Fotografia: @bellahadid via Instagram
Algures nos confins da Internet, surgiu a possibilidade de que esta posição para dormir pode ser uma das causas da remodelação facial.
São duas da manhã, estamos ainda meio adormecidos, possivelmente a ver selfies, quando a Internet declara que as feições do nosso rosto estão completamente erradas – são muito redondas, muito suaves, muito irregulares e, acima de tudo, assimétricas. Admito que caí na armadilha e comparei as minhas características faciais com as de outras pessoas. De repente, a simetria facial tornou-se uma obsessão, e alguns criadores de conteúdos afirmam que a culpa pode ser da posição em que dormimos: se dormimos de lado durante anos, alertam, é perfeitamente possível que o nosso rosto esteja a pagar o preço. É uma teoria interessante, com pseudociência suficiente para ser credível, se há algo que o TikTok faz com sucesso é transformar uma meia-verdade numa verdade absoluta.
Mas a realidade é esta: a simetria perfeita não existe – nem mesmo Bella Hadid, Gigi Hadid ou Kendall Jenner têm rostos matematicamente idênticos, e a maioria de nós só se apercebe de pequenas diferenças quando um algoritmo as aponta. Antes de se contorcer na cama, lembre-se de que é principalmente o tempo, a gravidade e a genética que estão em ação.
Assim, poderá o simples facto de dormir de lado estar a prejudicar o seu rosto ou este é apenas um mito de beleza disfarçado?
O que dizem os especialistas
“O rosto é composto por ossos, músculos, ligamentos, almofadas adiposas e pele”, explica o Dr. Yash Mehta, fundador e cirurgião principal da ACSC. “Nos adultos, os ossos estão fundidos e não se movem devido à posição em que dormimos. Portanto, dormir de lado não altera a estrutura óssea. No entanto, ao longo dos anos, a pressão constante de um só lado pode contribuir para mudanças subtis relacionadas ao envelhecimento, como a pele mais flácida, linhas mais profundas ou a formação precoce de papada. A “assimetria” que se observa é resultado de alterações nos tecidos moles, e não de deslocamento dos ossos".
A Dra. Geetika Mittal Gupta, fundadora da ISAAC Luxe, acrescenta que este facto se deve à compressão repetida dos tecidos. “Dormir de lado pode alterar subtilmente as zonas de gordura, afetar a circulação e contribuir para a causa de pequenos desequilíbrios. Pense em como os óculos deixam uma marca no nariz após anos de uso. Não é drástico, mas a pressão deixa uma marca”.
Dormir de costas: será uma cura ou apenas mais um mito do TikTok?
Dormir de costas é frequentemente apresentado como a solução, mas isso depende da causa do desequilíbrio. “Se a assimetria for causada pela estrutura óssea, a posição ao dormir não vai corrigi-la”, afirma o Dr. Mehta. “Dormir de costas pode ajudar a reduzir novas linhas de compressão da pele ao longo do tempo, mas não vai reverter as diferenças existentes”.
A Dra. Mittal Gupta acrescenta que, nas fases iniciais, dar ao rosto uma pausa da pressão diária pode permitir que ambos os lados relaxem uniformemente. Desequilíbrios leves podem melhorar com a correção da postura, uma massagem ou yoga facial, mas assimetrias mais visíveis podem precisar da ajuda de um especialista. O rosto nunca esquece estas pequenas peculiaridades diárias. Mastigar de um lado, ficar encurvado, apoiar a mão na bochecha, carregar uma bolsa pesada num ombro, ranger os dentes ou apertar a mandíbula deixam marcas. Até mesmo a maneira como sorri ou fala molda o rosto ao longo do tempo.
Portanto, caso se tenha convencido de que mastigar pastilha elástica apenas do lado esquerdo é o motivo pelo qual o seu queixo parece diferente nas selfies, trazemos boas notícias: raramente é essa a causa.
Como corrigir a assimetria
Quando se trata de correção, existem duas abordagens gerais: cirúrgica ou não cirúrgica.
O Dr. Mehta explica que a cirurgia é geralmente reservada para desequilíbrios estruturais – pense num maxilar muito recuado, um queixo descentrado ou orelhas que não combinam. Essas diferenças podem exigir implantes, reposicionamento de ossos ou remodelação da cartilagem para restaurar o equilíbrio.
A maioria das pessoas começa com opções não cirúrgicas, que se concentram menos em bisturis e mais numa recalibração subtil, observa a Dra. Mittal Gupta. Os preenchimentos podem restaurar o volume perdido, o botox pode suavizar os músculos hiperativos e dispositivos de endurecimento da pele, como o Ultherapy, podem levantar suavemente um lado para igualar o outro. Os liftings com fios e tecnologias mais recentes, como o Emface, também podem ajudar. Em conjunto com ajustes de lifestyle e fisioterapia facial, muitas vezes é possível suavizar as irregularidades sem nunca sequer entrar numa sala de operações.
Seja qual for o caminho a escolher, o objetivo não é uma imagem espelhada, mas sim harmonia. O rosto deve parecer descansado e coeso, não “corrigido”. Eis a verdade: a simetria tornou-se menos uma questão de biologia e mais uma questão de desempenho. Num mundo de filtros e edições, o TikTok continua a vender a fantasia de que o rosto pode ser ajustado como um feed de Instagram. Afinal, os únicos rostos verdadeiramente simétricos vivem no FaceApp, não na vida real.
Traduzido do original, disponível aqui.
Most popular
Lavar o cabelo noutra cidade: 4 recomendações para não sentir a diferença da água
17 Jun 2026
Relacionados
Exercícios para os braços: as posições de yoga que tonificam tanto quanto os pesos
23 Jul 2025
