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Connected 21. 8. 2019

As oito magníficas: Paloma Elsesser

by Mónica Bozinoski

 

São mulheres, músicas, atrizes, modelos, ativistas. São agentes de mudança determinadas a moldar o nosso futuro. Para melhor. Este é o perfil de Paloma Elsesser.

 Paloma Elsesser © Instagram @palomija

Quando nos perguntam porque é que a representatividade é importante, podemos olhar para Paloma Elsesser para responder à pergunta — e, quando falamos em representatividade, não nos referimos apenas à forma física ou ao tom da pele, mas também, e sobretudo, à importância de mostrar que “eu estou aqui, e estou a travar
as mesmas batalhas que tu. Mas eu estou aqui.” Quando nos perguntam porque é que o discurso ativista é importante, também podemos olhar para Paloma Elsesser para responder à pergunta — e, quando falamos em discurso ativista, não falamos apenas das vozes que gritam contra o racismo, contra a homofobia, contra a falta de dignidade que afeta o género feminino, contra a crise que o planeta atravessa, mas também das vozes que gritam a favor de uma mensagem positiva, de uma mensagem de empatia, de uma mensagem de aceitação, de 
uma mensagem de diversidade.

Nascida em 1992, em Los Angeles, numa família onde “não existiam barreiras, onde existia muita liberdade e pouco julgamento”, Paloma mudou-se para Nova Iorque aos 18 anos, a cidade onde cresceu verdadeiramente e conseguiu encontrar a sua independência. Depois de ter sido descoberta no Instagram — mais uma prova, se dúvidas restassem, da forma como as redes sociais vieram revolucionar e democratizar a indústria da Moda —, a modelo foi rosto de marcas como Pat McGrath Labs, Nike, Glossier e Fenty Beauty. “Eu não sabia que ser modelo plus-size era possível”, confessou em entrevista ao site Byrdie. “Quando estava a crescer, as pessoas diziam-me sempre ‘Tens um rosto tão bonito’. É um pouco insultuoso. Este é o tipo de coisas que temos de engolir.” O tipo de coisas que Paloma Elsesser tinha de engolir são a razão pela qual a representatividade é tão importante — e o porquê da presença de Paloma Elsesser, da indústria às redes sociais, ser tão fulcral. “Lembro-me de ir à Gap quando estava no quinto ano de escolaridade e querer, desesperadamente, um par de jeans azuis”, contou à revista Allure. “Mas não havia nada que me servisse. Lembro-me de chorar no provador e sentir-me inútil e repugnante. São sentimentos horríveis para uma rapariga tão nova — sentir-se tão excluída do mundo. Não é justo que as crianças se sintam mal consigo mesmas por causa da sua aparência. A culpa não é nossa, e é tramado, e é retrógrado.”

Hoje, e graças a vozes como as de Paloma Elsesser, o mundo está cada vez mais inclusivo e representativo — e contribuir para um mundo assim, seja através de campanhas para a Fenty Beauty ou de mensagens body positive no Instagram é, também, uma forma de ativismo. “Acho que [nas minhas plataformas sociais] o mais comum não é as pessoas fazerem-me perguntas, mas antes dizerem coisas como, ‘Ajudaste-me tanto a sentir-me melhor no meu corpo’”, explicou numa entrevista à W Magazine. “Acho que ver uma rapariga que não subscreve a narrativa estabelecida daquilo que o plus-size ou daquilo que uma mulher negra plus-size, citando, ‘deve ser’, oferece algum consolo. O discurso é normalmente ‘Obrigada por me mostrares ou validares que as minhas experiências são reais ou que eu estou bem como sou.’ Vou ficar emocionada. É incrível pensar que podes ter um efeito positivo num ser humano.”

Para além das suas experiências
 e das suas lutas internas e externas, não só com o seu tipo de corpo, mas também com o tom da sua pele (como a própria explicou à Allure, apesar da sua mãe ser negra e do seu pai ser chileno e suíço, as pessoas continuam a vê-la como uma mulher latina e como uma mulher que não parece “suficientemente negra”, fazendo-a sentir-se ostracizada numa cultura com a qual se sente mais ligada), Paloma Elsesser usa as suas plataformas sociais para ser vocal sobre uma questão tão sensível como urgente, a saúde mental. “Tenho tomado e deixado de tomar medicamentos desde os meus 12 anos e este é o período mais longo (três anos) que alguma vez passei sem os tomar, e é assustador”, escreveu numa publicação partilhada no seu Instagram em 2018, para assinalar o aniversário da data em que deixou de recorrer a medicamentos psiquiátricos. “Neste momento, a minha vida é uma coexistência com a ansiedade e a depressão, de forma a que eu, estrategicamente, consiga aproveitar a glória que a vida tem para me dar. Isto é um rant, mas num mundo onde falta tanta empatia, só queria que todos soubessem que a vida é complicada, que os medicamentos podem ajudar, que os medicamentos podem dificultar. Tudo é uma conversa.” Uma conversa que, para Paloma, se baseia na autenticidade, na honestidade, na humanização e na responsabilidade social. “Estou a tentar ser a rapariga que eu nunca tive”, contou à Byrdie. “Isso é importante para mim. Eu tenho que ter consciência disso. De uma forma quase estranha, negra, pequena e muito íntima, existe uma rapariga algures que depende de mim. E isso é muito importante para mim e eu não a quero desiludir.” Missão cumprida, Paloma.

Artigo originalmente publicado na edição de julho 2019 da Vogue Portugal.

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ativismo

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