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The world according to Sif

10 Mar 2023
By Ana Murcho

É uma das capas da nossa edição de março, e isso era razão suficiente para falarmos com ela. Mas Sif Saga, modelo e atriz, tem muito mais para nos contar.

Sif Saga fotografada por Élio Nogueira
Sif Saga fotografada por Élio Nogueira

Está longe de ser uma novata, e o seu extenso curriculum no mundo da moda comprova-o: já foi capa de quase todas as revistas conceituadas, protagonizou campanhas para marcas como Ralph Lauren ou Estée Lauder, mas faltava-lhe algo, o holy grail da indústria... uma capa da Vogue. Conseguiu-o agora, nesta edição dedicada à sorte (coincidência? ela não acha), onde dá vida ao editorial Lucky Charms, fotografado por Élio Nogueira. A sua beleza natural compete com o seu talento para a música (em 2021 lançou um singleFrench Fries, uma canção que celebra o amor-próprio) e para a representação, onde se estreou no thriller Feral State, com Annalynne Mccord. É precisamente neste campo que pretende apostar, sem nunca deixar a moda, a sua primeira paixão – o seu “lucky charm.”

Pode falar-nos um pouco de si? Como começou a sua carreira no mundo da moda? Sempre quis ser modelo? Sou originalmente da Islândia, mas cresci em Boston, viajando para lá e para cá a maior parte da minha infância. Fui para um colégio interno quando tinha 12 anos e fui descoberta pela minha agência mãe, The Dragons Management, aos 16 anos [precisamente] no meu colégio interno. Tinha sonhado ser modelo quando era mais nova, mas também adorava cozinhar e gostava da ideia de ser médica; por isso costumava dizer às pessoas que ia ser cozinheira à noite, cirurgiã durante o dia e modelo da Victoria’s Secret aos fins-de-semana. Não sei exatamente como é que pensava que isso era prático, mas na altura parecia-me uma boa ideia. Só me apercebi de que podia realmente tornar-me modelo quando fui descoberta, e assim que essa porta se abriu soube logo que esse era o caminho que devia seguir.

O que considera ser, até agora, o ponto alto da sua carreira? Penso que estar na capa da Vogue terá de ser o ponto alto. É algo com que sempre sonhei desde que comecei a ser modelo e agora aconteceu de facto. Não podia estar mais grata.

Este editorial que fotografou para a Vogue estava relacionado com a (boa) sorte e as superstições. É uma pessoa supersticiosa? Tem algum talismã ou alguns rituais que goste de seguir? Fiquei muito entusiasmada quando descobri o tema do shooting porque tenho dito que este ano é o meu ano da sorte e depois descobri que estava a fazer um editorial sobre a sorte, não acho que seja coincidência. Não diria que sou supersticiosa, mas tenho os meus rituais; durante uma lua cheia escrevo sempre tudo o que quero deixar para trás e queimo o papel, e numa lua nova escrevo tudo o que quero trazer para a minha vida, acendo as minhas velas e depois ponho o papel debaixo de um copo de água junto à janela. Também tenho o meu apartamento de acordo com o feng shui para garantir que todas as áreas da minha vida estejam equilibradas. Por vezes penso em todas as pequenas coisas que faço e isso faz-me rir, mas ajuda-me a sentir bem e a permanecer presente, o que penso ser realmente o objetivo, no fim de contas.

Qual é a coisa mais gratificante do seu trabalho enquanto modelo? As pessoas que conheço. Há tantas pessoas incríveis neste mundo. E como estou constantemente a conhecer novas pessoas, tenho conseguido ganhar uma perspetiva mais ampla de diferentes culturas e crenças: expandiu-me como pessoa e eu adoro isso no meu trabalho. Além disso, adoro a forma como me abriu para ser mais criativa. Costumava ser tão tímida e tão fechada, mas quando comecei a ser modelo, senti esta energia dentro de mim que nunca tinha experimentado antes, era como uma luz criativa que se acendia.

Ser modelo ajuda quando se trata de atuar, a sua outra carreira? Penso que sim, estou tão habituada a estar em frente a uma câmara e a representar. Ser modelo fez-me perceber que podia transformar-me em diferentes versões de mim mesma que normalmente não ofereço, e penso que atuar é uma extensão disso; é uma transformação de energia.

Pretende fazer da representação o seu “primeiro” trabalho? Que planos tem nessa área? Sim, trazer a representação para a linha da frente da minha carreira. Adoro ser modelo, mas acho que ainda gosto mais de representar. No entanto, acho que nunca teria enveredado por este caminho se não fosse pela moda. Quando se trata de atuar, planeio ir o mais longe possível, não estou a sonhar pequeno, isso é certo, e acredito em mim própria - o que penso ser a coisa mais importante que podemos fazer quando se trata de atingir objetivos. Se não acreditamos em nós próprios, como podemos esperar que mais alguém acredite?

Como consegue organizar a sua vida para fazer tantas coisas ao mesmo tempo? Coloco a prioridade no equilíbrio da minha energia interna acima de tudo, medito todas as manhãs e incluo na minha vida quotidiana outras práticas conscientes, porque quando me sinto equilibrado internamente é muito mais fácil gerir tudo o que se passa no exterior. Penso que, por causa disso, sempre que fico demasiado sobrecarregada sei como me acalmar e manter o foco. Também acredito que tudo acaba por funcionar como deveria e lembro-me disso quando as coisas não estão a correr como eu queria, ou quando se tornam demasiado [exaustivas].

Se pudesse escolher alguém para a retratar num filme sobre a sua vida, quem escolheria? E que nome daria a esse filme? Penso que escolheria Jennifer Lawrence. Não somos parecidas, mas penso que ela é uma atriz fantástica e seria muito fixe vê-la. Penso que lhe chamaria “A Saga nunca acaba.” Uso muito este ditado e inventei-o quando tinha 18 anos. A Saga é uma história que está continuamente a ser contada e a evoluir ao longo do tempo, e gosto dessa ideia para mim como pessoa; dar-me espaço para continuar a mudar e a crescer. Não me quero limitar a uma caixa específica.

Última questão: que peças de roupa tem sempre no seu armário? Uma t-shirt branca e simples (a minha preferida é da Theory), um soutien lacey preto (adoro um que tenho da Journelle, fica elegante sob camisas ou t-shirts), o meu blazer preto oversized YSL, boyfriend jeans (prefiro este estilo porque é confortável mas parece, ainda assim, clean e elegante) e um vestido simples (tenho um vestido cinzento da ACNE Studios há anos que é fixe, simples e intemporal).

Ana Murcho By Ana Murcho

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