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Chanel Métiers d’Art 2021

by Rui Matos

 

Virginie Viard saiu da sombra do seu mentor, agarrou-se ao ADN da Chanel e das coleções Métiers d’Art, e criou uma coleção com o seu carimbo - o carimbo Viard.

Há imagens que não nos saem da cabeça, não importa a sua data. Os retratos de Gabrielle Chanel nas décadas de 30 e 40 do século XX, por exemplo, são imagens poderosas. Uma mulher que sabia o que queria, vestida com fatos pretos em veludo e golas brancas de renda à volta do pescoço. Uma indumentária muito semelhante àquela que as mulheres da aristocracia da era renascentista vestiam, um período histórico que Gabrielle apreciava. “Sempre tive um estranho sentimento de simpatia e admiração pelas mulheres que viveram entre as épocas de Francisco I e Luís XIII, talvez porque as considere todas grandes, com uma simplicidade magnífica e uma excelência imbuída de deveres onerosos,” escreveu Gabrielle num artigo de 1936.

Desde 2002 que, todos os anos, em dezembro, a maison francesa revela a sua coleção Métiers d’Art, uma maneira de homenagear o savoir-faire francês que, desde há muito, faz parte da história da Chanel. As locations destes desfiles vão ao encontro daquilo que é apresentado na passerelle, tendo já passado por cidades como Hamburgo, Nova Iorque e Xangai. O resultado são sempre coordenados que se situam algures entre a Alta-Costura e o pronto-a-vestir. 

Em 2020, o espaço que recebeu esta coleção foi o Château de Chenonceau. “Apresentar no Château de Chenonceau, ou como é conhecido ‘Château des Dames’, foi uma escolha óbvia. Este castelo foi projetado e habitado por mulheres, incluindo Diane de Poitiers e Catherine de Medici,” confidencia Virginie Viard, atual diretora artística da maison francesa. “O emblema de Catherine de Medici era um monograma composto por dois ‘C’ entrelaçados, assim como o da Chanel. Não sabemos se Coco foi diretamente inspirada por ela, mas é altamente provável, pelo simples facto de Gabrielle admirar as mulheres renascentistas. No fundo, este lugar faz parte da história da Chanel.”

Um cenário soberbo, que serviu de palco para o desfile e para acolher Kristen Stewart, embaixadora da marca, e a única convidada. A batida pulsante da música revelou o primeiro coordenado, usado por Vittoria Ceretti. Um tailleur em rosa pastel e com adornos dourados. O chão, que mais parecia um tabuleiro de xadrez gigantesco, ganhou vida em minissaias de lantejoulas. Na passerelle, os bordados Montex e as joias Goossens estiveram em destaque e adornaram casacos, calças, bem como os cintos, que nos remetiam à emblemática ponte do castelo onde o desfile aconteceu.

Os acessórios estiveram no ponto que só a Chanel sabe fazer, afinal estamos a falar da maison mais desejada de todas, sendo que os chapéus hennin foram quem mais se pronunciaram. Este tipo de chapéu, com uma forma cónica, muito popular entre os aristocratas do século XX, simboliza a vontade de quem os usa de estar mais próximo dos céus.

Leggings? But make it Chanel? Talvez não. Apesar de nesta coleção, o allure do rock dos anos 80 estar bem implícito nas silhuetas, ir às aulas de aeróbica de Jane Fonda não nos parece ser o melhor plano para os próximos tempos. A verdade é que esta tendência, um tanto ao quanto duvidosa, estar a tentar fazer um comeback, será que queremos mesmo sair à rua de leggings, ou vamos continuar a usá-las nas aulas de yoga de sábado de manhã?

A visão de Virginie Viard está cada vez mais forte, e anda de mãos dadas com o talento da designer que, estação após estação, se vai libertando do peso de manter o estilo, e a estética, de Karl Lagerfeld, com quem trabalhou por mais de três décadas.

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