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Entrevistas 21. 1. 2019

Primeiro look: os bastidores da Alta-Costura de Giambattista Valli

by Divya Bala

 

Conhecido pelos seus vestidos de proporções impossíveis, esta estação, Giambattista Valli brindou-nos com uma aula de Haute Couture. Estivemos no atelier do designer, antes do desfile. 

© Valentin Hennequin

 

“Não é suficiente”, murmura Giambattista Valli para ele mesmo, enquanto inspeciona a saia de um dos seus vestidos da coleção de Alta-Costura para a primavera/verão 2019, apresentada há momentos em Paris. 

Quando visitámos o seu atelier, faltavam alguns dias para o desfile e o designer analisava a quantidade de tafetá carmim presente numa das suas criações. “Para preencher o espaço da haute couture, temos de ter volumes exagerados,” explica, trazendo-nos imediatamente à memória as suas silhuetas impossíveis de ignorar. 

Desde o início da sua aventura na Alta-Costura, há sete anos, que Valli tem deixado marca: muitos dos seus looks requerem horas para bordar todas as aplicações e centenas de metros de tecidos. Nesta coleção, um vestido em particular envolve 6,000 metros de fita bordada para formar uma silhueta tipo nuvem; enquanto uma camisola cropped de manga comprida, em padrão píton, levou cerca de 240 horas para bordar. Valli é rápido a relativizar esses números. “Sim, quando dizes que levou ‘três meses a fazer’ parece muito intenso, até fico cansado. Claro que levou tempo, mas parece natural, como se o pudesses ter feito numa noite,” diz.  E, de facto, assim que as modelos as vestem, as peças assumem uma aparente leveza. 

A inspiração

Ainda assim, uma noite não é obviamente suficiente para fazer peças como as que apresentou. Para esta coleção, Valli revisitou as suas primeiras memórias de Paris e da Alta Costura, com o propósito de celebrar esta forma de arte. “Decidi há 20 anos mudar-me para Paris, o meu sonho era criar uma maison nesta cidade e consegui. E agora, face ao momento social incerto que vivemos em França, quis mostrar aquilo que para mim há de melhor em França e o motivo pelo qual me mudei para aqui”, explica o designer, cujo atelier fica no epicentro dos protestos dos coletes amarelos que nas últimas semanas têm abalado Paris. No processo de criar esta coleção Valli também voltou à sua cidade natal, Roma, onde tudo começou para ele, e onde pôde reviver os seus sonhos de outrora. “Fez-me pensar nos motivos pelos quais me mudei para Paris em primeiro lugar, aquilo que me inspirava”, diz. “Monsieur Yves Saint Laurent, Monsieur Hubert de Givenchy, todos estes designers incríveis, os rituais e o savoir-faire deste mundo”. 

E foi precisamente uma fotografia do mundo de Monsieur Saint Laurent que serviu de ponto de partida para Valli. Tirada por Helmut Newton para a edição francesa da Vogue, em 1977, a imagem, intitulada Chez Yves Saint Laurent, retrata um grupo de mulheres descontraídas, mas vestidas de forma faustosa, depois de uma apresentação fechada, e simboliza a opulência nostálgica que Valli espera reacender. “Com esta coleção quis recriar a atmosfera de um salão, o privilégio de estar neste mundo privado,” explica. “O pronto-a-vestir é ação, é o agora. A couture  é mais como entrar num momento histórico que não existe realmente. Para mim, o mais importante é inspirar.”

Esta coleção

Os fãs de Valli vão seguramente sentir-se inspirados. Esta estação, os seus habituais volumes, folhos e detalhes eximiamente executados completaram-se com chapéus de inspiração oriental, missangas bordadas em forma de mosaico e interpretações de pinturas flamengas do século XV que o próprio tem em casa. Há laços - grandes ou pequenos, em prateado ou em preto - , múltiplas penas, flores em organza e corpetes em seda duchesse. “É quase como um ABC da haute couture, uma mostra aquilo que aprendi,” explica o designer aludindo às suas experiências com as marcas italianas Roberto Capucci, Fendi e Emanuel Ungaro. 

Depois da entrevista, Valli partilha connosco algumas fotografias de clientes com as suas criações vestidas - uma noiva em Capri, outra no Brasil, todas perfeitamente enquadradas nas suas silhuetas assumidamente volumosas. “Tenho de te dizer, o que vendemos mais são estes vestidos impossivelmente grandes. As minhas clientes adoram-nos.” Portanto, parece que todos concordamos: no que toca a Valli, mais é mais.

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