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Ugly Christmas Sweater: uma ode aos anos 80 e o eleito kitsch must-have

23 Dec 2020
By Mathilde Misciagna

Só há uma regra quando se trata de camisolas com motivos festivos e a receita para o sucesso é simples: go big or go home.

Só há uma regra quando se trata de camisolas com motivos festivos e a receita para o sucesso é simples: go big or go home.

National Lampoon’s Christmas Vacation, Instagram @vcr.time.travel
National Lampoon’s Christmas Vacation, Instagram @vcr.time.travel

Nas últimas décadas a cultura popular desenvolveu uma obsessão com o conceito de nostalgia, o que significa que o nosso gosto a nível de alfaiataria se sobrepõe em alguns pontos ao dos nossos avós. Mas quando e como é que se tornou aceitável assaltar o guarda roupa do avô e efetivamente usar, à luz do dia, a sua camisola mais chunky e cinco tamanhos acima do nosso? Sabe bem qual é. Aquele pullover de lã com pelo menos um dos seguintes motivos festivos: flocos de neve, renas, doces ou pompons em 3D.

A Moda é cíclica e as tendências vão e voltam ao longo dos anos. Mas é raro para uma peça de roupa ser considerada tão fora de Moda quanto trendy, dois conceitos (só) aparentemente opostos. As camisolas que agora consideramos amorosamente “feias” atingiram o seu pico de popularidade na década de 1980. Muito poucas peças de roupa se podem orgulhar de ostentar o mesmo apelo intergeracional como as “camisolas de Natal”. Por cada pessoa que (ironicamente) ama uma destas camisolas há outra em que o sentimento é de facto sincero.

Mas como é que se deu o renascimento desta camisola? Quando se trata de camisolões, quanto mais desatualizados e extravagantes, melhor. O prémio vai para a criação da avó, feita à mão e de tamanho único. É um tanto ou quanto tosca, mas com uma dose saudável de fofura - o equivalente àquele filme de Natal que passa repetidamente na tarde de Domingo.

As camisolas temáticas começaram a ser produzidas em grande escala nos anos 1950, à medida que as festividades foram tomando um cariz cada vez mais comercial. Inicialmente chamaram-lhes “jingle bell sweaters” e tiveram algumas décadas de modesta popularidade. Até à década de 1980, em que conquistaram a adoração uniforme do público. As referências deste revivalismo remontam aos programas de televisão da época, nomeadamente no “The Cosby Show”, protagonizado pela família afro-americana Huxtables residente em Brooklyn, Nova York. O patriarca da família era assumidamente entusiasta das referidas camisolas ornamentadas e a importância deste sitcom na cultura popular contribuiu para a longevidade da camisola enquanto tendência. Também no clássico filme de Natal “National Lampoon’s Christmas Vacation”, lançado em 1989, o pullover de lã teve grande destaque. A família Griswold usava com orgulho estas camisolas que seriam ridículas se as medíssemos pelos standards de hoje e estavam apenas semi em voga para os anos 1980.

Mark Darcy em O diário de Bridget Jones, Instagram @hollyjollymovies

O hábito de usar este fashion statement esteve um pouco adormecido durante os anos 1990, em que incitava um levantar de sobrancelha suspeito – como quando Mark Darcy resolve aparecer num encontro familiar de Bridget Jones a usar uma camisola verde com uma rena gigante. Até que no novo milénio as pessoas, especialmente americanos, começaram a fazer festas cujo tema girava em torno da tal “ugly Christmas sweater”. Depois disso, a camisola chegou ao mundo do high fashion e pisou as passerelles internacionais. Primeiro em 2007 com Stella McCartney e um casaco com a temática urso polar. Em 2010, o designer italiano Riccardo Tisci lançou uma série de pullovers em angora para Givenchy. Tal como Dolce & Gabbana na coleção de outono/inverno 2011 e tantos outros se lhes seguiram. 

Será esta camisola apenas uma interpretação sarcástica do excesso natalício? Ou talvez seja uma forma das pessoas baixarem a guarda, aliviarem a pressão dos preparativos de Natal e se envolverem tranquilamente no espírito da quadra. Aquilo que sabemos é que ela é tão estilosa hoje como era nos anos 1980 e de pirosa não tem nada. Ou talvez até tenha, mas estamos bem com isso. Abaixo encontrará quinze sugestões que não saíram do armário do avô, mas poderiam perfeitamente.   

Mathilde Misciagna By Mathilde Misciagna

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