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Tendências 13. 8. 2018

Don't panic, it's organic

by Sara Andrade

 

Natural. Orgânico. Bio. Não é só aos rótulos de supermercado que tem que estar atenta. Os dos seus cosméticos também têm muito a dizer.

Numa altura em que a mentalidade global está focada num futuro sustentável com o meio ambiente no centro, também a saúde e a beleza pensadas numa filosofia que obedece à natureza têm ganho novos adeptos tanto quanto ofertas para responder a essa demanda. Umas reinventam-se no core, alterando-se por completo e criando uma linha ou marca que respeitam a 100% estas diretrizes que colocam de parte os químicos, outras absorvem alguma da sua popularidade, esforçando-se por incluir ingredientes biológicos, mas sem serem radicais na eliminação de conservantes tradicionais.

Mas a distinção não é óbvia, muitas vezes: quando um produto alega que é feito com óleo de coco bio ou que o ingrediente estrela é de origem orgânica, não quer dizer que todo o seu conteúdo respeita estes vocábulos que têm ganho cada vez mais espaço no mercado da cosmética. Como tirar as dúvidas? Fomos falar com quem sabe. 

Cátia e Rita Curica são as irmãs que, há nove anos, quando ainda se perguntava bio-quê e orgâni-quantas, decidirem estabelecer uma loja com uma seleção de beleza respeitadora destes princípios naturais. "A 5 de junho de 2009 abriu a primeira loja Organii, no Chiado, uma loja inteiramente dedicada à cosmética biológica. Este projeto nasceu da nossa própria procura por alternativas às quais não fizéssemos alergias e quando começamos a encontrar, quisemos partilhar porque achamos que não seriamos as únicas.", explica a dupla, à Vogue, sobre o rastilho para este projeto. "Esta foi a ideia original que nos fez desenvolver a vontade de partilhar bons produtos de cosmética sem os químicos que tantas alergias nos provocaram toda a vida. Da ideia à loja é todo um processo cheio de pequenas dificuldades: arranjar lojas em boas áreas comerciais de rua (comércio que adoramos e que queremos fomentar), licenças e todos os requisitos legais, escolher as marcas, fazer registos no INFARMED dos produtos cosméticos. Enfim todas as áreas têm as suas dificuldades e é muita coisa para fazer. Somos um país muito burocrático e é difícil saber todas as leis que temos de cumprir...".

Mas a força de vontade prevaleceu sobre as dificuldades e hoje a aposta revela-se não só um sucesso, como visionária: da altura para agora, as alterações na procura por este género de artigos é notória, sendo que um estudo publicado pela Grand View Research estima que este mercado do cuidado pessoal com produtos orgânicos poderá atingir valores de mais de 25 mil milhões de dólares em 2025. "As diferenças são gigantes, éramos uma pequena loja, só as duas a fazer tudo, sem redes sociais, sem site, sem grande presença. Hoje somos 22 pessoas a trabalhar, temos uma equipa que acredita no projecto e clientes fieis que nos acompanham e fazem sentir que vale a pena todo este grande esforço. Já somos reconhecidas como especialistas em cosmética bio, temos 7 lojas, uma loja online e temos crescido em redor dos 15 a 20% todos os anos.", gabam com razão. "A diferença é gigante, mas ainda temos um longo caminho pela frente.", acrescentam.

Foi nesta experiência de quase uma década que quisémos tirar dúvidas não só sobre todos estes vocábulos que parecem sinónimos, mas também se a sua inclusão é de confiança em todos os casos. Por exemplo, a que devemos estar atentas para comprar um produto sem químicos?

"Nunca é fácil porque o que a rotulagem exige são nomes científicos e que respeitam uma série de normas de nomenclatura internacional, e não são dirigidos às pessoas sem formação específica na área.", lamentam.

"Por isso, muitas vezes, precisamos da ajuda da internet. As associações que certificam falam muitas vezes dos ingredientes a evitar e do porquê, tal como nós na Organii. O nosso cartão da loja tem na parte de trás uma lista de ingredientes a evitar para ajudar as pessoas nesse caminho. Mas há coisas que não dá para saber num rótulo, por exemplo, a glicerina tanto pode ser vegetal e ser um bom ingrediente como pode ser de origem sintética e já não ter as mesmas propriedades. Daí a grande importância de dar às pessoas informação e a confiança nas marcas. Vivemos numa era de desconfiança - e com muita razão -, por isso, procurar marcas transparentes, abertas e que respondem aos consumidores é fundamental para o processo. O melhor mesmo é procurar as certificações bio."

As certificações bio, como explicam as irmãs Curica, adicionam uma camada de credibilidade, porque fazem este trabalho de análise dos rótulos por nós, garantindo o produto livre de ingredientes potencialmente nocivos: "cada vez mais, as próprias marcas jogam com a confusão do consumidor", explicam, acrescentando que a solução passa por "procurar nas embalagens certificações biológicas credíveis e não desenvolvidas pelas marcas dos próprios produtos. Certificações conhecidas que existem em vários produtos de diversas marcas: Ecocert, Cosmos, Soil Association, BDIH, Natrue, USDA", mas também por comprar marcas exclusivamente desenvolvidas nesta área de negócio e cuja filosofia será, sempre, respeitada como um princípio e não por ser moda.  

Uma das principais críticas que outrora se faziam a este género de produtos era a sua eficácia enquanto cosmética, quando comparados ao poder dos químicos, mas Cátia e Rita nem sequer admitem essa espécie de difamação:

"São e sempre foram concorrentes diretos em termos de eficácia! E estão cada vez melhores.", contrapoem.

"O que se nota é que a performance está cada vez melhor e mais parecida com os convencionais e não a eficácia. À medida que o mercado aumenta e se conseguem ter mais aliados tecnológicos. melhores vão ficando os produtos. Um exemplo disso são os protetores solares, que eram muito brancos e pastosos e, hoje, são praticamente incolores, cheiram bem e espalham-se com facilidade. Mas sempre protegeram do sol tão bem ou melhor que os convencionais". Aliás, os solares (neste caso, da marca Acorelle, diz o duo) são dos best-sellers Organii (a par de outros sucessos de venda, como o óleo de argão, os champôs da John Masters Organics, a Linha SOS da Mádara e os desodorizantes também da Acorelle, listam).

Há ainda uma ideia de que os prazos de validade dos produtos deste género têm um prazo de validade mais curto, mas a dupla menospreza esse fator como um argumento para não comprar: "no geral são mais curtos, mas conseguem-se em embalagens a vácuo por exemplo ou com plantas que sejam antibacterianas e antifúngicas." Características garantidas, entre outras, pelo controlo de qualidade das fundadoras, que fazem questão de visitar pessoalmente as marcas, conhecer a fundo "os produtos, ingredientes, formas de fabrico e têm que conquistar a nossa confiança", rematam.

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