos nós, consumidores, que ditamos as regras.

Para alterarmos este cenário um tanto ou quanto desolador só há uma solução e ela está mais uma vez no consumidor: comprarmos menos, melhor e de forma mais responsável. Porque a questão da compra sustentável implica que haja consumo de igual forma. À medida que se discute mais e mais o impacto da Moda no ambiente, desenvolveu-se a teoria de que tudo o que implica consumo é mau. O que não está totalmente errado teoricamente. Mas na vida nada é preto no branco, há também as zonas cinzentas. O consumo não tem que ser um monstro de sete cabeças se formos mais conscientes com as nossas compras e nos responsabilizarmos por fazer escolhas mais inteligentes. Está aí a época do consumo descontrolado, dos ‘hauls de saldos’, do ‘não preciso, mas quero’. Sempre que cedemos a uma compra por impulso, o mais provável é arrependermo-nos. Percebemos que afinal não gostávamos assim tanto da peça em questão, ou que já temos uma versão melhor. Com isto em mente, Leandra Medine, autora do agora extinto site Man Repeller, compilou uma lista de perguntas que podemos fazer para decidir se compramos ou não determinada peça (em saldo ou não). Esta metodologia pretende permitir que tenhamos um guarda-roupa que não precisa efetivamente de nada novo, mas que pode receber uma espécie de software update de vez em quando. A próxima vez que clicar em ‘adicionar ao carrinho de compras’, aquelas palavrinhas do diabo, tente responder a estas perguntas. Eu própria servi de cobaia submetendo-me ao desafio e respondi às perguntas que poderão ler abaixo.

Metodologia Leandra Medine para uma compra responsável.

Peça em estudo: este vestido cor de rosa Ghost London. 

Já tenho alguma peça que sirva o mesmo propósito? Tenho poucos vestidos. Todos os verões me deparo com essa falta.

Será esta peça tão melhor ao ponto de me sentir tentada a doar três outras peças no seu lugar? Poderia doar três peças no seu lugar, porém não da mesma categoria.

Vai fazer com que seja mais fácil vestir-me de manhã? Sem dúvida. A cor é uma das minhas favoritas e parece-me um vestido fresco e apropriado tanto para ocasiões mais formais como para o dia-a-dia. Aquele get out the door look que dá tanto jeito nos dias 'não tenho nada para vestir'.

O que é que eu tenho que abdicar para a poder comprar? Ou melhor, tenho possibilidades económicas para o fazer? Na verdade deveria estar a poupar para substituir duas janelas em casa, mas bom... 

Se a peça fosse mais cara, tentaria na mesma encontrar uma forma de a comprar? Provavelmente não, pois o preço já é elevado para mim mesmo com desconto.

Vai evidenciar as outras peças do meu armário, como se fosse um software update? Penso que sim, porque é um vestido feminino e vistoso que tornará por exemplo um simples casaco de ganga ou um biker numa peça muito mais divertida.

Se eu me cruzasse na rua com alguém por quem nutro enorme admiração, gostaria de estar a usar esta peça? Sem dúvida. (A esta pergunta Leandra Medine responde ‘tricky question, who the fuck cares?’ e errada não está.)

Pessoalmente também analiso a composição daquilo que pretendo comprar e se é uma peça que me entusiasma verdadeiramente. Será que as minhas respostas a esta metodologia são suficientemente satisfatórias para eu efetivamente me sentir confiante com a compra? Não. Agora parte de mim e da minha consciência a decisão final. Experimente!

Mathilde Misciagna By Mathilde Misciagna

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