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Roteiro 13. 1. 2022

Os cinco dramas históricos que primam pelo guarda-roupa

by Mariana Silva

 

Com a entrada da award season, escolhemos revisitar alguns dos nossos coordenados históricos favoritos.

Marie Antoinette (2006)

A Moda foi sempre uma parte integral da Sétima Arte e nunca isso transpareceu tanto como nos dramas históricos que se desafiam a retratar o modo de vestir da era que reproduzem. E enquanto alguns figurinos escolhem primar pela adequação à época, outros merecem ser relembrados pela sua ousadia e excentricidade. O que faz um bom costume design? Aqui a regra é simples: merecem destaque os filmes cuja história ganha vida graças ao guarda-roupa.

Emma (2020)

Desde o início, Emma tinha todos os trunfos do seu lado. Para começar, o filme dirigido por Autumn de Wilde vem adaptar a história de um dos livros mais conhecidos de Jane Austen. Depois, tem como protagonista a jovem promessa Anya Taylor-Joy. Mas a cereja no topo do bolo são os figurinos deste drama histórico, assinados por Alexandra Byrne. A figurinista britânica venceu um Óscar pelo seu trabalho em Elizabeth: The Golden Age (2007), e Emma colocou mais uma vez o seu nome na lista dos nomeados, embora desta vez não tenha saído vencedora.

 

O que faz deste guarda-roupa um pormenor a destacar é a perfeita conjugação entre peças adequadas à época da Regência britânica, mas que nem por isso se esbatem da nossa memória com facilidade. A peliça amarela que Taylor-Joy utiliza na capa de apresentação do filme é um dos melhores exemplos, mas quase todos os coordenados exibidos no grande ecrã são uma réplica de peças originais que podem ser encontradas em diversos museus de Inglaterra. Um verdadeiro must-watch.

Mulherzinhas (2019) 

Sob a pena de reavivar um dos debates mais acesos que marcaram a cerimónia dos Óscares de 2019, vamos fazer uma breve análise dos figurinos de Jacqueline Durran em Mulherzinhas. Comecemos pelo ponto mais consensual: não, os coordenados do filme de Greta Gerwig não seguem sempre uma linha concisa quanto à época temporal que se comprometem a retratar – isto é, a segunda metade do século XIX, em Massachusetts, nos Estados Unidos da América. Em entrevista à Vogue, Durran chegou mesmo a admitir que os coordenados foram criados com recurso a alguma “liberdade [criativa]”.

Agora, Mulherzinhas não terá vencido o Óscar de Melhor Figurino por nada. A paleta de cores que foi escolhida para caracterizar a personalidade de cada uma das irmãs, a adequação dos coordenados ao gosto do espectador moderno... Podem não haver bonnets (um dos acessórios de Moda mais populares da época retratada), mas nem sempre um guarda-roupa cinematográfico precisa de ser adequado historicamente para ser considerado bom – e Mulherzinhas é a prova disso.

Jackie (2016)

Em 2016, Jackie, de Pablo Larraín, perdeu o Óscar de Melhor Figurino para Monstros Fantásticos e Onde Encontrá-los (2016), ainda que o trabalho da figurinista francesa Madeline Fontaine tenha sido galardoado nos prémios BAFTA e Critics Choice Awards. Mas a verdade é que uma grande parte das cenas do filme consegue remeter de forma detalhada para as aparições de Jackie Kennedy no pequeno ecrã.

 

Desde o fato cor-de-rosa assinado por Chanel que Jackie estava a usar no dia em que o seu marido foi assassinado, até ao conjunto vermelho vestido pela primeira-dama numa tour à Casa Branca transmitida pela CBS em 1962, é de salientar as fortes semelhanças de guarda-roupa entre o filme e a vida real. E já que o estilo de Jackie Kennedy influenciou a indústria da Moda durante uma década inteira, seria difícil para o filme não o fazer.

Marie Antoinette (2006)

A obra cinematográfica de Sofia Coppola é uma delícia visual em todos os sentidos. Mais uma vez, estamos perante um filme que não reproduz de forma exata o seu período temporal, tanto na sua história de forma geral, como no seu guarda-roupa de forma particular, mas isso não impediu Milena Canonero de ver o seu trabalho celebrado com o Óscar de Melhor Figurino, em 2006.

Kirsten Dunst, que aqui interpreta o papel principal de Marie Antoinette, é vestida em coordenados pastel tão detalhados que nos apetece parar o filme sempre que um novo conjunto aparece no ecrã. Afinal, não queremos perder um único pormenor deste guarda-roupa. E no meio disto, alguém se lembrou de verificar a adequação histórica das silhuetas? Como diz Canonero: “Eu parto da fonte original e depois afasto-me – eu não sou uma professora. Sou uma figurinista.”

Elizabeth (1998)

Que esta menção sirva para destacar dois filmes de uma só vez. Primeiro, Elizabeth (1998) e, depois, Elizabeth: A Idade de Ouro (2007), com Shekhar Kapur na realização e Alexandra Byrne nos figurinos dos dois títulos. Embora aclamados de forma similar, apenas Elizabeth: A Idade de Ouro foi galardoado com o Óscar de Melhor Figurino, em 2007, enquanto que, em 1998, o prémio foi para Sandy Powell por A Paixão de Shakespeare (1998).

Tal como o seu trabalho em Emma, Byrne voltou a recorrer ao realismo para vestir Cate Blanchett, no papel de Elizabeth, com coordenados fiéis ao seu período histórico. Muitas das peças parecem ser reproduções detalhadas dos vestidos e acessórios que vemos pintados nos famosos retratos da Rainha, com destaque para o coordenado de coroação que aparece logo no primeiro filme de 1998. A única grande diferença passa pela paleta cromática adotada, já que a figurinista optou por peças coloridas ainda que Elizabeth preferisse, na realidade, tons mais sóbrios; contudo, esta divergência foi também essencial para que Blanchett se destacasse mais facilmente das restantes personagens do filme.

 

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