Palavra da Vogue  

Vogue Book Club: "Taiwan Travelogue" de Yáng Shuāng-zǐ

04 Sep 2026
By Vogue Portugal

Para a leitura deste mês do Vogue Book Club, a escolha foi "Taiwan Travelogue", de Yáng Shuāng-zǐ.

Taiwan Travelogue é uma obra da autora Yáng Shuāng-zǐ; venceu o Golden Tripod Award, a maior honra literária de Taiwan, e a sua tradução para inglês, assinada por Lin King, venceu o International Booker Prize 2026, tornando-se o primeiro livro traduzido do mandarim a receber o prémio. Apresentado como a tradução das memórias de uma escritora japonesa que, em 1938, viaja por Taiwan durante a ocupação japonesa, o livro acompanha a relação entre esta autora e a sua intérprete taiwanesa, Chizuko. Entre paisagens, comida local e encontros que atravessam a ilha, revela-se uma dinâmica entre ambas marcada por desigualdades de poder, silêncios e mal-entendidos culturais. Com um jogo narrativo entre ficção, tradução e memória histórica, o livro questiona quem tem o direito de contar a história de um povo colonizado — e o que se perde, ou distorce, nesse processo.


Rita Petrone, Editora Online

Taiwan Travelogue foi uma leitura completamente diferente de todas as minhas experiências literárias prévias. Quando o livro foi nomeado para o International Booker Prize 2026 – prémio que acabou por ganhar –, o meu interesse foi imediatamente despoletado. A premissa cativou-me desde início: uma tradução de uma obra que, por si só, já se apresenta como uma tradução das memórias de uma escritora japonesa, enquanto viaja por Taiwan durante 1938, em plena ocupação japonesa. Senti que era uma abordagem experimental e incrivelmente ousada, mas com o potencial de ser uma obra inteligente e educacional acerca de um período sobre o qual, admito, não ter conhecimento profundo. E foi precisamente esse interesse que me fez pegar no livro e aguentar até ao fim. Olho para a experiência de ler Taiwan Travelogue como uma sanduíche literária: a introdução, as notas de rodapé e as notas de tradução fictícias foram, sem sombra de dúvidas, a melhor parte do livro. Já a narrativa em si não me conquistou; senti as viagens por Taiwan apáticas e a dinâmica entre as personagens deixou-me desconfortável pelas desigualdades de poder que, durante demasiado tempo, não foram assinaladas na página, apesar de propositadamente. No final, gostei do livro como experiência objetiva em termos de tradução e linguística, sendo que gostaria apenas que a narrativa na qual esta inovação se baseia me tivesse cativado mais. 

Mariana Pimenta, Editora de Moda LightHouse Publishing

Escondido entre descrições gastronómicas lindamente escritas e uma amizade um pouco constrangedora, o tema principal de Taiwan Travelogue é a ocupação japonesa que dominou Taiwan até 1945. A protagonista, Aoyama Chizuko, uma autora japonesa, decide viajar para Taiwan (com todas as despesas pagas) para promover um filme baseado no seu livro. Enquanto está na ilha, conhece Ō Chizuru, uma habitante local, que será a sua tradutora durante a viagem. As duas mulheres iniciam uma amizade que mais tarde se transforma num romance, que, na minha opinião, é muito unilateral. Entre as duas mulheres há uma profunda diferença colonial. Chizuko, embora com boas intenções, não se apercebe de como a sua posição privilegiada molda a submissão forçada de Chizuru. Durante o livro, Chizuko projeta várias vezes os seus sentimentos em Chizuru, recebendo sempre a mesma resposta dela mas com esperança de que isso mudasse. Mostrando uma vez mais o profundo desequilíbrio de poder entre as duas personagens. Além disso, as descrições da comida foram ótimas. Apeteceu-me experimentar toda a gastronomia local que Chizuru descreveu. Mas, no todo, ficou aquém das expectativas. Esperava que a história fosse mais interessante.

Inaya Mussa, Colaboradora

Um dos livros que mais queria ler, sobretudo por ter sido o vencedor do Booker Prize de 2026, Taiwan Travelogue chegou às minhas mãos com bastantes expectativas. Depois de um início algo lento da minha parte, estive sempre à espera de que o livro ganhasse um ritmo diferente e me conseguisse prender mais. Esse momento, porém, nunca chegou. É certo que o livro se revela uma viagem bastante interessante por um país cuja história conhecia muito pouco. Além disso, os aprofundamentos na gastronomia são extraordinários e são, sem dúvida, um dos pontos mais fortes da obra. Já personagem principal, Aoyama Chizuko, torna-se interessante de acompanhar à medida que permanece alheia ao seu próprio pensamento e comportamento e à forma como estes afetam as pessoas nativas à sua volta – nomeadamente na sua tradutora e companheira de viagem, Chizuru. Considero que, embora seja um livro importante para conhecer melhor uma cultura e um legado que, pelo menos no meu caso, eram pouco explorados, não foi uma leitura que tenha sentido necessidade de devorar. Em vários momentos, não me conseguiu prender da forma que esperava e, por isso, acabou por ficar um pouco aquém das expectativas que tinha criado.

Leitura do próximo mês

Famesick: A Memoir, de Lena Dunham

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