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Por onde andam as groupies?

14 Jun 2021
By Joana Rodrigues

Fanáticas, namoradas, colecionadoras – as groupies já não são o que eram, são poucas as que ainda existem nos moldes de há 50 anos. Mas não negamos que há algo de nostálgico no caos do cenário musical da época.

Fanáticas, namoradas, colecionadoras – as groupies já não são o que eram, são poucas as que ainda existem nos moldes de há 50 anos. Mas não negamos que há algo de nostálgico no caos do cenário musical da época.

Quando as bandas ainda faziam digressões à volta do mundo (sim, Covid, estamos a olhar para ti), nunca iam sozinhas. Muitas boy bands de rock dos anos 60 e 70 eram perseguidas por mulheres – super fãs – que faziam de tudo para passar umas horas com os membros das bandas. Muitas vezes adolescentes, estas jovens foram chamadas de groupies pela autora Mary McCarthy. O crédito deste fenómeno pode ser atribuído aos The Rolling Stones, que carregam uma reputação de usufruir da companhia de muitas jovens durante o seu auge.  

Os ícones

Foi em 1965, em Munique, que Anita Pallenberg conheceu os membros dos The Rolling Stones, antes da banda ter alcançado o pico de fama. A atriz iniciou uma relação com o guitarrista e fundador da banda, Brian Jones. Anita acompanhou os músicos nos seus concertos durante o relacionamento de dois anos e meio com o guitarrista. A jovem era conhecida por ser obcecada com magia negra – a atriz fazia-se acompanhar de um dente de alho a toda a hora, até para ir dormir, para afastar vampiros. A relação de Anita com Jones chegou ao fim em 1967, depois do músico ter sido violento com a namorada em Marrocos.

Mick Jagger, Anita Pallenberg e Keith Richards © Getty Images
Mick Jagger, Anita Pallenberg e Keith Richards© Getty Images

Nessas mesmas férias, estava presente Keith Richards, guitarrista e compositor dos The Rolling Stones, que, ao assistir ao ataque do seu colega, levou Anita consigo de volta para Londres. A atriz passou a viver com o compositor, com quem teve uma relação até 1980. O casal teve três filhos.

Quando uma professora de arte lhe pediu que fizesse um molde de gesso de algo duro, Cynthia Albritton decidiu fazer o molde dos genitais de Jimi Hendrix. Em 1968, a jovem mudou-se para Los Angeles, onde começou a colecionar moldes de dezenas de rock stars. O músico Frank Zappa tornou-se uma espécie de mecenas de Cynthia. Apesar de nunca se ter juntado à coleção, Zappa impulsionou a arte da jovem e tentou que se fizesse uma exposição com as peças. A mostra só aconteceu em 2000, já depois da morte do músico. A coletânea de Cynthia conta com membros dos Beach Boys, The Kinks e dos Nine Inch Nails.

Cynthia Albritton e Jake Shillingford © Getty Images
Cynthia Albritton e Jake Shillingford © Getty Images

Mais conhecida como “a rainha da manteiga”, Barbara Cope tinha 15 anos quando começou a acompanhar a digressão de Jimi Hendrix. A alcunha vem por, alegadamente, Barbara utilizar manteiga nos seus encontros sexuais com as rock stars. Talvez reconheça o nome, que é referenciado na música Rip This Joint dos The Rolling Stones (Down to New Orleans with the Dixie Dean / ‘Cross to Dallas, Texas with the Butter Queen). Em 1970, a jovem juntou-se, depois, a Joe Cocker e até aparece no documentário Mad Dogs & Englishmen, que retrata a digressão do músico. Barbara alega ter tido relações sexuais com mais de dois mil músicos.

Foi aos 14 anos que Lori Mattix conheceu David Bowie e, alegadamente, teve relações sexuais com o músico. No mesmo ano de 1972, a jovem iniciou um relacionamento com o guitarrista dos Led Zeppelin, Jimmy Page, que na altura tinha 28 anos. A relação entre os dois foi mantida em segredo durante um ano, para evitar que o músico fosse acusado de violação – a jovem era mantida num quarto de hotel guardado por um segurança durante os concertos da banda. Os dois separaram-se quando Lori fez 16 anos e a jovem alega ter tido uma relação com Mick Jagger não muito depois.

John Bohnam e Lori Mattix © Getty Images
John Bohnam e Lori Mattix © Getty Images

Em 1987, Pamela des Barres publicou o memoir I’m with the Band, em que revela os seus tempos de groupie nos anos 60. A jovem é conhecida por ser associada a bandas como os The Rolling Stones e os The Doors. Pamela revela que teve relações amorosas com Mick Jagger e Jimmy Page, e que era babysitter dos filhos de Frank Zapa.

A part-time groupie

A super fã moderna em nada tem a ver com a de há 50 anos. A rock star já não é o centro do seu mundo, cada vez mais é um acessório. A groupie muitas vezes é namorada, ou mesmo esposa, de um dos membros de uma banda, mas ser admiradora é apenas uma função em tempo parcial.

O melhor exemplo são as J Sisters – as esposas dos membros dos Jonas Brothers. Priyanka Chopra, esposa de Nick Jonas, assume-se sem rodeios como uma groupie da banda. A atriz já apareceu em videoclipes dos Jonas Brothers, e é frequentemente vista em concertos da banda. Já Sophie Turner, a atriz de Game of Thrones e esposa de Joe Jonas, promove regularmente a música e os projetos do marido. Também Sophie e Danielle Jonas (casada com Kevin Jonas) apareceram em vídeos da banda, nomeadamente nos singles Sucker e What a Man Gotta Do.

Mas talvez a mais icónica groupie de hoje seja Devon Lee Carlson, namorada do vocalista dos The Neighbourhood, Jesse Rutherford. O par está junto desde 2015 e a modelo é muitas vezes vista nas redes sociais com a banda em concertos e nos bastidores. No videoclipe do single Stargazing, publicado em dezembro de 2020, Devon interpreta uma verdadeira groupie, que se juntou à banda em digressão na sua rulote.

A groupie anónima

Os inconfundíveis One Direction, formados em 2010 depois do sucesso no programa britânico X Factor, deram 1491 concertos, entre 2011 e 2015. Estima-se que, só em 2015, a banda tenha feito mais de 130 milhões de dólares e que em 2020 tinha vendido mais de 200 milhões de discos, tornando-se, assim, numa das best-selling boy bands de sempre. Apesar da saída de Zayn Malik em 2015, o grupo ainda produziu um último álbum e fez uma digressão mundial. Os One Direction ganharam a sua fama por anunciarem o regresso das boy bands, mesmo não sendo igual ao período vivido nos anos 60 e 70. A groupie desta altura não poderia ter sido como há cinquenta anos atrás – a idade tenra das fãs (directioners) não permitiria que uma relação com um membro da banda fosse aceite.

One Direction © Getty Images
One Direction © Getty Images

Com o lento desconfinamento por todo o mundo, não podemos deixar de pensar no que espera ao futuro da indústria musical e como será o retorno aos concertos e festivais de música. É seguro dizer que estamos todos em pulgas para voltarmos a estes eventos - estará esta euforia a anunciar o regresso da groupie?

Joana Rodrigues By Joana Rodrigues

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