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Suki Mehr: Arquiteta do Metaverso

25 Jan 2023
By Vogue Portugal

Priorizando a sustentabilidade e privilegiando a supressão das fronteiras que separam o físico do digital, o S de Suki é também o S de Sucesso para esta empreendedora e artista. 

Priorizando a sustentabilidade e privilegiando a supressão das fronteiras que separam o físico do digital, o S de Suki é também o S de Sucesso para esta empreendedora e artista. 

Camisa, Valentine Gauthier. Calças, Nocturne. Brincos, Sister Morphine.
Camisa, Valentine Gauthier. Calças, Nocturne. Brincos, Sister Morphine.

Como artista que vive numa ilha, a necessidade de uma produção sustentável torna-se inegável. Não há espaço para desperdício. Focada na produção sustentável, o seu corpo de trabalho é preocupado com as alterações climáticas, por isso, as suas peças contemplam materiais reciclados e o seu impacto é pensado em todos os passos da realização, bem como na sua durabilidade. Com criações em impressões 3D, os materiais que prefere variam entre aço recolhido de resíduos de incêndios florestais na Califórnia, mármore impresso em 3D e resíduos de pedra, plásticos marinhos reciclados e, mais recentemente, diamantes capturados por carbono. E claro, as obras mais sustentáveis de todas, são aquelas que nunca existiram fisicamente - os seus NFTs. Apaixonada por um futuro descentralizado, é cofundadora da Estayt, uma plataforma para gerir ativos digitais vitalícios e planeamento imobiliário na blockchain.

Ao lado do marido, Alex Mehr (cientista que traz na bagagem uma passagem pela NASA e a fundação da app de dating, Zoosk, que entretanto vendeu por um valor milionário), a dupla lidera um conjunto de empresas, sob a égide da Mehr Capital, que tem dado cartas no que ao metaverso diz respeito, aproximando as conexões digitais do mundo físico e esbatendo fronteiras - tanto ao nível do real versus web, como ao nível dos avanços tecnológicos. O casal costrói e compra empresas de Web3 (serviço de internet formado por blockchain, isto é, um sistema de registo partilhado que utiliza criptomoedas) para fazer crescer a economia do futuro.

Casaco, Gemy Maalouf. Top e saia, Asquin. Clutch, Bottega Veneta, na Carla St. Barth. Luvas, Eli Peacock.
Casaco, Gemy Maalouf. Top e saia, Asquin. Clutch, Bottega Veneta, na Carla St. Barth. Luvas, Eli Peacock.

Mas não é (só) pela sua louvável veia de empresária e empreendedora (um dos projetos entre mãos é a Wed3.com, uma plataforma que celebra casamentos no metaverso, fundada com Michael Fischer, recém licenciado em Ciência Computacional da Universidade de Stanford - e sim, Suki e Alex celebraram aqui o seu enlace) que Mehr figura nesta página. Criativa além das suas ventures digitais, a magnata é também uma artista com um portefólio impressionante em múltiplas dimensões: tanto no resultado final como no processo de criação.

A sua mais recente escultura, Aion, brota do solo numa comunidade de resorts de luxo de 600 acres em Albany, nas Bahamas, onde a arte e a arquitetura estabeleceram a precedência para o Caribe e mais além. Com uma rara coleção de amenidades para todas as atividades, Albany passou a definir o que há de melhor na vida insular desde a inauguração, em 2010.

Aion fica no centro de uma via principal dentro de Albany, com duas mãos e pontas dos dedos que se transformam em videiras e que crescem em direção ao céu, numa peça forjada em aço. Em simultâneo, há, neste surrealismo 3.0, um rol de figuras divinas primordiais que evoluem vividamente no metaverso e que surgem das recordações dos estudos do grego antigo da artista, em criança: "uma paixão precoce pelo mito, amor não correspondido e epítetos Homéricos", descreve em SukiMehr.com.

Escultura Aion em aço, Suki Mehr.

A sua experiência entre a realidade física e a realidade virtual também se manifesta, de certa forma, na sua arte, que traduz ambientes surreais numa mensagem sobre as paisagens terrenas em constante mudança, consequência de uma crescente pegada ecológica no planeta. É ali, da materialiação do seu imaginário, que se dá o ponto de encontro entre a inspiração ilimitada que vai buscar à biomimética e aos padrões no mundo físico e a liberdade infinita do Metaverso. 

Vestido, Sanel. Escultura Aion em aço, Suki Mehr.
Vestido, Sanel. Escultura Aion em aço, Suki Mehr.

Se lhe perguntar sobre a autenticidade da Arte num mundo que já admite a obra criada por inteligência artificial, a resposta está na ponta da língua: Mehr acredita que a centelha do espírito humano será sempre imutável e irreplicável e que é verdade que o conceito de propriedade se tornará menos importante, mas a necessidade de verdade criativa, por oposição, será cada vez mais relevante.

E essa verdade criativa não pode ser independende da verdade mundial nem pode admitir fechar os olhos tanto às catástrofes naturais, como às humanas: aliada a artistas na Ucrânia e na China, o mais recente projeto de Suki ergue-se em direção ao céu na fronteira da Rússia e da Ucrânia - uma escada de vidro para lugar nenhum, uma hélice incompleta que impulsiona a ascensão, numa metáfora que relembra que "os territórios que definimos não são nossos. Há algo mais elevado, mais universal à espera de ser construído, algo pacífico, algo sereno, algo que ainda não existe, talvez para ser definido noutra dimensão", remata. Talvez seja aqui que a criatividade e a realidade de Suki se encontram: neste metaverso onde a sustentabilidade, a criatividade e a humanidade se encontram.

Blusa e calças, Gemy Maalouf. Sapatos, Christian Louboutin.
Blusa e calças, Gemy Maalouf. Sapatos, Christian Louboutin.

Ficha técnica:

Fotografia: Camellia Menard StylingEtienne Jeanson @jnsn_fashionCabelos: Antillia FergusonMaquilhagem: Antonya jalyssaTalento: Suki MehrPRMariia Borovenska 

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