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Compras 26. 10. 2020

Azul é o novo verde: os 12 produtos que são amigos do mar

by Sara Andrade

 

Se a green beauty já faz parte do vocabulário do seu dia a dia, prepare-se para acrescentar um novo Pantone ao espectro da Beleza que se quer sustentável e segura para o planeta.

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© Tim Flach | Vogue Portugal Blue issue

É a chamada blue beauty e não é uma substituta da sua familiar esverdeada, longe disso: partilha muitas das suas premissas ligadas à proteção ambiental e à diminuição da pegada ecológica, mas afunila o seu foco para o oceano e proteção da fauna e flora marinhas. Por isso, falar nesta “beleza azul” significa advogar todos os princípios associados à green beauty, ou seja, diminuição do desperdício, do consumo do plástico, da pegada ecológica, criação de produtos sustentáveis… Tudo isto ao mesmo tempo que o seu conteúdo permanece ocean-friendly, ou seja, sem ingredientes nocivos para os mares e seus habitantes.

Aqui, nesta vertente onde a beleza é mais azul, há uma manifesta preocupação das marcas que produzem estas propostas em fazer algo para (re)compensar o ambiente. A principal diferença entre o verde e o azul, nesta área, é que a blue beauty não é só sobre usar ingredientes de fontes sustentáveis, mas move-se, além disso, na atenção ao impacto que o seu packaging tem na vida marinha, o consumo de água na sua produção, tentando limitar ao máximo a sua influência na destruição dos oceanos. Os dois movimentos complementam-se, nunca se anulam, desempenhando um papel crucial, cada um à sua maneira, na luta contra as alterações climáticas e a proteção ambiental. 

De acordo com a organização World Wildlife Fund (WWF), cerca de oito milhões de toneladas de plásticos chegam aos oceanos anualmente e, apesar de já termos recusado os microplásticos nos esfoliantes, termos adotado discos de algodão reutilizáveis e termos substituído o mais possível as opções embaladas por versões package free (olá, champô sólido!), há ainda um longo caminho a percorrer na preservação da secção azul do nosso planeta. Por exemplo, os ingredientes dos nossos itens de beleza podem ser não-tóxicos para a nossa pele, mas nocivos para a vida marinha, nomeadamente corais, onde acabam por desaguar com as nossas lavagens e em resquícios dentro das embalagens que chegam ao mar naqueles oito milhões de toneladas de plásticos que prometem suplantar a população de peixes até 2050, se nada fizermos para o contrariar.

Para interromper o ciclo, é preciso fechar o círculo de consumo – do indivíduo às grandes organizações. Seja reutilizando embalagens em casa, preferindo refills ou renunciando às embalagens descartáveis enquanto consumidores; seja no esforço por parte das empresas em minimizar o seu impacto – já há marcas com o selo PCR (post consumer plastics), simbolizando que só utilizam plástico reciclado nas suas embalagens –, através da sustentabilidade na produção e na escolha/recusa de ingredientes, tanto quanto na promoção de projetos e iniciativas que protegem os oceanos. A Caudalie baniu os ingredientes nocivos para os corais das suas fórmulas de proteção solar, a REN quer ser zero waste até 2021, reciclando apenas plástico retirado dos oceanos nas suas embalagens, e a Kevin Murphy ajudou a que cerca de 360 toneladas de plástico não acabassem nos oceanos, convertendo totalmente as suas embalagens em “plástico reclamado dos oceanos” – OWP, ou seja, ocean waste plastic – tornando-se a primeira marca de beleza a fazê-lo. E estes são apenas alguns exemplos a seguir. 

O movimento blue beauty começou inadvertidamente através do Project Blue Beauty, preconizado por Jeannie Jarnot, fundadora da plataforma Beauty Heroes, num esforço para criar um planeta melhor, um que faça jus ao seu nome de planeta azul. O conceito pegou e tornou-se um segmento da green beauty. Agora, cabe ao mundo dar-lhe continuidade, começando nas escolhas mais conscientes: seja em termos de packaging, seja em termos de ingredientes, seja até em termos das iniciativas levadas a cabo por cada marca para proteger os oceanos. Há mar e mar, há ir e voltar a usar, a reciclar, a proteger. Como esta seleção de produtos azuis na filosofia, mesmo que não o sejam na cor. 

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