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Entrevistas 11. 6. 2018

Família Vivas: "Marvila está a acordar e a ganhar uma dinâmica muito própria."

by Sara Andrade

 

Numa altura em que Marvila ainda parecia apenas um ponto no mapa da periferia de Lisboa, a família Vivas viu o potencial da zona que agora é um dos bairros mais trendy da capital. Não foi à toa que a Vogue Portugal escolheu a morada para fazer a festa que relançou o título em português pela Light-House. A #VogueIconicParty teve um cenário tão emblemático como ela e esta história explica porquê.

© Anna Balecho e Tomás Monteiro para Vogue Portugal.

Podia começar com "Era uma vez...", mas não vale a pena falar em "eras" quando ainda o é: um caso de sucesso e uma narrativa feliz. A família Vivas é um exemplo do empreendedorismo em português, mantendo um cunho familiar num negócio que é já um império. E que é também uma referência para todo o mercado e exigências do séc. XXI: com uma estabilidade comercial no investimento em armazéns de referência que alugam para eventos, espaços de cowork e demais iniciativas ditadas pela criatividade - e que reclamaram para si numa altura em que a zona de Marvila era ainda subvalorizada em potencial como bairro emergente -, não descuram a sustentabilidade em projetos de agricultura biológica e vinícula cuja prioridade são as preocupações ambientais.

A Vogue conversou com Maria Folha, em representação da família, para aprender mais sobre estes contos de encantar que existem no mundo real.

Porquê Marvila, naquela altura? E porquê os armazéns? Procuraram-nos ativamente ou surgiu a oportunidade?

A família Vivas tem uma relação com este espaço desde os anos 30 do séc XX. O nosso bisavô, Manuel Vivas, nasceu e trabalhou toda a vida ligado aos caminhos de ferro. Comprou o terreno e construiu grande parte dos 16.000 m2 de armazéns que formam o complexo hoje, que seriam a última estação antes de Santa Apolónia para cargas e descargas e que eram depois distribuídas para toda a parte.

Gosto de imaginar a dinâmica e agitação que se viviam nesses tempos nesta zona da cidade. Mais recentemente, em 2011, numa altura em que Marvila parecia adormecida, à espera que algo acontecesse, tínhamos uma escolha a fazer. Vendíamos para investidores fazerem aqui um empreendimento imobiliário, ou apostávamos em manter e revitalizar os armazéns. Optámos por agarrar a oportunidade e revitalizar os espaços, diversificando atividades e atraindo novos utilizadores. Só teríamos que esperar que, à volta, acontecesse o mesmo e que mais pessoas vissem o potencial que têm estes espaços industriais.

O bairro tem um potencial especial e Marvila está a acordar e a ganhar uma dinâmica muito própria, partindo da transformação e valorização do património existente. Espero que esta tendência cresça de forma equilibrada e que se consiga manter a diversidade que encontramos hoje. Não será um desafio fácil para os reguladores da cidade.

Sempre tiveram esta ideia de utilizá-los como espaço para eventos e como espaço de cowork ou tinham (ou têm) outros planos para os edifícios? 

Sempre pensámos que a dinâmica certa seria tirar o máximo partido das características industriais únicas que tem o edifício, mantendo o seu caráter original, e adaptando-o às vivências urbanas contemporâneas. O tipo de edifício, o ambiente industrial e a localização adaptam-se bem a um espaço de cowork, outros tipos de espaços de trabalho, exposições, mercados, outros eventos, ou até um espaço cultural. Os eventos ganham muito com a escala do edifício, com o ambiente industrial quase cénico, a vista fantástica sobre o rio, e com as vantagens logísticas de um espaço industrial. 


Vamos continuar a fazer o projeto crescer com a maior variedade de espaços de trabalho/atelier/oficina, maior diversidade de eventos, e possivelmente incluir outros serviços neste projeto, que para além do ONE 16, inclui outros espaços no mesmo complexo. Cultura, responsabilidade social e ambiental também são vectores importantes no futuro próximo deste projeto integrado, que estamos a dinamizar numa estratégia conjunta que contribua para uma cidade mais dinâmica, diversa, culta, responsável e economicamente mais justa. 

Além da festa da Vogue Portugal, que outros eventos de referência acolheram nos vossos armazéns?

Depois da festa da Vogue, recebemos eventos como o Portugal Fashion, o Wintermarket Stylista ou a comemoração 35vs50 anos DJ Vibe. Gravámos ainda vários videoclips (Cristina Branco, Sara Tavares, entre outros), colaborámos no Super Diva - 3ª série, que estreia brevemente na RTP, com a participação dos Dead Combo e a gravação do Twitter Ópera - Ópera dos dias de Hoje, com a soprano Catarina Molder, e foram ainda rodadas novelas, séries e várias publicidades nacionais e internacionais. 

Fale-nos um pouco sobre o background da família e o portefólio de negócios que vos deu este arcabouço para tão bem gerir e apostar neste projeto do ONE Your First Stop? Qual é o "CV" da família Vivas, por assim dizer?

Somos uma família multifacetada. Quando adquiriu os armazéns em Lisboa, o nosso bisavô Manuel adquiriu também uma quinta junto à Serra de Montejunto e manteve as suas ligações à aldeia onde nasceu, no Norte Alentejo. Hoje, os negócios da família são bastante diversificados e em várias zonas do país, com um pezinho na fronteira espanhola, na terra natal da nossa bisavó.

A Quinta do Olival da Murta tem produção de vinho e pêra rocha, desde o início do séc XX. Hoje, fazemos também produção de plantas aromáticas e medicinais e atividades pedagógicas para crianças, onde estas têm contacto com o mundo rural e aprendem de forma divertida princípios de sustentabilidade e de respeito pela natureza. Reabilitámos as infraestruturas do lagar e adega e lançámos no final de 2017 o vinho Serra Oca – tinto 2013 e tinto 2014. É fruto de uma viticultura não intensiva, com vindima manual e vinificação tradicional, com castas exclusivamente portuguesas.

Em 2013 e 2014, fizemos uma produção limitada de 2.000 e 4.000 garrafas numeradas, e contamos aumentar o número de garrafas, possivelmente já este ano. Na quinta, as preocupações ambientais estão muito presentes em tudo o que fazemos, tendo dado os primeiros passos na agricultura biológica com o projeto de plantas aromáticas e medicinais secas, que contamos que estejam nas lojas este Verão.

A magnitude do projeto é invejável, mas a vossa empresa tem um cariz muito familiar - é uma assunção correta? Sentem sempre que trabalham em família, em todas as dimensões da palavra?

Sim. Da minha experiência, posso dizer que passámos momentos em que fomos obrigados a tomar decisões estratégicas fundamentais que determinaram a continuidade dos negócios da empresa. Ainda que vindos de áreas profissionais muito diferentes, foi inequívoca a união da família, tornando possível o crescimento da empresa, num caminho com muitos desafios. É nesta unidade que encontramos, nos momentos chave, o foco para alcançarmos os nossos objetivos, sendo um contexto que nos obriga crescer muito, tanto na esfera pessoal, como na esfera profissional.

Quais são as principais vantagens de alugar um espaço destes neste local? E quais são os principais desafios em gerir um espólio como este?

A grande vantagem são os 3.000m2 em open-space, que não se encontram facilmente em Lisboa, com um ambiente industrial único onde podemos aproveitar elementos como uma entrada através de uma linha de comboio interior, e uma frente de 60m com vista para o rio Tejo. Outra vantagem de se tratar de um open-space grande, é que facilmente conseguimos dividi-lo, adaptando-o às dimensões e características específicas de cada evento. Depois, a excelente localização, uma vez que estamos muito perto do centro de Lisboa e de importantes vias de acesso, totalmente no coração de uma zona que está com uma dinâmica cada vez mais urbana e rica.

O principal desafio de um espaço industrial como este é a grande escala, e por vezes a adaptação de um edifício com muitos anos, que foi pensado para uma utilização específica, e que necessariamente tem que ser adaptado às exigências dos dias de hoje. Maior desafio ainda é a nossa teimosia em fazer tudo isto e não deixar que o espaço fique descaracterizado.

Tiveram desde o início esta visão sobre a emergência de Marvila enquanto um dos destinos a frequentar de Lisboa. Agora que os arredores dos vossos armazéns se lotaram de boas moradas para tempos de lazer, podemos pedir-lhes que nos ajudem no roteiro abaixo:

Sabíamos desde o início que existia o potencial. Só não sabíamos bem quando iria acontecer. 

Melhor local para tomar um café? Café Com Calma. Se formos gulosos e quisermos ficar indecisos entre os bolos e sobremesas, sempre ótimos, e acompanhar com sumo natural ou um chá fresco.

Melhor local para almoçar e jantar? Para almoçar, o Aquele Lugar que Não Existe. Para além do nome ser uma ideia brilhante, gosto muito da decoração e do ambiente. A comida não fica nada atrás, sobretudo o buffet de comida internacional com opções vegetarianas, e ainda o toque especial do forno a lenha. Ao jantar, recomendaria o restaurante chinês Dinastia Tang, para uma experiência bem diferente.

O roteiro de compras por Marvila: as melhores lojas de moda e/ou lifestyleSe procuramos decoração para casa, recomendo um percurso pelas lojas de mobiliário vintage. O Cantinho do Vintage não pára de crescer em espaço e diversidade de opções e, agora, a oferta foi complementada pelo Vintage Department, com peças de autor, que são oportunidades únicas para os apaixonados por design. Outro roteiro obrigatório é o das galerias de arte contemporânea e de arte urbana. Começando pela Underdogs Gallery e a Galeria Baginski, que já contam com alguns anos a fazer de Marvila a sua casa, podemos continuar pela Rua Capitão Leitão e encontramos mais surpresas.

Melhor spot para beber um copo? As Tap Rooms de cervejas artesanais: Musa, pelo ambiente, e Dois Corvos, pela hospitalidade dos donos.

Um programa nas redondezas para uma tarde de sol? Confesso que fazem falta espaços de esplanada por estes lados. Mas quem sabe se já este verão não vamos ter surpresas nesta área? Deixo também convite a quem quiser aproveitar a vista de rio 180º do ONE 16, para quem tiver planos de organizar um evento de fim de tarde.

Finalmente, depois dos armazéns, em que outros projetos gostariam de se envolver? Têm algum novo empreendimento em vista?

Estamos focados em fazer crescer as atividades que temos em mãos. Nos armazéns, estamos neste momento a preparar um projeto transversal aos vários espaços, com uma dinâmica integrada, em que diferentes áreas se complementam. Eventos, espaços de trabalho, ateliers, cultura, lojas ou outros serviços, podem ter um papel na construção deste "eco-sistema" que se quer criar. Estamos empenhados em trabalhar para que este projeto seja uma referência em Marvila e Lisboa, assentando em valores europeus contemporâneos de sustentabilidade económica e ambiental, diversidade cultural e responsabilidade social.

ONE - Your first stop
Rua Pereira Henriques N1 Espaço 11F
1950-242 Lisboa
T. +351 218 680 777
E. info@oneyourfirststop.com
W. oneyourfirststop.com

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