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Tendências 20. 8. 2019

Uma especialista responde a todas as perguntas sobre escaldões

by Joana Moreira

 

Há poucos tópicos dignos de consenso na comunidade de Beleza, mas a necessidade de SPF será certamente um deles. Dito isto, na probabilidade ínfima – assim esperemos – de ter de lidar com um escaldão, este é o guia que precisa de ler.

©Getty Images

Margarida Robalo Cordeiro, dermatologista no Hospital da Luz de Coimbra, responde a todas as dúvidas, mitos e incertezas sobre os indesejados escaldões. 

Em caso de escaldão, o que se deve fazer em primeiro lugar? 

Há medidas obrigatórias e que ajudam a minimizar o desconforto, como a evicção solar imediata, ao mais pequeno sinal de escaldão. Se tiver roupa vestida deve retirá-la, assim como objetos que acumulem calor, como cintos. A água fria é mesmo o melhor tratamento imediato. Se possível, deve arrefecer a área afetada com água fria corrente durante alguns minutos - nunca água gelada ou quente! Aplicar compressas humedecidas em água fria também ajuda no processo de controlo da dor e do possível edema, isto é, inchaço, associado.  

E para tratar? 

Deve hidratar a pele com produtos adequados, como loções e cremes, que não contenham perfumes. Convém também vestir roupa larga e confortável e de tecidos leves, tomar um anti-inflamatório ou analgésico com o intuito de aliviar a dor ou inflamação. E beber água. Pode igualmente aconselha-se a ingestão de alimentos antioxidantes ricos em betacarotenos, como a romã, papaia e vegetais.  

Que ingredientes se deve procurar nos produtos a aplicar na pele?  

Devemos socorrer-nos de substâncias emolientes, ou seja, hidratantes, calmantes e refrescantes, que não contenham perfumes. O emoliente é constituído por água, óleos e gorduras e tem como objetivo repor o filme hidrolipídico da pele. A sua utilização deve ser “generosa”, mas não se deve abusar! Usar quantidades exageradas de hidratante pode ser contraproducente. Dispomos atualmente de cremes e loções formulados com especificidade para a pele escaldada que são vendidos nas farmácias. 

Por oposição, que substâncias estão proibidas quando a pele está a recuperar? 

Manteiga, óleo, azeite, clara de ovo, pasta de dentes: estas “mezinhas" são totalmente contraindicadas, bem como emolientes perfumados e esfoliantes. Nesta fase, devemos utilizar substâncias o mais inócuas possível.

O que se deve fazer no caso de a queimadura criar bolhas? 

A existência de bolhas é indicadora de uma queimadura de 2º grau. As bolhas não devem ser picadas, pois funcionam como uma proteção contra as infeções. Neste caso, é importante recorrer a um médico. 

Há diferenças no tratamento de um escaldão no rosto ou no corpo? 

o há diferença entre escaldão facial e do resto do corpo. A abordagem é igual para as duas situações.

Beber água ajuda no processo de recuperação da pele ou é apenas um mito?

Beber água é fundamental! Quando a área escaldada é grande, a perda transepidérmica de água pode ser importante, tornando-se necessária a reposição da água perdida.

Em que situações é que se pode justificar a observação médica? 

A grande maioria dos escaldões cura espontaneamente, contudo alguns necessitam de ajuda médica pela gravidade apresentada. Quando há dor e a inflamação é intensa pode haver necessidade de aplicar medicamentos que são de prescrição médica. (...) E se a queimadura solar for extensa e se se fizer acompanhar de sintomas como febre, náuseas, vómitos, tonturas, a procura de um médico deve ser imediata.

Um escaldão pode ter um impacto no risco de desenvolver cancro da pele?  

A prevenção do escaldão está intimamente ligada à prevenção do cancro cutâneo, que regista 10 mil novos casos por ano em Portugal. O escaldão é um promotor do cancro cutâneo e do envelhecimento da pele, daí que a sua prevenção seja obrigatória. O nº de novos casos de cancro cutâneo aumenta em todo o mundo e Portugal não foge à regra. A melhor prevenção do cancro cutâneo é diminuir o tempo de exposição solar e assim o risco de escaldão.

Qual é a melhor forma de prevenir um escaldão?

A prevenção passa por ter comportamentos adequados perante a exposição solar, nomeadamente aplicar protetor solar com índice mínimo de 30, cerca de 20 a 30 minutos antes da exposição solar e renovando a cada 2 horas, não esquecendo as zonas mais sensíveis como orelhas, face, lábios, dorso das mãos e pés. A aplicação deve ser “generosa” na quantidade e não espalhar em demasia, já que se espalhar muito o índice de proteção diminui. Além disso, deve-se respeitar o horário adequado. Ou seja, não nos devemos expor das 12h às 16h, e, no caso das crianças e adultos de pele clara, entre as 11h e as 17h. Esta é a recomendação da Sociedade Portuguesa de Dermatologia e Venereologia (SPDV). 

No fundo, a exposição solar deve ser gradual e progressiva, sem pressa. E não se deve esquecer que, mesmo à sombra, podemos estar expostos à radiação que é refletida pela areia, água, asfalto, relva, neve... A título de exemplo, debaixo de um guarda sol estamos expostos ao equivalente a 30% da radiação UV direta. Por isso, no vestuário, o uso de chapéé obrigatório, bem como o uso de óculos com lentes anti-UV. É importante lembrar também que a t-shirt molhada não protege dos raios UV. Segundo a Associação Portuguesa de Cancro Cutâneo, a roupa escura e pouco porosa oferece maior proteção e já existe atualmente até vestuário com proteção UV.

Artigo originalmente publicado na edição de agosto de 2019 da Vogue Portugal. 

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