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Roteiro 18. 2. 2022

Uma década de originais da Netflix

by Pedro Vasconcelos

 

Inventing Anna, 2022 © Netflix

Há dez anos, em fevereiro de 2012, a Netflix lançava a sua primeira série original. A série que começou toda uma biosfera dentro da indústria audiovisual deu o seu primeiro passo em conteúdo original com Lilyhammer, uma série sobre um mafioso americano escondido numa recôndita vila norueguesa. Ainda que a Netflix tenha iniciado atividade como uma companhia de aluguer de DVDs é agora responsável por mais de 2400 programas e filmes originais, com subscritores em mais de 190 países.

A Netflix foi fundada em 1997, mas só dois anos depois é que iniciou o serviço de subscrições online. A partir deste serviço os subscritores podiam escolher qualquer título presente no catálogo virtual e receber em casa o DVD escolhido. Eventualmente, em 2007, aliado a este bem-sucedido serviço, criaram o conceito de streaming, através do qual os subscritores poderiam ver os diversos títulos disponíveis, precisando apenas de conexão à Internet. O conceito foi revolucionário, permanentemente desviando o ponto fulcral da empresa, e, simultaneamente, edificando o sucesso inigualável da Netflix. Foi através do online streaming que a empresa angariou os 222 milhões de subscritores com os quais conta hoje, inspirando através do seu sucesso várias outras plataformas de streaming, como a Disney+ ou a HBO Max. 

Entre os mais de 2000 originais produzidos pela Netflix existem muitos que caem no esquecimento. A abordagem do gigante de streaming tem sido uma estratégia que se foca em quantidade e não na qualidade. Por essa mesma razão, dos dois milhares de títulos uns tornam-se filmes e séries de culto, muitos outros caem no esquecimento. Mas há uma minoria razoável que se tornam sucessos virais. Nestas raras ocasiões o conteúdo da Netflix torna-se parte da cultura geral, gerando conversas de café e discussões entre amigos e colegas de trabalho. É nesses últimos que nos centramos.

2012: Lillyhammer

Esta série é focada em Frank Tagliano, um ex-gangster colocado num programa de proteção de vitimas após testemunhar contra um chefe da máfia. O esconderijo é Lillehammer, uma pequena cidade no meio da Noruega. O enredo da série desenrola-se quando Frank, um gangster respeitado e temido na cidade de Nova Iorque, passa a ser um imigrante desempregado no meio da Noruega. 

2013: Orange is the New Black

Orange is the New Black foi um marco para a Netflix, estabelecendo um precedente, não só em termos de representação social na narrativa, como para a qualidade que se veio a esperar da sua programação. A história centra-se à volta de uma empresária que, acusada de um crime que cometeu há uma década, é enviada para uma prisão feminina. A série é uma análise narrativa muito bem-sucedida do mundo que existe dentro de uma prisão, assim como das condições precárias a que a população presa é sujeita.   

2014: Bojack Horseman  

Com as vozes de alguns dos mais populares comediantes da atualidade, Bojack Horsemen foi a primeira tentativa da Netflix em criar animação para adultos. Bojack é a estrela de uma sitcom dos anos 90, que, passadas duas décadas, se encontra no precipício da ruína financeira e emocional. Com uma profundidade surpreendente, o programa é uma sátira que aborda assuntos como depressão, suicídio e abuso de estupefacientes. 

2015: Grace and Frankie 

Grace and Frankie conta com algumas das mais famosas lendas de Hollywood, entre as quais Jane Fonda e Lily Tomlin, as titulares Grace e Frankie. A narrativa inicia-se quando as duas descobrem que os seus maridos, parceiros de negócios há décadas, têm uma relação romântica e planeiam divorciar-se das suas respetivas esposas. Ao longo das suas sete temporadas a amizade das duas mulheres é aprofundada à medida que estas se aventuram nas mais variadas peripécias. Desde invenção de dildos a detenções geriátricas, a série acompanha-nos nas vidas de pessoas que assumiam que os seus melhores anos já teriam passado.  

2016: The Crown  

The Crown tornou-se uma das mais premiadas séries da Netlfix. O elenco conta com alguns dos maiores nomes do Reino Unido, entre eles Olivia Colman, Helena Bonham Carter e Claire Foy. A série destaca-se por uma particularidade especifica, a cada duas temporadas o elenco muda, de forma a representar autenticamente a passagem do tempo. A narrativa centra-se no reinado da rainha Elizabeth II, iniciando-se no período da sua coroação, potencializando a monarquia britânica para descrever a profunda metamorfose do mundo desde que a regente britânica subiu ao trono.  

2017: 13 reasons why

13 Reasons Why é baseada no livro de Jay Asher do mesmo nome e lida com o sensível tópico do suicídio adolescente. Através de 13 cacetes a personagem Hannah Baker revela as razões pelas quais decidiu terminar a sua vida. O drama desenrola-se de forma complexa, aprofundando o desespero de uma pessoa que decidiu cometer suicídio. 

2018: Queer Eye

Queer Eye é um remake da icónica série da década de 90, Queer Eye for the Straight Guy. Nesta versão a abordagem é redesenhada para encaixar nos padrões morais do tempo em que vivemos. A nova versão destaca-se por não limitar a ajuda a homens heterossexuais, auxiliando todo o género de pessoas. A cada episódio acompanhamos Antoni, Bobby, Jonathan, Tan e Karamo à medida que estes, através das suas áreas de conhecimento, procuram melhorar a vida de diferentes pessoas. O sucesso do programa auxiliou a que os cinco homens viajassem pelo mundo, disseminando os conselhos que proporcionam.   

2019: Umbrella Academy  

Baseado na banda desenhada do mesmo nome, Umbrella Academy segue a vida de uma família de seis heróis que se encontra fraturada. Por meio da morte do seu pai, os irmãos terão de se reunir para parar o fim do mundo, um feito aparentemente impossível tendo em conta o estado das relações entre os irmãos. Luther, Allison, Vanya, Number Five e Klaus partilham o seu passado, o trauma infligido pelo seu pai e a responsabilidade de salvar o mundo.   

2020: Emily in Paris 

De Darren Star o criador da icónica série da HBO, O Sexo e a Cidade, Emily in Paris, tal como a sua predecessora, coloca o mundo da Moda como uma das suas personagens principais, mas desta vez de uma forma muito mais central. A narrativa revolve à volta de Emily, uma mulher do midwest americano, que, devido a uma fusão da empresa em que trabalha, se muda para Paris. A série acompanha Emily enquanto esta navega o mundo da Moda, assim como do amor, à francesa. 

2021: Squid Game  

Squid Game apoderou-se totalmente das nossas vidas (assim como as máscaras de Halloween e, muito provavelmente, do Carnaval). O programa é uma espécie de crítica distópica à injustiça da sociedade em que vivemos. O enredo inicia-se quando pessoas que desesperadas por dinheiro são convidadas a jogar um jogo com um prémio de cerca de 38 milhões de dólares. O que se segue é um jogo de sobrevivência que testará os limites da humanidade. 

2022: Inventing Anna 

Inventing Anna acaba de se estrear na Netflix, baseando-se num famoso artigo da revista New Yorker: How Anna Delvey Tricked New York's Party People, de Jessica Pressler. A autora, que serve como produtora à série, narra o caso peculiar de Anna Delvey, uma mulher que durante anos se fez passar por um membro da alta sociedade alemã em Nova Iorque. Acabando por fraudar muitos, o caso de Delvey questiona a hierarquia social e económica dos Estados Unidos, particularmente a vida daqueles que se encontram no topo.