Suzy Menkes: “quando uma coleção é excecional e composta de forma imaginativa, eu sinto emoções”

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Suzy Menkes: “quando uma coleção é excecional e composta de forma imaginativa, eu sinto emoções”

 

No meio de tantos gritos digitais, há uma voz que, por falar mais baixo, por falar com conhecimento, por nunca abdicar de ter um ponto de vista, fura todo o burburinho e dispara tiros certeiros. Há anos que Suzy Menkes se tornou numa autoridade inquestionável. A Vogue explica porquê.

Suzy Menkes © Elena Olay, Cortesia Vogue España

Em tudo, temos de olhar para trás para entender o agora e construir o amanhã. E o que Suzy Menkes é hoje - um ícone, um pilar da indústria de Moda, uma crítica nos tempos do politicamente correto - é tudo o que foi até agora. E esta é uma história que vale mesmo a pena contar.

“Olho para a Moda da mesma maneira que olho para os concertos”, diz Suzy Menkes à Vogue Portugal, poucos dias antes da Condé Nast International Luxury Conference, que fez Lisboa brilhar entre 17 e 19 de abril. “As pessoas pagam para ver os artistas atuar, mesmo que já tenham a música nos seus telefones. Há tanta coisa que não se vê num desfile gravado: raramente existe outra perspetiva além da vista frontal e da central; frequentemente não há música – e não se veem os cenários envolventes. Contudo, quando uma coleção é excecional e composta de forma imaginativa – em Alexander McQueen, por exemplo – eu sinto emoções.” Estas emoções, este palpitar do peito, este entusiasmo que Menkes ainda vê num desfile foi exatamente o que a fez construir uma carreira de jornalismo de Moda.

Suzy nasceu a 24 de dezembro de 1943, em Beaconsfield, Buckinghamshire, no Reino Unido, e parece que sempre soube o que queria fazer do seu caminho: aos cinco anos, faz o seu primeiro jornal de brincar. Jovem adulta na era mágica dos anos 60, fez um gap year em Paris onde aprendeu couture na Chambre Syndicale e, graças à sua senhoria da altura, foi assistir a um desfile de Nina Ricci (quando a apanharam a desenhar um chapéu no seu caderno, ia sendo expulsa). Quando voltou para casa, pôs a Moda em stand by e estudou Literatura Inglesa em Cambridge, onde se tornou a primeira editora feminina do Varsity, o jornal da Universidade. Facilmente entrou no Times e, aos 24 anos, mudou-se para o London Evening Stardard como editora de Moda, onde Charles Wintour (reconhece o apelido?) se tornou no seu mentor. Menkes fala abertamente do seu editor e de como ele lhe ensinou que, enquanto editora de Moda ou enquanto jornalista, o seu maior dever era para com o leitor. Absorver a informação e explicá-la de uma forma compreensível a quem a lê tornou-se num imperativo na escrita de Suzy e na conduta jornalística que sempre a moveu. Depois de uma passagem pelo Daily Express e de um regresso ao Times e até de um breve tempo no The Independent, Menkes integrou a redação do International Herald Tribune (que mais tarde se tornou no International New York Times) onde, reza a profecia, escrevia mais de 200 mil palavras por ano. Workaholic? Não. Suzy diz que escreve mesmo rápido.

Foi no Herald que Menkes se tornou numa lenda - carinhosamente apelidada de Samurai Suzy - e que atingiu um estatuto de ícone. Não devido ao pompadour, claro - que, para que fique esclarecido, começou por ser uma forma de Suzy tirar a franja dos olhos quando estava a trabalhar, e acabou por se tornar numa imagem de marca - mas pela sua visão reta, afiada, implacável mas sempre bem fundada de Moda. Crítica no verdadeiro sentido da palavra, Menkes diz-nos que segue “a filosofia da Chanel e da Hermès – prefiro designs que resistem ao teste do tempo. Claro que também procuro mudança, mas não espero que tudo seja novo e diferente em cada estação. Sempre me interroguei por que razão a ideia de criar um guarda-roupa e ir-lhe acrescentando peças novas parece estar tão completamente fora de moda. Chego a achar que é uma falta de respeito para com um bom designer – ou uma bela peça – estar sempre a gritar: ‘E agora, o que vem a seguir?’” Este culto sôfrego da novidade e as mudanças constantes que a própria indústria não consegue acompanhar valeram-lhe textos polémicos e reações mais polémicas ainda. Chegou a ser impedida de entrar num desfile por causa de uma crítica que escreveu e todos os seus pares se ergueram em sua defesa e boicotaram a apresentação da marca. Depois também há aquela vez em que Menkes declarou a mítica carteira Chanel “acabada” e Karl Lagerfeld lhe respondeu com um anúncio na página inteira no Herald. Também há o meteorito que foi a sua posição quando escreveu The Circus of Fashion, no The New York Times, mas são pessoas como estas que mudam a face da Moda. Ou, pelo menos, que mexem as águas e não as deixam estagnar.

“Eu acho que as coisas simples – como, por exemplo, uma carteira ou um cinto de cabedal entretecidos à mão – podem ser objetos de desejo. Mas só se forem fabricados com dois ingredientes essenciais: habilidade e amor. Para mim, um objeto supostamente de luxo que seja apenas uma camisa de seda entediante ou uma carteira de pele igual às outras não suscita desejo”, explica-nos Suzy, que não olha para “o quê” da Moda, mas para o “porquê”. É essa curiosidade que a continua a fascinar e que excitou o mundo quando, em 2014, se tornou crítica e repórter online para todas as edições internacionais da Vogue.

“A minha visão pessoal de luxo é muito diferente de uma mala com um logótipo ou nome famoso impresso! Eu gosto dos prazeres secretos: sobretudo coisas tocadas por mãos humanas. Uma camisola da lã mais fina. Ou um lenço de seda. E sim, carteiras – mas aquelas que transmitem prazer por lhes tocarmos, que nos dão alegria por as usarmos e que são divertidas de ver”, explica-nos Menkes. Esta visão humana da Moda, bem como a sua franqueza e objetividade - Suzy é conhecida por nunca aceitar presentes de marcas ou designers, dizendo que a única coisa que aceita receber são flores ou chocolates - é o que faz de Menkes uma autoridade. Num mundo digital de aparências, tudo o que seja 100% real marca-nos para sempre.

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