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Pessoas 30. 8. 2018

Chiara Ferragni | Profissão: influencer

by Patrícia Domingues

 

“A roupa não significa nada até alguém a vestir”, disse Marc Jacobs – e Chiara Ferragni bem podia fazer copy+paste para a sua bio nas redes sociais. Empresária, eterna it girl, designer por conta própria e para a Intimissimi,
falámos com a mulher que fez dos likes um full-time job.

© Barwerd van der Plas/Intimissimi

Influencer, a palavra que provoca mais eye rolls por segundo, mas também, provavelmente, a job description mais bem paga do momento. Mas o que vem a ser isso de se ser influencer?

Achava que por esta altura já teríamos ultrapassado a questão. Resumidamente, os influencers são pessoas que exercem algum tipo de influência, mas influenciar pressupõe um destinatário e do outro lado da moeda estou eu, o leitor, o seu feed do Instagram ou o dos seus filhos. Porque nos sentimos ávidos de acumular nomes no nosso “a seguir” permanece um mistério que só, e mesmo assim talvez, as sociedades futuras virão a descobrir (juntamente com o fenómeno Kardashian, por favor). Mas hey, se não os podemos vencer, mais vale fazer like?

A parte mais estranha de tudo isto é que a maioria das reflexões sobre este tema (e os insights de Instagram das ditas influencers) parece inclinar-se sobre um gosto generalizado pela... normalidade. E quando me sento com Chiara Ferragni e ela está de jeans e T-shirt branca o meu primeiro pensamento é “ela é só uma rapariga normal” – o que fez com que a minha curiosidade aumentasse exponencialmente. 11 milhões de followers no Instagram parecem concordar comigo, muito embora a dita “normalidade” da sua vida termine no dress code escolhido para aquele dia. Desde que a 12 de outubro de 2009, com 21 anos, publicou o seu primeiro post no Blonde Salad (o blogue que batizou em consonância com o seu cabelo bastante loiro e pela salganhada de temas) já foi alvo de um estudo sobre influencers pela universidade de Harvard e em 2017 foi eleita Top Influencer de Moda pela Forbes.

“Oh, viste isso? Quando recebi o email a dizer que queriam que fosse a número 1 pensei ‘wow’ e depois fui contar a toda a gente, amigos, família. ‘Guys, é oficial, a Forbes está a dizê-lo’”, conta com a sua encantadora dose de normalidade e que não deve ser confundida com mais do que isso mesmo. “Acho que o que eu fiz foi trazer isto para um outro nível. Fui uma das primeiras a começar um blogue e a mostrar outfits, mas também a tentar ter outros papéis. Sempre tentei ser mais uma mulher de negócios do que uma blogger.” Na verdade, o seu blogue já nem sequer é um blogue, mas uma plataforma com uma equipa de 20 pessoas, e-commerce, uma agência de talentos (como o da irmã), já para não falar da sua marca de roupa e acessórios (presente em 350 lojas pelo mundo) ou das suas colaborações com outras marcas.

© Barwerd van der Plas/Intimissimi

“Sinto que sempre me tentei diferenciar e só aceitar projetos feitos à minha medida, do meu gosto e daquilo que queria fazer com a minha vida.” Para a primavera/verão de 2018, “aquilo que quer fazer com a vida” tem a ver com empowerment e com a Intimissimi. “Estamos a comunicar uma maneira de estar e um mindset que é muito importante para mim e que eu quero que faça sentido também para os meus followers”, diz sobre a campanha. Já em outubro do ano passado se juntou à marca italiana para criar o guarda-fatos do espetáculo no gelo, o Intimissimi On Ice, e o seu mote foi recriar a mulher que ela própria tenta representar “confiante, feminina e energética”, numa mistura de inspirações da Grécia antiga, com os anos 60, 90 e a moda contemporânea. “Foi sobre empoderamento feminino e fala pelo meu coração.”

Conversar com Chiara Ferragni e não lhe perguntar nada sobre o seu estilo é o mesmo que ir ao McDonald’s e pedir uma salada. Nem tem de ser de outra forma, afinal ela não ficou conhecida por apresentar um programa de TV ou por ter escrito um livro. Claro que o seu feed atual também inclui a sua cadela Matilda, o noivado com Fedez e algumas atualizações mensais sobre o tamanho do seu pequeno ravioli, mas vamos ser honestas, a sua maior atração continua a ser o seu armário (por que outra razão clicamos quase de forma automática em cima das suas fotos?). “Não há grandes segredos, visto-me de forma a sentir-me confiante. Tem muito mais a ver com detalhes e com a maneira como te mostras aos outros do que aquilo que vestes” – certo, mas se aquilo que vestirmos forem as botas da Balenciaga, que estão esgotadas em todo o lado, quanto é que isso faz pelo nossa autoconfiança? “Tentem estilos diferentes e tentem encontrar algo que vos faça sentirem-se a vossa melhor versão. Todas as raparigas são diferentes, algumas sentem-se confiantes com vestidos curtos e saltos, outras preferem jeans, querem ser mais casuais. Às vezes acho que o momento em que me sinto mais sexy é quando estou com jeans e T-shirt [o combo que descreve como o seu uniforme diário]. Tem a ver com atitude”, e com a luz certa, claro.

E ainda se entusiasma com as tendências? “Agora adoro os anos 80 e 90, a backpack, as fannypacks, os baggy blue jeans...” E às vezes não tem vontade de apagar todo o seu historial menos abonatório? “Olhando para trás há algumas coisas que não usaria exatamente da mesma forma mas não tenho arrependimentos. Estamos sempre a crescer, a Moda está sempre a mudar e algumas das tendências que de repente nos parecem horríveis acabam por voltar, e voltaria a usá-las.” O que falta conquistar a quem já parece ter conquistado boa parte do mundo? Uma campanha de beleza? Um programa de televisão? “Já estive em mais de 65 capas de revista e adoraria chegar às 100. Seria uma realização incrível. 2015 foi um dos meus melhores anos porque fiz a minha primeira capa da Vogue. Já sabia, mas então tive a confirmação que estava a fazer algo grande, esse foi o ano em que me deram crédito por isso. Aí disseram-me ‘ah, sim, estás a fazer algo muito cool’”.

*Artigo publicado originalmente na Vogue Portugal de março 2018.

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