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Curiosidades 31. 1. 2020

Porque é que a Moda sustentável deve ser a norma na red carpet?

by Emily Chan

 

Os BAFTA, que acontecem a 2 de fevereiro próximo, incentivaram as celebridades a vestirem-se de forma consciente. Analisamos as razões pelas quais a award season é, de facto, a eco plataforma perfeita para a Moda vintage e sustentável.

© Getty Images

A award season está em full swing - e parece que a sustentabilidade está a tomar conta da passadeira vermelha. Jennifer Aniston revelou-se como a rainha da moda vintage num vestido em cetim branco da primavera/verão 1999 da Dior, nos SAG, em meados de janeiro; Maggie Rogers, por seu lado, provou as suas credenciais ecológicas nos Grammys, com um vestido Chanel Pre-fall de 2014, acessorizado com uma garrafa de água reutilizável - Rogers é conhecida por escolher hidratação em vez de carteiras, e também usou uma garrafa de água de strass Colina Strada no evento Billboard Women in Music, em 2019.

Agora, os BAFTA deram a todos os convidados presentes na próxima edição dos prémios um guia de Moda sustentável, criado pelo London College of Fashion, como parte dos seus esforços de sustentabilidade - que incluem tornar a cerimónia neutra em carbono. “A sustentabilidade é muito importante para os BAFTA, e estamos a fazer mais do que nunca”, afirmou a academia. “Onde não é possível fazer escolhas sustentáveis, os BAFTA tentam contrabalançar, além de fornecerem aos convidados as ferramentas para compensar as suas próprias viagens e fazer escolhas de moda sustentáveis.”

Resta saber se as principais cerimónias de prémios podem ser realmente sustentáveis, dada a escala e o nível das viagens envolvidas. Optar por Moda sustentável na red carpet é algo que não se questiona, principalmente devido ao número de looks únicos, e personalizados, que são produzidos unicamente para a award season. Com milhões em todo o mundo sintonizados para assistir a estes eventos, as celebridades têm uma plataforma para influenciar as pessoas a fazer escolhas mais ecológicas. 

É algo que Livia Firth, fundadora da consultora de sustentabilidade Eco-Age, percebeu há uma década, quando lançou o Green Carpet Challenge. “Provámos, além de qualquer dúvida, que não só é fácil [vestir de forma sustentável na red carpet] mas também que é incrivelmente empoderador usar uma história - e não apenas uma marca”, afirmou à Vogue. “Agora que sabemos que é fácil, porque é que não o faria?” 

Reutilizar looks de passadeira vermelha

Joaquin Phoenix em Stella McCartney © Getty Images

Após os Golden Globes, Stella McCartney revelou que Joaquin Phoenix (indicado ao Óscar de Melhor Ator pelo seu papel em Joker) irá usar o mesmo smoking durante toda a temporada de prémios, de forma a destacar a questão do desperdício na red carpet. Enquanto isso, artistas como Cate Blanchett e a Duquesa de Cambridge reeditam looks do passado - embora ainda em minoria. Um dos motivos para que isso aconteça é que as marcas costumam emprestar os seus vestidos (uma opção mais ecológica do que criar um look customizado) o que significa que as celebridades nem sempre ficam com os vestidos que usam na passadeira vermelha.

“É raro ver celebridades repetir roupa na red carpet”, comenta Firth, acrescentando que a red carpet deve ser um local de inspiração. “É complicado, pois queremos sempre contar histórias diferentes e importantes sobre cada look. A grande mudança em repetir roupa e usá-la várias vezes tem de acontecer na nossa vida quotidiana.”

Escolher vintage

Jennifer Aniston em Dior primavera/verão 1999 © Getty Images

Vestir roupa vintage na passadeira vermelha é outra opção, uma que sem dúvida esteve em ascensão ao longo do ano passado: veja-se o vestido vintage de Cardi B, Thierry Mugler, nos Grammys de 2019; Gwyneth Paltrow num Valentino de 1963, nos Emmys; e Rihanna num Galliano vintage dos anos 90 na estreia de Queen & Slim, em Los Angeles, em novembro. 

A William Vintage, que comprou o manto de seda de Rihanna, nota um aumento nos pedidos, nos últimos tempos: “Definitivamente, existe uma crescente consciencialização global sobre sustentabilidade, o que é uma grande contribuição para o aumento da popularidade”, diz Marie Blanchet, CEO da loja de Londres. “Ao mesmo tempo, há um desejo crescente de usar peças únicas. Vestir roupa vintage significa que está a usar parte da história da moda e isso é francamente especial.”

Promover marcas sustentáveis 

As cerimónias de prémios também são uma oportunidade para as celebridades apoiarem marcas sustentáveis, como se vê pelo burburinho criado em torno de Joey King, da série The Act, ao usar a criadora holandesa Iris van Herpen. “[As celebridades] têm uma voz e um impacto globais; elas inspiram tantas pessoas em todo o mundo, por isso é realmente importante que elas personifiquem a importância da sustentabilidade”, conta van Harpen à Vogue. “A passadeira vermelha é um lugar para a personificação dos nossos valores e da forma como [queremos] viver.” 

Kevin Germanier, designer em ascensão que, vestiu artistas como Kristen Stewart, Tracee Ellis Ross e Björk, tranforma materiais reciclados (incluindo cristais Swarovski em bruto) em criações dignas da passadeira vermelha. “As celebridades podem assumir uma posição ao usar um vestido sustentável na red carpet”, declara. “Quero mostrar que a sustentabilidade pode ser fascinante; pode ser deslumbrante e colorida.”

Em última instância, as celebridades têm o poder de tornar o ato de vestir sustentável uma norma. “A red carpet é uma plataforma de comunicação muito poderosa”, conclui Firth. “Nós podemos usá-la de forma criativa e intencional, e envolver o consumidor [no debate] sobre o que a moda deve ser.”

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