Para a leitura deste mês do Vogue Book Club, a escolha foi "Para Onde Vão os Guarda-Chuvas", de Afonso Cruz.
Passado num Oriente fictício, algures entre o passado que imaginamos e o presente que julgamos conhecer, Para Onde Vão os Guarda-Chuvas, de Afonso Cruz, segue Fazal Elahi, dono de uma fábrica de tapetes que sonha ser invisível, e a família e amigos que o rodeiam: a mulher Bibi, que só quer viver como uma americana; a irmã Aminah, apaixonada pelo homem errado; e o primo mudo Badini, capaz de dizer tudo apenas com as mãos. À medida que as suas histórias se cruzam, o livro atravessa, com um tom quase de fábula, temas como a guerra, a religião e a intolerância. No centro de tudo está a pergunta que dá título ao livro: para onde vão as coisas — e as pessoas — que perdemos e nunca mais encontramos?
Sofia Lucas, Diretora
Uma das ideias que mais me marcou em Para Onde Vão os Guarda-Chuvas foi a forma como Afonso Cruz dá corpo às emoções, quase como se estas pudessem ser impressas, guardadas e partilhadas. Essa dimensão de realismo mágico atravessa toda a narrativa e transforma sentimentos abstratos, e o absurdo, em algo tão palpável quanto poético, tornando a leitura profundamente envolvente. Fiquei também fascinada pelo mergulho numa cultura diferente, retratada com enorme sensibilidade. Afonso Cruz conduz-nos por um universo distante sem nunca perder a proximidade humana, mostrando-nos personagens e histórias marcadas pela dor, mas também por uma beleza serena. Há uma melancolia constante no livro, mas é precisamente essa tristeza, escrita de forma tão poética, que torna a experiência de leitura inesquecível. Um livro que me fez parar para pensar e sentir, e que continuou comigo muito depois da última página.
Carolina Nunes, Editora de Moda Online
Afonso Cruz tem o dom de nos transportar para uma realidade que, embora distante, nos parece tão familiar. Deparei-me com o caso mais grave de “não conseguir pousar um livro” da minha vida, bem como o acabei com muita emoção à flor da pele: chorei com a forma como o livro conclui e chorei com o facto de o ter concluído. Com histórias que se entrelaçam como teia e trama – onde todas as suas personagens têm algum tipo de traço que embora pareçam descabidos, fazem sentido naquela realidade – vai tecendo variadas metáforas e paralelismos que nos fazem olhar para a escrita e para a vida de forma singular. Num romance que retrata assuntos como a morte e a perda de forma críptica mas simples, profunda mas com uma pitada de humor, Afonso Cruz é mestre em tornar o oposto em sinónimo, sendo que Para Onde Vão os Guarda-Chuvas é, para mim, é um livro de poesia em prosa.
Mariana Pimenta, Editora de Moda LightHouse Publishing
Para Onde Vão os Guarda-Chuvas foi uma leitura completamente diferente de tudo o que já tinha lido. É um livro muito metafórico, em que quase todos os acontecimentos e as personagens parecem ter um significado para além da história em si. Isso tornou a leitura desafiante, mas também muito interessante. A história é poética, embora inclua alguns detalhes que podem parecer um pouco grotescos. Os capítulos são muito curtos, o que torna a leitura dinâmica, e o próprio layout é bastante abstrato, e acompanha o estilo criativo e pouco convencional da narrativa. Foi esse contraste entre o bonito e o estranho que, na minha opinião, acabou por tornar o livro memorável. No geral, achei que é um livro único. Nunca tinha lido nada assim. Não é uma obra linear nem fácil de interpretar, mas está repleta de simbolismo e imaginação, tornando-a uma leitura que vale a pena.
Rita Petrone, Editora Online
Para Onde Vão os Guarda-Chuvas é daqueles livros que só ganham forma quando chegamos ao fim. Afonso Cruz junta várias personagens num Oriente inventado e vai cruzando as suas histórias até tudo fazer sentido. É um livro sobre perda: de pessoas, de infância, de tudo aquilo que desaparece sem explicação, tal como os guarda-chuvas do título. A escrita é acessível, mas isso não a torna menos pesada. Não é uma leitura rápida nem confortável, e admito que senti alguma dificuldade em apegar-me à história. Ainda assim, o livro foi a minha introdução à obra de Afonso Cruz e, por isso mesmo, fiquei com vontade de explorar outras vertentes da sua escrita.
Leitura do próximo mês

Taiwan Travelogue, de Yang Shuang-zi
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