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Armani, Annie Hall e um guarda-roupa vintage: uma antevisão exclusiva de O Diabo Veste Prada 2

02 Feb 2026
By Anna Cafolla

Meryl Streep como Miranda Priestly e Anne Hathaway como Andie Sachs em O Diabo Veste Prada 2. Fotografia: Macall Polay. © 2026 20th Century Studios. All Rights Reserved.

Antes da estreia da sequela em maio, apresentamos um primeiro olhar exclusivo sobre o que se passa na revista Runway 20 anos após o lançamento do primeiro filme.

No set de O Diabo Veste Prada 2, Anne Hathaway achava que estava a fazer um bom trabalho no que toca a manter a calma. Mesmo após um intervalo de 20 anos em que o filme se tornou tão profundamente enraizado na cultura pop que apenas uma frase de quatro palavras (“Florais, para a primavera...”) é capaz de transportar qualquer um de volta à revista Runway – e apesar das centenas, senão milhares, de fãs armados com smartphones e paparazzi com longas lentes que se reuniram na Sixth Avenue para assistir às filmagens. 

Porém, chegou a altura do teste de câmara.

“Ouvi no rádio: "Miranda Priestly está a andar"”, diz Hathaway, numa conversa com a Vogue no set do seu próximo filme, em Budapeste. “Meryl, como Miranda, tinha começado a caminhar pelo corredor à minha frente – eu estava talvez a 15 metros dela – e vê-la de costas foi praticamente psicadélico. Senti tantos portais a abrirem-se naquele momento. Foi como se tivesse 22 anos novamente, mas ainda era o presente. Felizmente, dessa vez, ela não ficou em personagem o tempo todo, então rimos bastante”.

As filmagens de O Diabo Veste Prada 2 terminaram no verão passado. A sequela, muito aguardada, do filme de 2006 volta a contar com Hathaway no papel de Andy Sachs, uma jovem repórter ambiciosa que – contratada como segunda assistente de Miranda Priestly, a lendária (e temida) diretora da revista Runway – se debate com até que ponto está disposta a comprometer a sua vida, identidade e valores em nome do trabalho.

Novamente realizado por David Frankel, O Diabo Veste Prada 2 acompanha o regresso de Andy à Runway, enquanto Miranda tenta navegar o perigoso novo panorama dos media – e a posição cada vez mais frágil das revistas dentro desse ecossistema. Pelo caminho, reencontra outra antiga assistente, Emily (Emily Blunt), agora à frente de uma marca de luxo e detentora das chaves para o capital comercial que poderá ditar a sobrevivência da Runway.

Anne Hathaway como Andie Sachs.
Macall Polay. © 2026 20th Century Studios. All Rights Reserved.

Muitos membros do elenco e da equipa técnica originais regressaram – muito felizes por fazê-lo – incluindo Emily Blunt e Stanley Tucci (que interpreta novamente o papel do elegante e sábio Nigel Kipling). “Todos os que estavam fisicamente aptos para regressar e fazer parte do segundo filme regressaram, por isso começámos com um conhecimento e uma admiração profundos pelos últimos 20 anos e por aquilo em que o filme se tornou”, afirma Hathaway. “Alguém novo no elenco descreveu-o como "um Natal gay"”.

Aqui, antes da estreia do filme a 1 de maio nos Estados Unidos, apresentamos um primeiro olhar exclusivo sobre o que se passa novamente na Runway. Vemos Miranda à sua secretária, de óculos statement e blazer de ombros estruturados (uma tarde inteira de provas foi dedicada a procurar e ajustar o par perfeito de óculos à la Priestly); Emily, de olhos bem abertos e cabelo ruivo em corte bob, prestes a dizer algo devastadoramente mordaz; Nigel, com um fato impecável, e Miranda rodeada de Alta-Costura, a marcar presença na sua própria versão do Met Ball; e Andy a invadir, uma vez mais, o guarda-roupa da Runway.

Meryl Streep como Miranda Priestly.
Macall Polay. © 2026 20th Century Studios. All Rights Reserved.

“Foi como ir ao fundo do nosso próprio armário, encontrar algo e pensar: "Oh, será que isto ainda me serve?"”, diz Meryl Streep.

“Foi muito como voltar a casa, sobretudo porque o Stanley Tucci é agora… literalmente a minha casa. É incrível aquilo que este filme nos trouxe a todos”, diz Blunt. (Depois de se terem conhecido no set, Blunt apresentou Tucci à sua irmã, Felicity, com quem o ator se casou em 2012.) “Esta personagem parece ser a luva que me assenta talvez até demasiado bem. Ela é um bocado louca. Talvez devesse questionar-me sobre isso: porque é que me parece tão fácil voltar a ser ela”.

A história de Emily e Andy é “a história de amor mais pouco convencional” que alguma vez interpretou, continua Blunt. “Há algo de absolutamente delicioso numa personagem sem limites, e a Annie é uma excelente parceira de cena. Senti uma grande liberdade ao voltar a ser a Emily”.

“O Nigel deve ter estado sempre escondido dentro de mim”, acrescenta Tucci. “Havia muito de Nigel em mim e, por isso, foi só deixá-lo voltar a sair. Mas, sobretudo neste filme, os figurinos são absolutamente essenciais para a personagem”.

Emily Blunt como Emily Charlton.
Macall Polay. © 2026 20th Century Studios. All Rights Reserved.

De facto, a Moda continua a ser a raison d’être do filme; é através dela que o poder se exerce e as agendas se afirmam. A figurinista Molly Rogers – que trabalhou em And Just Like That… e no primeiro O Diabo Veste Prada, sob a orientação de Patricia Field – estabeleceu desde logo uma regra para si e para a sua equipa: “Nada de carteiras Pigeon”. A longevidade era uma das suas grandes preocupações, assim como evitar a velocidade vertiginosa das tendências que poderia rapidamente datar o filme.

“É muito natural, para mim e para a minha equipa, acrescentarmos aqui e ali um pequeno toque nosso, mas eu queria que tudo fosse fluido e intemporal”, diz Rogers à Vogue. “Temos um roteiro muito sólido – adoro o guarda-roupa do primeiro filme porque é intemporal. Não se olha para as roupas e se pensa "look 14", ou algo do género. Quis fazer o mesmo, garantindo ao mesmo tempo que a roupa tivesse um alcance amplo”.

Houve também contributos dos próprios atores a ter em conta. Streep queria ombreiras – e, numa fase inicial, esperava manter-se fiel às calças (a descoberta de algumas saias Dior fabulosas acabou por deitar o plano por terra) – enquanto Hathaway queria que os seus figurinos refletissem os anos de Andy como repórter nómada. “Tudo aquilo que os atores sentem que informa o meu trabalho é tido em conta”, diz Rogers.

Streep, descobriu Rogers, foi particularmente generosa no tempo dedicado às provas. “Podíamos deixar as coisas assentar – por exemplo, perguntar se este casaco da Schiaparelli era o momento certo. A Meryl também trocou dois figurinos no filme, e foi a decisão acertada”.

“Como alguém que ocupa o mesmo cargo há 20 anos, [Miranda] manteve a sua imagem, mas adaptou-a, tal como todos nós fazemos ao longo do tempo”, diz Streep sobre o seu styling. “Mas quase fiquei com PTSD de usar saltos altos durante 16 semanas. Sinto que devia receber a Medalha da Liberdade!”

Rogers procurou também apostar em “roupa mais feliz… para o mundo em que vivemos agora”. Isso traduz-se num look branco fluido de Phoebe Philo e num vestido azul cintilante da Rabanne para um encontro romântico de Andy, em Lanvin em tons de joia para Miranda, e em Alta-Costura escultural e de arquivo de Gaultier para a recém-chegada Simone Ashley.

Stanley Tucci como Nigel Kipling e Anne Hathaway como Andie Sachs.
Macall Polay. © 2026 20th Century Studios. All Rights Reserved.

Para as cenas da Met Gala, Rogers e Streep pensaram em silhuetas clássicas, ao estilo de Audrey Hepburn. Com o tempo, acabaram por optar por um vestido custom Balenciaga – agora sob a direção de Pierpaolo Piccioli – inspirado num vestido de cocktail de arquivo que constava no moodboard de Rogers.

A Dior de Jonathan Anderson foi uma recém (e bem-vinda) adição: Rogers viu a coleção de primavera de 2026 antes de chegar à passerelle e escolheu fatos, peças e acessórios para Blunt e Streep.

Meryl Streep como Miranda Priestly e Stanley Tucci como Nigel Kipling.
Macall Polay. © 2026 20th Century Studios. All Rights Reserved.

Os looks de Andy tinham uma abordagem mais próxima do menswear: um fato de alfaiataria da Ulla Johnson com gravata, uma saia caqui plissada da Sacai, um colete da Gabriela Hearst. “Vemo-la regressar à Runway depois do trabalho como repórter e a tentar reencontrar-se, tanto a nível profissional como emocional”, diz Rogers. “Distinguimo-la das mulheres de saltos a bater no chão com menswear, apontamentos vintage e um estilo nova-iorquino cheio de carácter”. Numa das imagens, Hathaway usa um fato vintage de três peças às riscas, da Jean Paul Gaultier. (“Baseámos grande parte do guarda-roupa dela em Annie Hall”, observa Rogers.) Quando volta a ter acesso ao guarda-roupa da Runway, há mais Gabriela Hearst e “a camisa de verão perfeita”, da TWP. (“Era usada repetidamente.”) Além disso, Rogers continuou a encontrar casacos Armani em várias lojas vintage, “com o peso e a atitude perfeitos para a Annie”.

O cabelo e a maquilhagem do filme também foram repensados para a atualidade. “Não estão tão trabalhados como no primeiro filme, que era muito "modelesco" e fashion forward”, diz Sean Flanigan, responsável pelo departamento de cabelo. “Há uma sensação muito mais solta e descontraída”.

De facto, Streep descreve o seu glam como “mais sleek, elegante e limpo”. (Agora com 82 anos, J. Roy Helland, o seu colaborador de longa data em cabelo e maquilhagem, não pôde trabalhar diretamente na sequela, mas supervisionou a visão geral.) Mas a Emily, claro, tinha de ter aquele bob direito. “Basta um relance e as pessoas sabem que é ela”, diz Blunt. “Mas era uma peruca – aquele tom de vermelho é demasiado difícil de manter!”

“A minha maior prioridade foi usar produtos que fossem fiéis ao momento em que estamos agora, recorrendo a produtos limpos para criar uma pele luminosa”, afirma Nicki Ledermann, diretora do departamento de maquilhagem e maquilhadora pessoal de Anne Hathaway, que também trabalhou no primeiro filme. “Não há um ideal de beleza ao estilo do Instagram, mas também não é algo padronizado ou feito em série”.

“São mulheres maduras agora, e quis mesmo evitar que parecessem ter vinte e poucos anos”, acrescenta Ledermann. “Não há nada mais bonito do que um rosto com marcas de vida. O cuidado com a pele veio em primeiro lugar, e usámos muito protetor solar porque filmámos no verão”.

Anne Hathaway como Andie Sachs, Meryl Streep como Miranda Priestly e Stanley Tucci como Nigel Kipling.
Macall Polay. © 2026 20th Century Studios. All Rights Reserved.

Os visuais influenciaram ativamente a história de Andy. “Transformei isso num verdadeiro ponto de narrativa no filme – tínhamos de explicar como é que alguém que trabalha como escritora nos dias de hoje podia ter um guarda-roupa fabuloso”, diz Hathaway. “Sugeri que a Andy tivesse passado a fazer jornalismo de investigação, e viajado pelo mundo durante 15 anos… e, quando se tem uma formação num sítio como a Runway, sabe-se exatamente o que fazer quando se entra numa loja vintage ou em segunda mão. Por isso, ela anda a fazer compras em segunda mão há mais de 20 anos. E depois há também o regresso do momento mágico do armário com o Nigel”.

Hathaway também inventou uma história para explicar porque é que Andy usa um conjunto elegante de pérolas e um relógio de luxo: sempre engenhosa, Andy mandou fazer réplicas. A t-shirt de Phoebe Philo com corte de alfaiataria e as calças de ganga de perna larga foram as suas peças favoritas – isto sem falar no figurino que “fez a equipa aplaudir”, brinca.

Cada membro do elenco sentiu de forma diferente as multidões intensas que se juntavam todos os dias. “Toda esta atenção e obsessão com o consumo rápido do filme, ainda antes de ele estrear… de muitas maneiras, isto é emblemático da forma como a nossa indústria e as nossas vidas mudaram”, afirma Blunt. “Começámos a ir para o plateau de filmagens de fato de treino e só os trocávamos à última da hora, numa tentativa de preservar a magia”.

“Foi jubiloso – quando saí pela primeira vez para a Sixth Avenue, onde filmámos há 20 anos e ninguém ligava nenhuma”, diz Streep. “Troquei de roupa, saí do meu camarim e ouvi aquele barulho! Quando filmámos o Met Ball falso, foi ainda mais louco. As pessoas estavam vestidas como a Miranda! Sinceramente, deixou-me completamente desnorteada”.

O fandom e a forma como consumimos cultura pop mudaram para lá de qualquer reconhecimento desde 2006. Sim, há a histeria nas ruas e os paparazzi ávidos por spoilers, mas também surgiram novas oportunidades de celebração com algo como O Diabo Veste Prada 2. “Espero que toda a gente se vista a rigor e vá ao cinema”, diz Hathaway. “Espero que as pessoas se lembrem de como se divertiram a vestir-se de cor de rosa para ir ver Barbie. Espero que toda a gente vista o seu outfit favorito aprovado por Miranda Priestly e simplesmente se divirta à grande”.

Traduzido do original, disponível aqui.

Anna Cafolla By Anna Cafolla

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