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Tendências 25. 2. 2019

Billy Porter desafiou estereótipos na red carpet dos Óscares

by Mónica Bozinoski

 

Naquele que foi decididamente o grande momento de estilo da noite, o ator de Pose optou por usar um vestido tuxedo ao invés do clássico smoking. 

Billy Porter em Christian Siriano ©Getty Images

Vestidos são trocados por fatos, fatos são trocados por vestidos, e o Óscar de Melhor Uso da Passadeira Vermelha vai para aqueles que trocam o esperado pelo inesperado. Senhoras e senhores, sejam bem-vindos a uma nova era: uma era onde a red carpet é uma plataforma para experimentar e usar a Moda como forma de expressão máxima do ser. Sabemos que a premissa não é novidade. Do vestido cisne de Bjork ao coordenado showgirl de Cher, não restam dúvidas de que as regras da passadeira vermelha foram feitas para serem quebradas. Nos Óscares deste ano, Billy Porter deu-nos mais uma prova disso mesmo. E ainda bem que o fez. 

Um dos primeiros atores a pisar a passadeira vermelha da 91ª edição da cerimónia, a estrela da série televisiva Pose decidiu deixar o clássico smoking em casa, e optou por usar um vestido tuxedo aveludado, estilizado com uma camisa branca com folhos nas mangas, um blazer com lapelas em cetim e um laço preto. O coordenado com assinatura de Christian Siriano teve um impacto tão óbvio - e escusado será dizer que pelas melhores razões -, que levou a Internet a coroar Billy Porter como o rei oficial da passadeira vermelha dos Óscares de 2019. 

"Sempre que apareço [num evento], o meu objetivo é ser uma obra de arte política. É desafiar as expectativas", escreveu o ator numa carta aberta publicada na edição americana da Vogue, dedicada ao porquê de ter optado por um vestido ao invés de um fato. "O que é a masculinidade? O que é que isso significa?", questinou Billy Porter. "As mulheres usam calças todos os dias, mas assim que um homem usa um vestido, a história é outra. Isso aconteceu-me nos Golden Globes [quando usei uma capa cor de rosa], e a minha reação foi, 'a sério? Estão a brincar comigo? Eu parei o trânsito!' Aquele coordenado mudou tudo para mim. Eu tive a coragem de desafiar o status quo."

"Acredito que os homens gostavam de arriscar mais na passadeira vermelha", continuou Porter no mesmo artigo sobre o duplo padrão que, ainda hoje, existe na passadeira vermelha. "Esta indústria mascara-se a si mesma como inclusiva, mas os atores têm medo de arriscar, porque se aparecem em algo que desafia as normas, podem ser vistos como femininos e, por consequência, não vão conseguir aquele papel masculino, aquele papel de superherói. E essa é a verdade. Já fui confrontado com isso." 

Billy Porter, contudo, não está sozinho nesta missão de transformar o estilo da passadeira vermelha num manifesto de individualidade. Em momentos recentes, o arnês usado por atores como Timothée Chalamet e Michael B. Jordan - como forma de substituto ou complemento ao clássico blazer, respetivamente -, e o inesquecível puffer dress de Ezra Miller, um dos atores mais experimentais na red carpet, têm servido para mostrar que um homem (e, já que estamos nisto, uma mulher) não se mede pelas roupas que veste, mas sim pela confiança de vestir aquilo que quer. 

"[Quando fiz a primeira prova do vestido,] senti-me vivo. Senti-me livre. E liberto e radiante. E bonito! Algo que nem sempre acontece. Nem sempre me senti bem comigo mesmo. É realmente incrível a forma como a roupa consegue afetar o teu estado de espírito", disse o ator. "A minha tia Dorothy costumava dizer, 'Veste-te para o emprego que queres, e não para o emprego que tens.' É por isso que estou sempre bem quando saio de casa. Quero ter controlo. A partir deste momento, quero que as pessoas entendam que não tens que compreender ou sequer concordar com a autenticidade ou verdade das outras pessoas, mas temos que nos respeitar uns aos outros." 

O tuxedo dress de Billy Porter é muito mais do que aquilo que tantos irão entender como uma "escolha arrojada" ou um "momento de estilo" - é uma forma de liderar em vez de seguir. É uma forma de plantar uma semente de liberdade e outra de igualdade, num jardim que há tanto tempo ansiava por elas. É uma forma de mostrar ao mundo, por mais distraído que ele possa (querer) estar, que a Moda é sempre mais do que aquilo que se vê a olho nu. 

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