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Taylor Hill: "A mulher mais confiante é a mais bonita"

by Ana Murcho

 

Era uma vez uma rapariga de Palatine, Illinois, uma cidadezinha americana com menos de 70 mil habitantes, que conquistou o mundo da Moda. Habituada a vestir mil personagens, do anjo sexy em lingerie à menina bem-comportada das marcas mais icónicas do firmamento - we’re looking for Chanel, Fendi, Marc Jacobs, Versace - Taylor Hill abriu as asas e começou a explorar novos mundos. Como o cinema. E é precisamente pela mão da sétima arte que a girl next door se transforma em femme fatale, qual diva dos anos de ouro de Hollywood. 

© Morelli Brothers

“Obrigada. Estou tão nervosa, quase caí das escadas.” É assim que começa o discurso de agradecimento de Taylor Hill, Modelo Feminino Internacional nos GQ Men Of The Year Awards 2019, em novembro passado: com nervosismo e emoção. A norte-americana, é uma veterana da indústria – a sua passagem por Lisboa, além de servir para homenagear a sua carreira, é igualmente escusa para (mais) um trabalho a contrarrelógio. Nada disso afeta o sorriso rasgado, a humildade e a predisposição natural para passar um bom bocado. Telemóvel na mão, concentra-se em ignorar as luzes e o público que assistem à leitura do seu texto, uma forma de dizer obrigada sem esquecer nada nem ninguém.

“Sou modelo desde que tenho 14 anos e todos os dias me sinto abençoada. Sou uma sortuda em fazer o que faço, mas sem dúvida que não o poderia fazer sozinha.” Pausa. “Oh meu Deus, estou tão nervosa. Não consigo respirar. Isto não me acontece muito. É a minha segunda vez a falar em público, por isso desculpem.” É nesses momentos que regressa a miúda simples de Palatine, que acabou por ser “descoberta” num rancho no Colorado, estado americano onde cresceu a andar a cavalo e a fazer desporto, a anos-luz das passerelles que haveria de conquistar. Ser considerada Modelo Feminino Internacional pela GQ Portugal é um privilégio. Taylor sabe disso. Garante que a revista é uma publicação à qual está especialmente atenta – e de onde gosta de tirar notas. “É que eu gosto de rockar um smoking tanto quanto o mais elegante dos homens.” E despediu-se, diáfana e maravilhosa, no seu vestido Redemption couture. 

Dias depois, Taylor está no meio de um set com dezenas de figurantes, prestes a fotografar o editorial da Vogue que acompanha esta entrevista. A top que subiu ao palco do Tivoli arregaça as mangas para uma longa maratona de cliques, onde será infinitas vezes mais versátil do que a imagem que temos dela. Como foi a experiência? É verdade que sempre quis ser atriz? “Adorei vestir-me de diferentes personagens e usar todas aquelas roupas cool e divertidas. Fui descoberta [por um scout de uma agência de modelos] no Colorado, ainda jovem. O mundo da Moda abriu-me muitas portas e estou-lhe muito agradecida. Atuar sempre foi uma paixão minha e estou muito comprometida em estudar e aprender a fazer isso da melhor maneira possível.” Não estamos a insinuar que Taylor, a modelo mais jovem a desfilar para a Victoria’s Secret (tinha 18 anos na altura), está de malas aviadas para o cinema; mas também não estamos a insinuar que não está.

© Morelli Brothers

Em 2016, participou no filme The Neon Demon, e é sabido que, desde então, já voltou a flirtar com o grande ecrã. É apenas justo perguntar-lhe quais são os seus planos na sétima arte. Será que põe a hipótese de ser atriz em tempo integral? “Filmar The Neon Demon foi uma experiência surreal, entrar num set de filmagens pela primeira vez e experimentar a agitação e a maneira única segundo a qual o realizador Nic Refn trabalha. No ano passado, tive a sorte de participar em mais séries e estou a aproveitar cada experiência e a aprender o máximo que posso. Amo onde estou agora; trabalhar para a minha nova paixão e continuar a fazer Moda. Planeio levar um dia de cada vez.” 

Um dia de cada vez é a resposta politicamente correta que obriga a um mini-inquérito às memórias de Taylor. Talvez assim consigamos saber onde, e como, começou este affair com a sétima arte. Lembra-se do primeiro filme que viu? Que impacto teve em si? “Lembro-me de ver A Pequena Sereia e de me ter apaixonado pela música. Amo os clássicos da Disney que ainda hoje vemos e que [continuam a ser] amados e compartilhados com as gerações mais novas.” Qual foi a película que viu mais vezes, aquela da qual nunca se cansa? “Harry Potter, porque quando era mais nova era completamente obcecada com a narrativa, e com a escrita, de JK Rowling.” 

Que atrizes a inspiram? “As minhas atrizes preferidas são Natalie Portman, Angelina Jolie, Audrey Hepburn, Jennifer Aniston, Cameron Diaz e Drew Barrymore. Essas mulheres são talentos incríveis e cada uma delas traz algo muito especial para o grande ecrã.” E que género prefere? “Os meus géneros favoritos são ação e comédia.” Última tentativa de sacar alguma informação mais específica, que nos aponte o futuro de Miss Hill: o que é que as câmaras têm para a fascinar tanto? “Sou fascinada por ver o resultado final; ver todas aquelas cenas juntarem-se para fazerem algo mágico. É realmente uma obra de arte. O trabalho e o talento de todos criam algo que te pode transportar para um tempo e um lugar diferentes.” Como a festa mais badalada do ano, a Vanity Fair Oscars Party, onde já é presença regular? “Ainda há momentos em que tenho de me beliscar e consigo ser muito tímida em relação às estrelas de cinema. Honestamente, ainda me considero uma rapariga de uma pequena cidade do Colorado.” No princípio, era o sonho, mas a menina tornou-se muito maior do que o sonho. 

© Morelli Brothers

A carreira de Taylor Hill é um desfiar de momentos (muito) bem-sucedidos. É habitual nas campanhas de Carolina Herrera e Ralph Lauren, a Forbes já a incluiu na sua lista anual de “modelos mais bem pagas do mundo”, aceitou vestir a pele de “anjo” da Victoria’s Secret em 2015 e, um ano depois, assinou um contrato com a Lancôme – e por mais que a indústria se tenha tornado impessoal, viral, e todas essas coisas que rimam com millennial, o contrato com uma marca de beleza ainda é “a” viragem no trajeto de qualquer top, o que a distingue de todas as outras que não sobrevivem ao hype de um meio por vezes demasiado ansioso e descartável. Que impacto tiveram estes momentos na sua vida? “Estou com estas marcas históricas há cinco anos e cresci com elas. Todas se tornaram família. Cresci tremendamente nos últimos cinco anos e não planeio abrandar.” 

Já fez dezenas de capas, campanhas e desfiles. Onde se sente mais confortável? “Gosto realmente de cada uma dessas coisas, porque são todas diferentes. Mas se tivesse de escolher, [diria que] me sinto mais à vontade num set, seja num set de filmagens ou numa sessão de fotos. Estou sempre intrigada com a visão criativa do realizador ou dos fotógrafos e em ajudá-la a ganhar vida.” A importância da equipa, do “nós”, tal como no discurso que proferiu em novembro. Mas a Moda vive de constantes mudanças e, nos últimos anos, sente-se uma viragem no paradigma que, até agora, fazia o dia-a-dia deste mundo excessivamente glamorizado. As mulheres parecem estar mais empoderadas; parecem, finalmente, estar dispostas a “perder tempo” a ajudar-se umas às outras. “Não podia concordar mais com isso e sempre me esforcei por capacitar e apoiar as outras mulheres em vez de competir com elas. O sucesso não é finito e acredito que podemos todas ter sucesso e apoiarmo-nos umas às outras. Há espaço para toda a gente e adoro ver que toda a gente se apoia.” É um desejo que está de acordo com a personalidade luminosa de Taylor.

Os seus posts de Instagram (rede social onde tem perto de 14 milhões de seguidores) não são o de uma jovem adulta cínica e calculista, mas os de uma miúda que não se leva muito a sério e que ainda vibra com as conquistas que o destino lhe proporciona – não raras vezes, a estrela das fotografias é o seu cão, Tate. As selfies ultra-sexy contam-se pelos dedos. Mesmo havendo dezenas de faces de Taylor, o carisma está presente em todas elas. Ou acima de todas elas. É por isso que não estranhamos a resposta que nos dá à pergunta-cliché que assombra a vida de qualquer modelo de topo. Qual é o conselho de beleza que daria à sua melhor amiga? “A mulher mais confiante é a mais bonita.” 

 

Veja o editorial As faces de Taylor, na íntegra, aqui

Entrevista originalmente publicada na edição de fevereiro 2020 da Vogue Portugal. 

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