Artigo Anterior

Emily Ratajkowski: "Para mim, tentar controlar as mulheres é o oposto de feminismo."

Próximo Artigo

Natal hoje, Natal sempre

Entrevistas 21. 12. 2018

Stylists de Hollywood falam sobre a estratégia por trás de um look de red carpet

by Radhika Seth

 

Qual o segredo em criar um look de red carpet que se destaque? Três dos melhores stylists de Hollywood revelam o processo à Vogue.

As passadeiras vermelhas nas premières de filmes e de festivais de cinema acontecem durante todos o ano, mas a award season - o período de dois meses no qual se destacam os Golden Globes e os Óscares - representa um desafio único. Para os atores, realizadores e guionistas nomeados, espera-os um ciclo de entrevistas, sessões de conversas e eventos de atribuição de prémios que requerem uma série de looks impressionantes. E é aqui que os stylists entram em jogo - pessoas especializadas em interpretar os dress codes, com um olhar meticuloso para os detalhes e com os contactos necessários para conseguir o vestido de sonho do cliente, diretamente da passerelle.

Saoirse Ronan em Versace nos Golden Globes 2018 ©GettyImages

"Há tantas coisas a considerar", diz Penny Lovell, a stylist britânica residente em Los Angeles, responsável pelos looks de red carpet de Rose Byrne e Chrissy Metz. “Com que designers queres trabalhar? O cliente quer algo personalizado? Devemos adaptar um vestido já existente?”. Num mundo onde a red carpet season de uma celebridade se traduz em galerias de Instagram, a forma como os looks funcionam lado a lado também é importante. “Estou sempre a pensar na história”, concorda Jason Bolden, o stylist responsável pelos sucessos de red carpet de Taraji P. Henson e Yara Shahidi. “Tem que fazer sentido para o cliente e mostrar também o seu ponto de vista. Às vezes o processo é muito pessoal.”.

Com Hollywood a recuperar do impacto sísmico dos movimentos #MeToo e Time’s Up, os stylists devem também considerar o impacto politico através do seu trabalho. “Os looks em preto dos Golden Globes tiveram um grande impacto”, disse Elizabeth Saltzman, que vestiu nomes como Saoirse Ronan e Gwyneth Paltrow. “Eu levo o meu trabalho muito a sério. Cada look tem de ser bem pensado. O mês passado, nos Governors Awards, eu escolhi um vestido branco com gola alta da Calvin Klein para a Saoirse. Foi o momento certo para aquele vestido, com os incêndios florestais a acontecer na Califórnia. Mas será que seria uma boa altura para usar lantejoulas?”.

Em contagem descrescente para a award season, a Vogue falou com Saltzman, Bolden e Lovell com o objetivo de aprender o processo, descodificar os looks perfeitos para a red carpet e descobrir os seus planos para o próximo ano. 

Elizabeth Saltzman

Clientes: Saoirse Ronan, Gwyneth Paltrow, Uma Thurman, Gemma Arterton, Phoebe Waller-Bridge e Jodie Comer.

 

Como se tornou stylist

Devo agradecer a Giancarlo Giammetti da Valentino. Eu e a Gwyneth éramos amiga há anos, mas o Giancarlo foi o primeiro a sugerir que eu a vestisse. Eu era editora de Moda da Vogue US, e depois da Vanity Fair, e por isso conseguia sempre arranjar vestidos às minhas amigas, mas não achava que conseguisse ser stylist. Mas um dia sentei-me com a Gwyneth, entrevistei-a e medi cada centímetro do seu corpo. Se ia fazer isto, queria faze-lo bem. Por sorte, foi um match perfeito. 

 
 
 
Ver esta publicação no Instagram

Uma publicação partilhada por Elizabeth Saltzman (@elizabethsaltzman) a

 

Sobre ser metódico

Fazer styling é como jogar xadrez - tens que estar sempre um passo à frente. Eu gosto de conversar com as pessoas e entender o que está a acontecer nos seus mundos e como se sentem. Depois penso nos designers com quem quero trabalhar, nas cores que me interessam e se o vestido já foi usado antes. Por fim, escolhemos o vestido, ou criamos um, e marcamos o fitting. Eu não costumo escolher muitos vestidos porque não gosto de dar falsas esperanças aos designers caso o look não funcione. 

A sua abordagem editorial 

A história como um todo é muito importante. Quando uma cliente está numa press tour, para mim é como trabalhar numa revista. Isso vem do meu treino de editorial - tu não trabalhas 30 anos numa revista e não sais a pensar assim. Há looks que são como as capas, que para mim são os looks de imprensa, aqueles que ela veste para pequenas entrevistas de pergunta-resposta e visionamentos de filmes. Depois há os looks nas páginas da revista, que contam histórias diferentes de noite e de dia. Por último, a parte de trás da revista é para os looks de festa.  

Sobre vestir Saoirse Ronan para a press tour de Lady Bird

Foi um dos meus trabalhos preferidos porque todos os looks da tour foram muito fortes. O vestido preto da Versace que levou aos Golden Globes deixou-me sem palavras, assim como o Gucci cor de laranja e cor-de-rosa, conjugado com os brincos Fernando Jorge. Depois tivemos o Calvin Klein com o laço cor-de-rosa nos Óscares. Eu e a Saoirse fomos de autocarro do hotel para a cerimónia - ela não se podia sentar porque não queríamos marcas de óleo no laço. Foi um grande momento que partilhei com ela. 

À esq. Saoirse Ronan em Calvin Klein; À dta. Saoirse Ronan em Gucci ©GettyImages

Os seus planos para a award season

Uma das minhas mulheres, Sandra Oh, vai ser anfitriã dos Golden Globes! Estou a começar a trabalhar com o designers nisso. Vou também vestir outra pessoa para basicamente todos os eventos no calendário.

Jason Bolden 

Clientes: Yara Shahidi, Sasha Lane, Taraji P. Henson, Ava DuVernay, Ryan Coogler e Zazie Beetz.

 
 
 
Ver esta publicação no Instagram

Uma publicação partilhada por Jason Bolden (@jasonbolden) a

 

Como começou na indústria da Moda

Cresci no centro oeste dos Estados Unidos da América e frequentei o curso de medicina, mas não me identifiquei. Acabei por conseguir um trabalho na área do retalho, e isso levou-me a abrir a minha própria loja vintage em Nova Iorque. O meu primeiro trabalho como stylist aconteceu quando recebi uma chamada da minha amiga Gabrielle Union. Ela convidou-me para ir à Art Basel e pediu-me para levar coisas da minha loja. Eu levei alguns vestidos vintage da Lanvin e Alaïa, aparecemos nos meios de comunicação e o resto é história. As chamadas começaram a chegar. 

Os seus métodos pouco convencionais

Isto pode soar um pouco estranho, mas quando recebo o calendário com os eventos vejo quais dos meus clientes estão convocados, aponto essa informação na minha cabeça e, em poucos dias, acordo com uma ideia na cabeça. Para mim o segredo está sempre nas silhuetas, por isso vou em busca das marcas que têm as que eu quero. Depois começo a pesquisar nas imagens dos desfiles, a percorrer as últimas cinco estações e a ver o que gosto. Sou um sortudo por ter clientes que confiam completamente em mim. Acho que na cabeça da maior parte das pessoas, os fittings envolvem sete charriots e 900 pares de sapatos. Os meus fittings consistem em dois ou três vestidos e cinco pares de sapatos, e no máximo fazemos dois fittings. 

O seu look favorito

O vestido customizado Alberta Ferretti que Taraji P. Henson levou aos Óscares, em 2017, é um dos meus preferidos. Esse foi um ano monumental para ela, com a estreia do filme Hidden Figures, e esse look foi uma homenagem a Katherine Johnson, a personagem dela no filme. Eu trouxe a equipa da Alberta Ferretti até ela, ajustámos a cintura, subimos um pouco a racha e foi isso!

Taraji P. Henson em Alberta Ferretti ©GettyImages

Planear a red carpet season

Às vezes, o primeiro look de red carpet é o que dá mais nas vistas e depois vou escolhendo looks mais discretos. Ou então começo com algo mais simples e depois aposto tudo nos Óscares. Depende de outras coisas também, como se o cliente tem um grande filme este ano. Por exemplo, Zazie Beetz estava a fazer uma press tour para o Deadpool 2. Ela entra nesse filme com vários atores homens e, por isso, quis algo divertido e relaxado: como t-shirts vintage com calças. Depois, para a última red carpet, que foi a estreia do filme em Nova Iorque, usou um vestido romântico e floral de Alta-Costura da Valentino. Foi, sem dúvida, o seu momento digno de um conto de fadas, e acredito que teve ainda mais impacto porque os seus outros looks foram mais discretos. 

Zazie Beetz em Valentino ©GettyImages

Regra de ouro para as escolhas de red carpet

Ter a certeza que o look espelha o estilo pessoal da cliente. Questionar: se eu não existisse, seria algo que iriam ter nos seus armários? 

Penny Lovell

Clientes: Kristen Wiig, Rose Byrne, Chrissy Metz, Taylor Schilling, Bella Heathcote e Mary Elizabeth Winstead.

Penny Lovell ©GettyImages

Background em Moda

Eu costumava trabalhar com o John Frieda, e depois fui relações públicas para a Burberry. Quando comecei a fazer styling, trabalhei para o The Sunday Telegraph, The Independent e Condé Nast Traveller. Depois disso, mudei-me para Nova Iorque e conheci a Keira Knightley numa sessão fotográfica. Ela era jovem e precisava de uma stylist para a sua próxima press tour, então perguntou-me se podia ser eu. Foi assim que comecei. 

O processo de planear um look

Para mim tudo depende da cliente, e cada caso é um caso, e são sempre todos diferentes. Às vezes tenho uma ideia e junto imagens para me exprimir, e às vezes a cliente tem uma ideia e vem ter comigo. Há uns anos atrás, numa altura em que as mulheres não usavam jumpsuits na red carpet, Rose Byrne quis usar um. Ela ligou-me e eu sugeri um jumpsuit de Alta-Costura da Elie Saab. Lembro-me do Ryan Seacrest na red carpet a dizer “Wow! Ela está a usar calças!” e a Rose disse, “Porque é que isso é relevante?”. Para mim o mais importante é que as minhas clientes possam sair à rua confiantes e fazer o trabalho delas. 

Rose Byrne em Elie Saab ©GettyImages

Sobre ter sempre opções suficientes

Às vezes vês algo na passerelle e sabes que é a escolha certa. Pode ser assim fácil, ou pode ser o último vestido que a cliente experimentar. Obviamente que também tens que ter backups. E se entornarem café na parte da frente do vestido à saída para o evento? Pode acontecer. Se não for um vestido customizado, então tenho que ter algumas opções. Vou sempre ter os meus favoritos, mas também vou ter outros para o caso desses não funcionarem tão bem.

A importância dos fittings

Eu evito sempre aqueles momentos em que as pessoas estão a usar algo sem alças e têm que estar sempre a puxar. Experimentar é mesmo importante para mim, e eu trabalho com uma costureira excelente. Ninguém devia ter de se preocupar com a possibilidade de o vestido cair na red carpet. Nós garantimos que esse tipo de coisas não acontecem para que a cliente posso estar à vontade.

A irreverência na red carpet

Um dos looks do qual estou muito orgulhosa este ano foi o da Chrissy Metz nos Emmys. Optamos por um look estilo anos 50 e sem alças. Eu trabalhei de perto com o designer para obter a forma e cor que queríamos. O resultado ficou fiel aos requisitos de Chrissy, que se sentiu fantástica com o vestido! Tu consegues sentir quando alguém se sente realmente bem com algo vestido.

Chrissy Metz ©GettyImages

Artigos Relacionados

Entrevistas 13. 12. 2018

Um ano depois, o impacto de #MeToo e Time’s Up

Um ano depois do escândalo que envolveu Harvey Weinstein, a Vogue conversou com quatro mulheres sobre o impacto global dos movimentos #MeToo e Time’s Up, que ecoaram em Hollywood e mais além.

Ler mais

Eventos 4. 3. 2018

Óscares 2018

O Teatro Dolby foi palco para a 90ª cerimónia de entrega dos prémios da Academia de Hollywood.

Ler mais

Vídeos 8. 1. 2018

Os discursos mais inspiradores dos Golden Globes

Oprah Winfrey, Nicole Kidman ou Reese Witherspoon foram algumas das mulheres que usaram o poder da palavra para inspirar o mundo.

Ler mais

Tendências 20. 12. 2017

Women in black

Percorremos os melhores looks de Alta-Costura da estação com um objetivo em vista: encontrar os coordenados preto total que, muito provavelmente, irão desfilar na red carpet dos Golden Globe Awards 2018.

Ler mais

Notícias 15. 12. 2017

Award Season: o protesto

Para mostrar solidariedade para com as vítimas de abuso sexual, o género feminino veste-se de preto já no próximo dia 7 de janeiro, nos Golden Globe Awards.

Ler mais

Este website utiliza cookies. Saiba mais sobre a nossa política de cookies.   OK