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Entrevistas 19. 10. 2020

Outubro Rosa, com Sofia Ribeiro e Intimissimi

by Rui Matos

 

Outubro Rosa é na Intimissimi, com Sofia Ribeiro a ser o rosto de uma campanha feita por mulheres e para mulheres, com o “sincero sentimento de tentar levar um bocadinho de luz e esperança aos dias menos felizes.”

Com o intuito de inspirar a mudança e mobilizar a sociedade para a luta contra o cancro da mama, na década de noventa nasceu o movimento Outubro Rosa. Esta doença é um problema de saúde pública e apesar de não ser dos mais letais, tem uma alta incidência e uma alta mortalidade, sobretudo na mulher. Atualmente em Portugal, com uma população feminina de 5 milhões, surgem mais de 6000 novos casos de cancro da mama por ano, ou seja 11 novos casos por dia, morrendo por dia 4 mulheres com esta doença,” é possível ler no site da Liga Portuguesa Contra o Cancro (LPCC), que é também aliada da Intimissimi neste mês de outubro - que por cada soutien vendido, seja nas lojas físicas ou online, vai doar € 2 à LPCC.

Consciencializar a população para a prevenção, ou diagnóstico precoce, desta doença é fundamental, assim como dar alento para todas as mulheres que estão a passar por esta doença, são duas das missões que a Intimissimi, juntamente com Sofia Ribeiro, querem passar neste Outubro Rosa. 

A propósito do lançamento desta campana, a Vogue conversou com a atriz portuguesa sobre a falta de informação, a importância de trazer o cancro da mama para cima da mesa e a importância da roupa interior para as mulheres que enfrentam um cancro da mama. 

É desta forma que Sofia Ribeiro descreve este projeto: “A vida ensina-nos a abraçar o presente e a viver cada momento intensamente.” Como é que aprendeu a encarar o presente, mesmo quando o presente não tem tudo de bom?

Com esperança e confiança que dias melhores virão. Vêm sempre! Eu sou positiva, por defeito. Acredito que até os momentos mais difíceis existem por algum motivo. Para nos levar para um ponto diferente daquele em que nos encontramos. Naturalmente, a tristeza existe, o medo e as questões, muitas vezes sem resposta, também. Mas aceitar, manter a calma e ter fé seja no que for, são fundamentais no meu ponto de vista para reunir as forças necessárias para arregaçar as mangas e enfrentar o que tiver de ser. 

Porque é que é importante trazer o cancro da mama para cima de mesa? Acha que ainda existem mal-entendidos sobre esta doença?     

É essencial. Existe, ainda, muita falta de informação - mais do que mal-entendidos. Que, por sua vez, vêm da falta de interesse comum, associado ao pânico que esta doença parece ter nos mais diversos meios, faixas etárias, culturas e extratos sociais. Como se ao falar do tema se pudesse ficar doente. Enquanto lermos, vermos e ouvirmos, por exemplo, os meios de comunicação a falar de cancro como doença prolongada, ainda muito há para se fazer.  Enquanto continuarmos a ouvir, como eu já ouvi, mais do que uma vez “quem procura acha”. Ainda muito haverá por fazer. Enquanto se achar que cancro vem por castigo ou por merecimento. Enquanto o medo e o receio “turvar a vista” e se fingir que não ouvindo, não existe o problema, continuará a haver mal-entendidos. Ainda assim, já muito se fez e faz! Estamos no bom caminho. Estamos todos mais despertos para a questão.

Para a Sofia quais são os mal-entendidos sobre esta doença que são importantes desmistificar?

Teríamos tema para várias entrevistas, mas tentado ser clara e objetiva, com base nas partilhas que me chegam diariamente, nas muitas questões que me colocam sobre o tema e de toda a informação que vou recolhendo.  As mais comuns talvez sejam: Que ter cancro não é uma sentença de morte. Felizmente os dados apontam todos os dias, para mais casos de sucesso, do que o contrário. Que não, não acontece só aos outros ou aos mais velhos. São vários os estudos que dizem que nos próximos vinte anos, 80% da população mundial (!) já teve ou terá algum tipo de cancro. 

Então, talvez fosse importante repensarmos o cuidado e a atenção connosco. Por exemplo, hábitos alimentares mais saudáveis, com base numa alimentação alcalina, aliada ao exercício físico e à procura por uma vida mais equilibrada. São bons métodos preventivos, mas também grandes aliados numa possível recuperação. E sim! A prevenção faz toda a diferença. Porque o número de sucesso aumenta exponencialmente quando detetado a tempo.  Fazer o autoexame deve ser uma prática recorrente. Bem como os exames de rotina. Sem medos, nem alarmismos. Falem com os vossos médicos.  

É importante retirar lições de cada situação que passamos, qual foi a maior lição que tirou quando enfrentou o cancro da mama?

Tantas! Tinha acabado de fazer 31 anos. Também eu, longe de imaginar algo parecido. A maior lição de todas é da alegria de viver. De ser mais grata! É tudo verdade. Isto muda num segundo! E quando muda? Na maior parte das vezes, damos quase tudo por adquirido na nossa vida. E esquecemo-nos, muitas vezes, de viver e vamos sobrevivendo, sem nos apercebermos empurrados pelo stress diário das nossas responsabilidades. Damos importância ao que não tem, peso ao que não merece, gastamos forças quando as devíamos poupar. Dizemos pouco ou nada a nós, aos nossos e aos outros! Gosto de ti. Amo-te! És do caraças. A maior de todas as lições é esta: de que quando tudo falha, tudo o que conta e tudo o que fica realmente são os afetos. São as pessoas! 

Como é que se sente por estar com a Intimissimi e a Liga Portuguesa Contra o Cancro neste Outubro Rosa?

Muito feliz com esta campanha e muito orgulhosa. Era um sonho por concretizar. Já há muito que queria trabalhar com a Intimissimi. Primeiro, porque sempre fui admiradora da marca, porque me revejo nos seus valores. É uma marca muito atenta à mulher e às suas necessidades. E poder juntar a esta campanha a LPCC, com quem já vou mantendo uma ligação há vários anos, vestindo a camisola das mais diversas formas, deixa-me duplamente feliz.  Esta campanha tem como objetivo maior motivar, inspirar e dar confiança a todas as mulheres. É uma campanha feita por mulheres, para mulheres com o sincero sentimento de tentar levar um bocadinho luz e esperança aos dias menos felizes. 

Quão importante é a roupa interior para as mulheres que se submetem a cirurgias, relacionados com o cancro da mama, no pós-operatório?

A roupa interior é uma segunda pele. Não só num pós-operatório, mas também. A roupa interior tem a capacidade de nos poder fazer sentir mais confiantes, bonitas e confortáveis. Naturalmente que isso depois se reflete. Penso que seja transversal.

Acha que as marcas de roupa interior deveriam de lançar uma coleção a pensar nestas mulheres?

Claro que sim. Aliás, é um dos passos que gostava, verdadeiramente, de ver concretizar-se. Infelizmente, tanto quanto sei, o processo de confeção e elaboração não é assim tão linear. Estamos a falar de algo muito específico, que requer uma série de normas e cuidados, direcionados a cada caso. Ainda assim acho que seria muito sensato e benéfico este passo. Fico a torcer para que venha a ser possível! 

“Confia… Aconteça o que acontecer.” No que é que a Sofia confia?

 Confio em mim, na vida, nos que amo e nos que me rodeiam.