Há um futurismo que não precisa de metal nem de ruído para existir — basta-lhe o silêncio de uma linha bem cortada. É experimental sem ser caótico, livre sem perder forma e conceptual sem deixar de se poder vestir. Esta é a contradição que o guarda-roupa propõe: uma rebelião que não ergue a voz, apenas recusa, com calma.
Existe uma crença antiga de que o espelho devolve a verdade. Mas a água, mesmo parada, distorce — e o corpo que nela se vê já não é inteiramente seu: é também do vento que a agitou, da luz que a atravessa, do recipiente que lhe deu forma. As cores aqui não decoram — interrogam. O branco e os tons que oscilam entre o clínico e o quente sugerem um futurismo suave, que não se impõe pela estranheza mas pela precisão. Cada peça funciona como uma superfície que reflete não o que somos, mas o que fomos moldados a ser. Neste editorial, a inocência de um corte simples e a atitude de uma silhueta que se impõe coexistem, revelando o paradoxo da Moda: quanto mais se tenta libertar o corpo, mais se expõe as estruturas que o continuam a conter.
Camisa, ARTHUR ARBESSER. Calções, DEAD COUTURE ICONS ARCHIVE. Gorro, MAREA. Meias, CALZEDONIA. Sapatos, VERSACE; top, KASAI. Saia, TARA ZAEEMI.
top e saia, KASAI; casaco, ROMEO GIGLI. Sapatos, VERSACE.
Top, KASAI. Saia, TARA SAEEMI.
Top e calças, DAVII. Meias CALZEDONIA. Sapatos, BALENCIAGA; Camisa, ARTHUR ARBESSER.
Camisa e saia, ARTHUR ARBESSER. Soutien, MAISON ALEPH. Sapatos, BALENCIAGA; vestido, SAGIO. Sapatos, VERSACE.
Editorial realizado em exclusivo para a Vogue Portugal.
Most popular
Relacionados
