Fotografia: Launchmetrics Spotlight
O designer irlandês esteve no leme criativo da casa da Kering durante três anos.
O diretor criativo da McQueen, Seán McGirr, vai deixar o cargo na casa pertencente à Kering ao fim de três anos.
“Gostaria de agradecer ao Seán pelo seu contributo e dedicação à Alexander McQueen”, afirmou Luca de Meo, CEO da Kering, num comunicado divulgado hoje, quinta-feira. “A nossa ambição é estabelecer uma nova direção ousada para a casa, assente no seu património único de alfaiataria excecional, criatividade sem compromissos e rebeldia, para reafirmar a sua posição como uma das vozes mais inovadoras e culturalmente relevantes do luxo.”
“Quero agradecer pessoalmente ao Seán por tudo o que trouxe à Alexander McQueen”, afirmou Gianfranco D’Attis, presidente e CEO da McQueen. “Ao longo dos últimos três anos, abordou a casa com grande respeito pela sua história, ao mesmo tempo que exprimia a sua própria visão. O seu talento e a sua paixão ajudaram-nos a reconectar a Alexander McQueen com Londres, com a sua cultura e com a sua extraordinária energia criativa. Estou profundamente grato ao Seán e às equipas pelo empenho, criatividade e contributo para a casa.”
A casa anunciará em breve a sua nova liderança criativa, de acordo com o comunicado. O novo diretor criativo fará a sua estreia em Londres, cidade para onde a casa transferiu os seus desfiles na coleção primavera/verão 2027. “Estamos totalmente empenhados em apresentar em Londres daqui em diante”, afirmou D’Attis à Vogue Business em setembro.
McGirr foi nomeado diretor criativo da McQueen em outubro de 2023. Antes disso, era responsável pelo ready-to-wear da JW Anderson. O seu currículo inclui ainda funções como designer de Moda feminina na Dries Van Noten, bem como cargos na Uniqlo e na Burberry.
Na McQueen, McGirr assumiu o lugar de Sarah Burton, que passou 26 anos na marca, 13 deles como diretora criativa, tendo sido elogiada por equilibrar o espírito de alta-costura da marca com uma forte oferta de ready-to-wear. O trabalho de McGirr assentou no legado da casa, com uma atitude mais jovem.
A sua estreia na Alexander McQueen realizou-se num armazém nos arredores de Paris, que evocava “a crueza do espaço original, um armazém de raves abandonado em Kings Cross, em Londres, onde McQueen apresentou The Birds”, escreveu Sarah Mower, crítica principal da Vogue US. A coleção, que incluiu malhas exageradas à volta do pescoço, casacos de pele de carneiro e fatos de calça e casaco com contas de azeviche, foi recebida com ceticismo, por se afastar muito do trabalho de Burton e apontar a um público mais jovem, com uma silhueta menos alfaiatada.

Looks do desfile de estreia de Seán McGirr para a McQueen.
O seu segundo desfile, apresentado na École des Beaux-Arts, foi “mais coeso e comercialmente mais viável”, escreveu Nicole Phelps, diretora global da Vogue Runway e da Vogue Business.
A sua coleção primavera/verão 2027, apresentada na cripta da Lincoln’s Inn Chapel, em Londres, sob o teto gótico, abraçou a escuridão com ombros fechados, construídos para lembrar asas de anjo recolhidas, vestidos clássicos com acrescentos anárquicos e penteados com duas pontas.
McGirr declarou na quinta-feira: “A minha visão para a Alexander McQueen assentou na interação entre a beleza humana, crua e visceral, e a precisão e o rigor que estão no coração da casa. Sinto-me incrivelmente orgulhoso da energia progressista que cultivámos enquanto equipa, ancorando a nossa criatividade na cultura contemporânea e vendo-a ressoar junto das figuras mais frontais e expressivas da arte, da música, do cinema e muito mais.”
A notícia da sua saída surge depois de a McQueen ter passado, no início deste ano, por uma reestruturação que envolveu cortes de postos de trabalho e mudanças na equipa executiva. D'Attis tornou-se CEO a 3 de junho.
No Capital Markets Day da Kering, realizado em Florença a 16 de abril, De Meo apresentou a estratégia futura para a McQueen, que inclui uma redução de 50% no número de lojas até ao final de 2026 (em comparação com o final de 2025) e o redimensionamento de todas as funções.
“Um dos problemas da Kering era que estávamos a tratar todas as marcas da mesma forma, independentemente da natureza de cada uma”, afirmou De Meo aos jornalistas no Capital Markets Day do grupo. “Pegue-se numa marca como a McQueen, que é, por natureza, muito de nicho, irreverente e vanguardista. E depois começa-se a abrir lojas e a fazer produtos acessíveis. Isso não é McQueen. Preciso de regressar à origem da McQueen, que é a roupa de ocasião, a alfaiataria, os vestidos de gala, alguns acessórios divertidos, etc.”
Acrescentou que se trata de encontrar a estrutura certa para permitir que a McQueen sustente uma atividade mais restrita, aproveitando sinergias com o grupo. “Provavelmente preciso de estruturar, dentro da Kering, uma plataforma mais adaptada para acolher marcas com um volume de negócios inferior a 300 milhões, porque temos sido relativamente maus a integrar marcas pequenas”, afirmou.
A Kering não discrimina as vendas das casas individuais, exceto as da Gucci, mas, segundo estimativas da Bernstein, a casa gerou menos de 200 milhões de euros em 2025, uma queda acentuada face ao pico de 850 milhões de euros durante o boom do luxo pós-pandemia, em 2022/2023.
Na conferência de apresentação de resultados do primeiro semestre, no final de julho, De Meo disse que a McQueen está a “executar o seu plano de transformação, centrado na simplificação e na disciplina operacional”, referindo que encerrou 20 lojas no primeiro semestre.
A Kering vai divulgar os resultados do terceiro trimestre a 22 de outubro. É provável que as mudanças criativas estejam na agenda da conferência, uma vez que a Saint Laurent, a segunda maior casa do portefólio da Kering, ainda não nomeou um novo diretor criativo na sequência da saída de Anthony Vaccarello, após uma década no comando.
Saio com profunda gratidão pela dedicação do estúdio, do atelier e dos artesãos. Aguardo com expectativa o meu próximo capítulo e desejo à casa todo o sucesso”, afirmou ainda McGirr no comunicado de quinta-feira.
Traduzido do original, disponível aqui.
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