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Notícias 14. 5. 2019

O desfile da Victoria’s Secret como o conhecemos chegou ao fim

by Cátia Pereira Matos

 

Há quase duas décadas que o desfile anual da Victoria’s Secret é transmitido na televisão norte-americana, mas de agora em diante o cenário será outro e o desfile vai sofrer mudanças. O que vai acontecer aos anjos?


© Getty Images

Castings, provas de roupa, ensaios, showtime! Desde 1995 que a Victoria’s Secret realiza anualmente um desfile exuberante onde as modelos mais cobiçadas da indústria da Moda dão a conhecer as peças de lingerie da marca, mas só a partir de 2001 é que esses desfiles passaram a incluir performances musicais e a ser transmitidos na televisão norte-americana em horário nobre. Na primeiríssima emissão, 12,4 milhões de telespectadores ficaram colados ao canal ABC para assistir, ainda que do pequeno ecrã, àquele espetáculo onde as presenças de Gisele Bündchen, Alek Wek, Heidi Klum, Tyra Banks e Eva Herzigova, bem como as atuações de Mary J. Blidge e Andrea Bocelli, estavam garantidas. Foi o desfile da Victoria’s Secret mais visto de sempre.

Volvidos 18 anos, o desfile dos anjos, nos moldes em que o conhecemos, chega ao fim. “Decidimos repensar o tradicional desfile da Victoria's Secret”, escreveu Leslie Wexner, o homem à frente da L Brands (empresa detentora da marca de lingerie), num comunicado interno que dá conta de algumas mudanças estratégicas, entre as quais o término das emissões televisivas. “Para crescermos, devemos mudar e evoluir. No futuro, não acreditamos que a rede de televisão seja o meio mais acertado”, lê-se no memorando enviado aos trabalhadores da L Brands na passada sexta-feira, 10 de maio.

Ainda que não estejam especificados no comunicado, os motivos por detrás da interrupção das emissões televisivas daquele que é, certamente, um dos desfiles de Moda mais conhecidos em todo o mundo poderão estar relacionados com o declínio, anos após ano, do número dos telespectadores. Em 2018, as audiências do Victoria’s Secret Fashion Show foram as mais fracas de que há registo: apenas 3,3 milhões de pessoas viram o desfile através da ABC, um número que fica aquém dos quase 10 milhões de telespectadores, em 2013, e mesmo dos cinco milhões de telespectadores, em 2017.

O futuro da Victoria’s Secret

Sem emissões televisivas, continuará a Victoria’s Secret a realizar desfiles? Veremos os anjos pisar uma passerelle, sequer? Ainda não se conhecem as respostas às million dollar questions porque o memorando redigido por Leslie Wexner é parco em informação; o que se sabe, para já, é que a marca está a preparar “um novo tipo de evento” e está focada no “desenvolvimento de conteúdos entusiasmastes e dinâmicos.”

Estas mudanças surgem num momento em que a Victoria’s Secret atravessa grandes dificuldades. No início deste ano, a marca anunciou que iria encerrar 53 lojas nos Estados Unidos da América, depois de em 2018 ter fechado as portas de 30 pontos de venda. Até então, em média, a marca apenas encerrava cerca de 15 lojas por ano.

Efetivamente, os meses de 2018 foram bastante conturbados para a Victoria’s Secret. Além do encerramento de lojas físicas, a marca deparou-se com maus resultados financeiros, tanto que em novembro passado as ações da Victoria's Secret haviam caído 41%, segundo o New York Times. Pela mesma altura, a marca de lingerie esteve no centro de uma polémica, depois de o diretor de marketing da L Brands, Ed Razek, ter partilhado a sua opinião relativamente à presença de modelos transgénero nos sobejamente conhecidos desfiles. “Se penso na diversidade? Sim. Se a marca pensa na diversidade? Sim. Se oferecemos tamanhos grandes? Sim (...) Se devíamos ter transexuais no desfile? Não. Não, acho que não devíamos. Porquê? Porque o desfile é uma fantasia”, afirmou, em novembro passado, em entrevista à Vogue US. Apesar do pedido de desculpas, os comentários depreciativos de Razek colocaram a Victoria’s Secret debaixo de fogo e a marca foi severamente criticada.

À luz destes acontecimentos, os esforços da Victoria’s Secret para se manter relevante, estável e próspera podem ser em vão: num estudo de 2017 conduzido pela Wells Fargo, 60% dos inquiridos descreveram a marca como sendo “forçada” e “fake”. Ainda assim, a marca não vai (para já) baixar os braços.

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