Dana Panina fotografada por Frederico Martins, com realização de Larissa Marinho, para o The Nonsense Issue da Vogue Portugal, publicado em julho de 2021.
Ler à beira-mar é um ritual de verão: a pele bronzeada, as páginas acidentalmente com gotas de água e o tempo que se dilata em cada capítulo. Eis 7 livros para ler na toalha de praia.
Há livros que só fazem sentido lidos na areia com o som das ondas a bater na areia de fundo. O verão pede leituras que se podem interromper por um mergulho ou por um gelado, histórias que cabem no saco de praia tão bem como uns óculos de sol ou um protetor solar. Esta seleção percorre vários estados de espírito: do romance que nos faz suspirar ao thriller que nos faz questionar cada parágrafo que se lê. Sejam dias inteiros de leitura ou páginas marcadas por cada onda, trazemos uma lista para acompanhar até os menos ávidos leitores neste verão.
"Atmosfera", de Taylor Jenkins Reid

Há amores que não cabem em terra firme. Joan Godwin, professora de astrofísica, entra num programa de treino para se tornar astronauta e descobre, algures entre simulações e o silêncio do espaço, uma paixão que a obriga a questionar o seu lugar no universo — e o de quem a ama. Um romance sobre como certos sentimentos só se compreendem quando são olhados de longe.
"My Body", de Emily Ratajkowski

Quem nunca se interrogou sobre o que significa estar num corpo que o mundo insiste em ler antes de o deixar falar? Emily Ratajkowski aborda com uma honestidade que nem sempre é confortável a realidade do que é ser mulher; de ser vista, ser modelo, e ser, ainda assim, mais do que tudo isso. Um livro que é também uma despedida de todas as versões de si que lhe foram impostas.
"Famesick", de Lena Dunham

Antes de entrar para o mundo da televisão, Lena Dunham sonhava, como tantas meninas da sua geração, com o brilho da fama. Famesick é o regresso a essa febre de infância — e a confissão, feita do outro lado do espelho, de que o desejo e a doença partilham por vezes o mesmo nome. Uma memória escrita com a distância de quem sobreviveu ao próprio sonho.
"Bonjour Tristesse", de Françoise Sagan

Há verões que se fecham como feridas e outros que se abrem como confissões. Na riviera francesa, Cécile observa o pai apaixonar-se e decide, com a crueldade despreocupada da juventude, reescrever o destino alheio — sem saber que também reescreve o seu. Um romance que explora como uma adolescente compreende o que está à sua volta.
"Filha da Louca", de Maria Francisca Gama

Como se chega a conhecer uma mãe depois de ela partir? Órfã de mãe e, mais tarde, de pai, Matilde vai desenterrando, em silêncio, a mulher que existiu para além da loucura que lhe atribuíram. Um romance sobre o luto como forma de conhecimento — e sobre tudo aquilo que só se entende depois de já não haver a quem perguntar.
"Nunca Mintas", de Freida McFadden

Nem todas as casas guardam memórias felizes. Presos por uma tempestade de neve na mansão de uma psiquiatra desaparecida há 4 anos, Tricia e Ethan encontram uma sala com diversas cassetes com confissões de pacientes que nunca souberam que estavam a ser gravados. Um thriller que faz da escuta um ato indecente, que nos faz duvidar de todos os momentos e da verdade que chega sempre tarde demais.
"Um de Nós Deve Lembrar-se", de João Pedro Marques

Há uma Lisboa que só existe na memória de quem a viveu, antes dela própria saber o que estava prestes a perder. No Restelo do final dos anos 60, um grupo de amigos vive os últimos dias despreocupados de uma juventude que a guerra colonial já espreita à distância. Um livro que aborda o romance e a memória, mais do que a nostalgia, e é um retrato de tudo o que se perde quando se cresce depressa demais.
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