Moda  

8 livros (de tudo menos Moda) para expandir e transformar a forma como se pensa em Moda

10 Jul 2026
By Carolina Nunes

Pensar fora da caixa é, por norma, uma qualidade em qualquer criativo. Mas retire-se a "caixa" e o "fora" da equação, e o número de possibilidades torna-se ainda maior. Eis 8 livros para aplicar essa filosofia à Moda.

Por vezes, a melhor forma de expandir o conhecimento num tema passa por pensar em tudo menos nesse tema. Com uma panóplia vasta de referências, é assim que se cria uma combinação única da forma como se olha para a indústria da Moda (e para tudo o resto). Por isso, entre economia, sociologia e história, eis os livros que aconselhamos para quem quer construir pensamento crítico e alargar horizontes.

"Beginning Theory: An Introduction to Literary and Cultural Theory", de Peter Barry

Beginning Theory: An Introduction to Literary and Cultural Theory, de Peter Barry

Uma ótima forma de dar os primeiros passos no mundo do pensamento crítico, neste livro, Peter Barry mantém um tom de imparcialidade durante toda a obra, procurando ajudar o leitor a desenvolver os seus próprios conceitos e pontos de vista. Com uma abordagem de 360 graus do conceito de "Teoria", desde de como foi primeiro estudada e tudo o que lhe antecedeu até às suas própria ideias, Beginning Theory é um guia prático sobre o universo do pensamento.

"Curating Capitalism: How Art Impacts Business, Management, and Economy", de Pierre Guillet de Monthoux

Curating Capitalism: How Art Impacts Business, Management, and Economy, de Pierre Guillet de Monthoux

Embora "Arte pela Arte" seja um ótimo lema de vida, nos tempos modernos, a Arte torna-se, muitas vezes, um meio para atingir um fim — fim este que está enraizado na nossa sociedade capitalista. Um deep dive sobre como navegar por este paralelismo, e introduzindo referências de diversos pensadores e curadores, Curating Capitalism tem como tese a declaração ART=CAPITAL de Joseph Beuys, assim como a visão capitalista do negócio da Arte de Andy Warhol.


"Realismo Capitalista. Não haverá alternativa?", de Mark Fisher

Realismo Capitalista. Não haverá alternativa?, de Mark Fisher

O capitalismo é, inevitavelmente um tema bastante presente na nossa sociedade, por isso, Mark Fisher também apresenta um livro sobre o tópico. Ainda assim, Realismo Capitalista. Não haverá alternativa? apresenta uma visão mais abrangente da que nos situamos. Com uma leitura fácil que recorre a exemplos do quotidiano, mas sem comprometer a seriedade de uma obra mais teórica, este é um livro capaz de fazer um diagnóstico do estado da cultura, educação e saúde mental.

"With Her Own Hands: Women Weaving Their Own Stories", de Nicole Nehrig

With Her Own Hands: Women Weaving Their Own Stories, de Nicole Nehrig

Uma obra sobre como, ao longo de toda a história, coser, tricotar e bordar foram tarefas domésticas e da responsabilidade da mulher — tendo-se tornado uma ferramenta para que encontrassem a sua voz. Ao longo das páginas, descobrimos como, com uma agulha e um fio, as mulheres contam as suas histórias e partilham as suas tradições. Navegando o que significa ser mulher numa sociedade que as deixa sem poder de execução, este livro celebra a resiliência intrínseca ao sexo feminino.


"A Distinção. Uma Crítica Social da Faculdade de Juízo", de Pierre Bourdieu

A Distinção. Uma Crítica Social da Faculdade de Juízo, de Pierre Bourdieu

O que difere o bom do mau gosto? E quem o decide? Se gostos não se discutem, então porque é que nos achamos moralmente superiores quando julgamos o gosto dos outros? Sob esse mote, A Distinção é um livro que disseca como o classicismo é a base da forma como percepcionamos o outro. Pierre Bourdieu, uma das principais referências da sociologia, convida-nos a perceber que nenhum destes julgamentos é inocente: como o que somos e aprendemos se torna uma moeda, que, por sua vez, compra prestígio social e poder.  

"Modos de Ver", de John Berger

Modos de Ver, de John Berger

Ter pensamento crítico e um ponto de vista foi, é, e sempre será importante — mas é fulcral ter uma base e um porquê. Através de um curto livro que recorre maioritariamente a imagens como exemplos, assim como ensaios sobre os mais variados temas, John Berger convida-nos a não só a olhar mas a ver; não só a ver como a percepcionar; não só a percecionar como a internalizar. Tudo com um ligeiro tom de provocação que vai além do que está à nossa frente.

"Tudo, a Toda a Hora, em Todo o Lado. Como nos tornamos pós modernos, All the Time, Everywhere: How We Became Postmodern", de Stuart Jeffries

Tudo, a Toda a Hora, em Todo o Lado. Como nos tornamos pós modernos, All the Time, Everywhere: How We Became Postmodern, de Stuart Jeffries

Com uma mudança cultural paralela a uma economia neoliberal na década de 1970, esta obra analisa como os dois estão mais ligados do que parece. A subjetividade do movimento sentiu-se na Arte, cultura e filosofia, rejeitando muito da rigidez e linearidade do modernismo, e abrindo portas a uma economia mais aberta — que, por sua vez, deu azo a uma sociedade que se transformou num monstro consumidor.  

"All The Beauty in The World", de Patrick Bringley

All The Beauty in The World, de Patrick Bringley

Uma história sobre um trabalhador do The New Yorker que, confrontado com a realidade do seu irmão ser diagnosticado com cancro, decide abandonar o seu trabalho à procura de conforto no sitio mais bonito que conhecia: o Metropolitan Museum of Art. Uma memoir que explora como a Arte e a Cultura podem ser um ponto de refúgio, introspecção e de conexão com o outro, tanto com o presente como do passado.  

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