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Tendências 22. 8. 2019

Um #ThrowbackThursday aos visuais de Beleza da redação da Vogue

by Joana Moreira

 

O que é exatamente mau gosto quando nos vemos com a maior pinta de sempre? Numa viagem ao passado, recuperamos as memórias da redação da Vogue daqueles momentos (felizmente muitos deles não fotografados) que dariam um ótimo #throwback. De jornadas capilares a maquilhagem duvidosa ou um revirador de pestanas do demónio, de uma coisa não temos dúvida: o distanciamento temporal revela muito sobre o nosso bom gosto. 

Editorial para a edição de agosto 2019 da Vogue Portugal. © Fotografia de Max Vom Hofe. Maquilhagem de Jo Frost. Realização de Marie-Louise Von Haselberg.

Mónica Bozinoski, Jornalista 

Corria o ano de 2000 e troca o passo e, como qualquer adolescente, supliquei à minha mãe que me deixasse ir experimentar – sozinha, importante referir – um novo salão que tinha acabado de abrir em Aveiro. Porquê este salão? Porque este salão era cool, os cabeleireiros tinham os melhores cortes de sempre e pintavam os cabelos com cores que eu não imaginava possíveis. Em modo “you only had one job”, a minha mãe deixou-me ir, com a condição de “só cortar as pontas” do meu "cabelo com caracóis lindo e comprido" e “não inventar”. E eu, em modo “you know nothing, Jon Snow, decidi entrar salão adentro e dizer as palavras “façam o que quiserem” – vulgo, as palavras que resultaram num corte pela nuca, com duas mechas mais longas à frente, uma extensão azul bebé de um lado, e outra extensão rosa bebé do outro. Only God can judge me, certo?

Joana Moreira, Editora de Beleza 

eyeliner terá sido dos primeiros produtos de maquilhagem que comprei. Na minha adolescência, e nunca tendo sofrido com acne, não desejava pôr base, corretor ou pó bronzeador – ainda que a pele da minha mãe, vários tons acima do meu (Alô, genética, onde estás tu?), me causasse alguma inveja. Queria, sim, parecer tão cool como o Robert Smith (digamos que os The Cure eram uma forte presença nos ficheiros que “partilhava” no LimeWire). No extremo oposto, e porque já nessa altura primava por ter um gosto musical eclético, queria também muito ser a Avril Lavigne. Sendo específica: queria muito ser a Avril Lavigne no videoclipe de Complicated. Isso mesmo: Avril Lavigne, com todo o eyeliner preto que isso implica. As poupanças da minha bela semanada eram canalizadas para comprar o mesmo lápis de olhos da Maybelline, que se vendia no supermercado perto de casa e que afiava até este se findar por completo. Olhando para trás – ou simplesmente para as fotografias (sim, há fotografias, que infelizmente não se perderam com a queda de popularidade do hi5) –, parecia-me com a cantora de Sk8er Boy? Bem, só talvez o eyeliner fosse o mesmo.

Sara Andrade, Chefe de redação interina

O meu pior look de sempre foi uma permanente que fiz quando tinha 17 ou 18 anos. Aliás, que me fizeram, que eu nunca me esqueço das vezes em que fui endrominada: perguntaram-me se queria fazer um levantamento de raiz para dar volume ao cabelo, mal sabendo eu que "levantamento de raiz" é código para cabelo de poodle. Os caracóis diminutos e volumosos inchavam-me o rosto redondo da altura e ficavam-me terrivelmente - menos Diana Ross (muito menos) e mais Gaten Matarazzo, de Stranger Things, se for preciso uma imagem mental - e a predisposição para dar o benefício da dúvida era nula. Fui a correr para outro cabeleireiro para lavar novamente o cabelo e diluir o efeito da permanente, mas nada feito. E eu que adorava o meu cabelo liso… foi um episódio traumático: chorava até adormecer todas as noites, durante um mês, e a pobre da minha mãe é que me esticava o cabelo todos os dias. Depois, fui aprendendo a lidar com aquilo... fazia tranças quando saía do banho e dormia com elas, para criar ondas e desfazer os caracóis, por exemplo. Eventualmente, o cabelo cresceu. Não, não tenho fotos da altura.

Patrícia Torres, Jornalista

Nos idos anos 90, eu tinha 14 ou 15 anos, um cabelo perfeitamente liso e comprido, uma pele perfeita e um verão inteiro pela frente. O que é que podia correr mal, certo? As primeiras chamadas de atenção para as coisas da beleza, dos rapazes e dos próximos filmes do Tom Cruise chegavam espalhadas nas páginas da revista Bravo, que entrava lá em casa pelas mãos de uma prima mais velha. E quando elas chegavam, a Bravo e essa prima, o mundo pueril onde eu vivia suspendia-se para dar lugar a um outro mundo, onde eu não sabia muito bem como existir. A minha prima já pintava as unhas e usava batom. Mas de tudo o que ela fazia, do cabelo aos pés, o que me deixava verdadeiramente pasmada era vê-la revirar as pestanas. Quem é que alguma vez na história do mundo teria tido a ideia de inventar revirar as pestanas? A minha prima não queria saber. E, num piscar de olhos, eu também não. Antes do revirador: pestanas sem história. Depois do revirador: Uau! A minha existência nunca mais ia ser a mesma. Nem eu suspeitava a que ponto. Não foi muito inteligente decidir experimentar revirar as pestanas sem ninguém por perto, admito. Mas, em minha defesa, eu já tinha visto a minha prima fazer aquilo milhares de vezes. Felizmente para ela, em nenhuma das vezes aconteceu ficar sem pestanas, como me aconteceu a mim. Podia estar aqui a dizer que depois do choque ficou tudo bem, só que não. Ninguém recupera do choque de andar um verão inteiro sem pestanas aos 15. O lado positivo desta história? As pestanas voltaram a crescer. Mas nem sequer posso dizer que cresceram mais fortes. Por isso, reviradores de pestanas só mesmo em dias de festa. E ainda sóbria.

Larissa Marinho, Assistente de Moda

Lembram-se do videoclipe Get Right da Jennifer Lopez? Não sei se se vão lembrar, mas, neste videoclipe, ela tinha a parte debaixo do cabelo mais escura que o resto do cabelo. O cabelo castanho mais claro em cima e preto em baixo. Então, eu, no auge dos meus 14 anos, achei incrível e resolvi que ia fazer a mesma coisa. Na época tinha o cabelo bem comprido, também castanho mais claro e a primeira vez que pintei o cabelo foi assim. Fiquei com ele algum tempo à la J.Lo até que achei que não estava suficientemente distinto e resolvi pintá-lo todo de preto. Confesso que na época achava incrível, mas hoje olho para fotos antigas e penso: "Socorro! Porquê?". Enfim… ainda bem que melhoramos.

 

Artigo originalmente publicado na edição de agosto de 2019 da Vogue Portugal.

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