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Entrevistas 4. 10. 2019

Giambattista Valli fala sobre a sua colaboração com a H&M

by Liam Freeman

 

A semanas do lançamento da coleção Giambattista Valli x H&M, a Vogue troca dois dedos de conversa com o designer italiano e revela, em exclusivo, algumas imagens das peças que integram a coleção.

Giambattista Valli x H&M © Giovanni Corabi

Quando foi anunciado, em maio, como o próximo designer a colaborar com a H&M, Giambattista Valli deixou claro que ele iria fazer as coisas de forma diferente do que até então havia sido feito. Durante o Festival de Cinema de Cannes, no photocall da gala anual da amFAR, Valli surgiu ao lado das suas musas — incluindo Kendall Jenner, Chriss Lee, Chiara Ferragni e Ross Lynch. Todas estavam vestidas com peças da coleção Giambattista Valli x H&M, cuja edição limitada ficou disponível em lojas selecionadas da H&M e no site da marca dois dias depois, tendo esgotado num ápice. “Não queria acreditar que tantas pessoas no mundo conheciam a [minha] marca”, conta-nos o designer quando nos encontrámos com ele em Roma, para um preview exclusivo da coleção antes de esta ser lançada, na totalidade, em novembro. “A H&M queria o entusiasmo que existiu com a primeira colaboração com Karl [Lagerfeld], então quis mesmo revolucionar tudo, logo desde o início.”

Depois de aprimorar as suas habilidades com o couturier Roberto Capucci, Valli passou a trabalhar para Fendi e depois para Emanuel Ungaro, antes de lançar a sua marca epónima em 2005 — marca essa que ganhou o status de Alta-Costura em 2011. Desde então, Rihanna, Ariana Grande e Emma Stone, vestidas com criações efervescentes de Valli na passadeira vermelha, já levaram os paparazzi à loucura. Agora, o designer de 53 anos está a trazer um toque desse glamour puro para a Moda high street.

Giambattista Valli x H&M © Giovanni Corabi

Umas férias em Roma

Valli é um nome recorrente na programação da Semana de Moda de Paris — tão recorrente que chegamos ao ponto de nos esquecermos de que o designer é, efetivamente, romano. "Venho de Roma, cresci aqui", diz-nos. “A cidade tem um ADN muito forte, uma espécie de excentricidade, esforço e sensação atemporais. Faz parte da história da casa [Giambattista Valli].”

A campanha da H&M, protagonizada por Ferragni, Jenner e Lee, foi fotografada por Mert e Marcus num jardim romano privado e na Galleria Doria Pamphilj, que, com obras de Caravaggio, Raphael e Velázquez, possui uma das coleções de arte mais cobiçadas ​​do mundo. "Queria mostrar esta rapariga que agora vive em Los Angeles, Xangai ou Berlim e que volta para casa, volta para Roma, com um grupo de amigos. Ficam instalados num palácio e preparam uma festa", diz Valli, referindo-se ao conceito descaradamente decadente por detrás da campanha. "Eu não sou um designer que veste alguém para ir trabalhar — a minha comunidade é muito jet set. Adoro essa ideia de ter pessoas confortáveis ​​a moverem-se entre países, entre culturas.”

Hoodies enfeitados com pedras que criam motivos florais, colares elaborados bordados nas golas de sweatshirts, bomber jackets de couro com golas de pele de ovelha — há um certo ar de princesa desonesta neste contraste entre o requintado e o atlético.

Roupas que as pessoas vestem, não roupas que vestem as pessoas

Com a exceção de talvez seis vestidos statement de festa — um deles tem um tule vermelho, os outros são um sonho botânico (bordados, com apliques de flores ou em tecidos plissados com padrões florais) — a coleção é versátil, podendo ser facilmente assimilada num qualquer guarda-roupa. “Eu não trabalho em Moda, eu trabalho mais no estilo", diz Valli. “Quero dar às pessoas o apoio necessário para usarem as roupas como quiserem e sentirem-se confortáveis; a Moda pode ser muito ditada por um 'look'. Quando eu desenho, deixo espaço para as pessoas preencherem a sua personalidade. ”

Após o lançamento da edição limitada da coleção, em maio, Valli tirou prazer em percorrer o Instagram para ver como os clientes estavam a interpretar as suas roupas. "Adoro quando as pessoas se sentem em equilíbrio consigo mesmas, é a coisa mais elegante", diz. "Eu odeio quando marcas de luxo fazem as pessoas sentirem que precisam de comprar alguma coisa, ou que não és cool. O que eu quero fazer na Moda é inspirar as pessoas.”

Giambattista Valli x H&M © Giovanni Corabi

Este é o homem Giambattista Valli

Valli descreve a sua primeira incursão na Moda masculina como "muito autobiográfica". Um clássico blusão de ganga Levi’s que ele usava quando era criança foi o ponto de partida para um casaco em denim com detalhes militares forrado com pele de carneiro falsa. Entretanto, um retrato de um artista flamengo desconhecido, pendurado numa parede da casa de Valli em Paris, virou um padrão que aparece num casaco para a chuva, num cachecol e num saco de viagem. "A [minha] Moda masculina é para um homem que entra no guarda-roupa de uma mulher e se veste [com as peças] — é para alguém que gosta de roupas mais andróginas. Normalmente, vemos acontecer o contrário, então eu pensei em como seria bom fazer algo diferente", diz-nos Valli. “Gosto de remover estes rótulos associados ao homem e à mulher e pensar em criatividade e em liberdade. Pensei nas pessoas com quem a miúda Valli convive. Há uma fluidez nas mulheres que vestem blusões de homem. Todas as pessoas são livres para interpretarem as coisas à sua maneira.”

Atuando como um fio de continuidade com o trabalho dos velhos mestres holandeses estão os bordados rococó que escorregam pelas pernas das calças e as aberturas de um casaco de cauda militar, mas também imitações de pérolas cravejadas no decote de uma sweatshirt preta. "É engraçado", diz Valli, "as pérolas parecem muito burguesas num little black dress. Mas quando são aplicadas numa sweatshirt preta para homem, tornam-se flagrantes. Eu uso sempre um colar de pérolas, é o meu amuleto da sorte. Posso estar ao lado de alguém coberto de tatuagens e piercings que as pessoas vão olhar para as minhas pérolas.”

Há depois o leopard print, que Valli admite ter sido “uma ideia muito couture” para ele, tanto que acabou por usar o padrão leopardo em t-shirts e calças de fato de treino.

Da Alta-Costura para as ruas

Lá porque as roupas desta coleção não são de Alta-Costura, tal não significa que sejam roupas menores. Valli insiste nesta ideia: “Sim, as criações têm tecidos diferentes daqueles que eu normalmente uso e serão vendidas a preços diferentes, mas tudo tem um significado, até a sweatshirt mais simples.” O designer aponta para o modelo Oslo Grace, vestido com um par de jeans coloridos, meias floridas, sapatos de plataforma e uma sweatshirt rosa marshmallow. O padrão do "amor", estampado em meias, numa carteira de mão e em t-shirts masculinas, é como Valli fecha as suas cartas, enquanto a fivela do cinto e o fecho da carteira são inspirados na sua própria boca.

"A coleção é um A, B, C do que eu fiz até agora", diz o designer. "Sou Alta-Costura, sou pronto-a-vestir, sou uma mistura de tudo. Quero que as pessoas possam usar um dos meus casacos de Alta-Costura com jeans. Gosto da ideia de ter a H&M à frente de um Caravaggio.” Esse desejo de criar roupas que não diluam o ADN de uma marca sem submeter o estilo pessoal à submissão é uma procura pela autenticidade, como Valli conclui: “Eu não quero que a Giambattista Valli x H&M seja uma paródia. Sou perfeccionista; quero que a coleção seja totalmente fiel e honesta ao cliente.”

Giambattista Valli © Giovanni Corabi


A coleção Giambattista Valli x H&M estará disponível em lojas H&M selecionadas e online a partir de 7 de novembro.

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