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Quem é Pieter Mulier, o novo diretor criativo da Azzedine Alaïa?

09 Feb 2021
By Rui Matos

A 05 de fevereiro a Azzedine Alaïa anunciou Pieter Mulier como o novo diretor criativo, três anos após o desaparecimento do fundador, considerado um dos últimos grandes couturiers do século XX. Mas afinal quem é Mulier? A Vogue conta-lhe tudo.

A 05 de fevereiro a Azzedine Alaïa anunciou Pieter Mulier como o novo diretor criativo, três anos após o desaparecimento do fundador, considerado um dos últimos grandes couturiers do século XX. 

Não é um dos nomes mais sonantes da indústria e para quem esperava um designer celebrity na Azzedine Alaïa, o anuncio revelou-se surpreendente. Pieter Mulier está longe de ser um debutante. O criador, nascido na Bélgica, conta já com a sua mão em algumas das coleções mais influentes dos últimos 20 anos. Foi no atelier de Raf Simons, como estagiário, que Mulier iniciou o seu percurso na Moda, tornando-se mais tarde o braço direito de Simons nos momentos mais importantes da sua carreira, primeiro na Jil Sander, transitando para a Christian Dior e mais tarde como o número dois de Simons na Calvin Klein. Mas é o facto de não ser um nome de peso que torna o seu anúncio na Azzedine Alaïa tão apetecível, dizemos até o match perfeito. 

Foi na década de 80, em Paris, que Azzedine Alaïa fundou a sua marca homónima. O criador tunisiano é considerado um dos últimos grandes couturiers do século XX e sempre fez as coisas à sua maneira, fugindo ao calendário tradicional da Moda, apresentando as suas coleções somente quando achasse que estavam realmente prontas. Longe do lado mais corporativo da indústria, é conhecido, relembrado e aplaudido pelo trabalho exímio que foi fazendo com a sua roupa, esculpindo o corpo feminino e transformá-lo em verdadeiras obras de arte. “Através do prodígio criativo e da dedicação do nosso querido fundador Azzedine Alaïa, a nossa maison é definida por uma visão poderosa de feminilidade e sensualidade, que nos distinguirá para sempre,” afirmou Myriam Serrano, chefe-executiva da marca, no anúncio. “Pieter destaca-se pelo notável talento técnico e pela devoção ao lado mais artesanal, um olhar refinado para a construção e um olhar único para a beleza intemporal que está profundamente enraizado na abordagem criativa da nossa maison. A sua nomeação marca o início de um novo capítulo.”

 

A primeira coleção que Pieter Mulier assinará na Azzedine Alaïa será para a primavera/verão 2022, no entanto, e seguindo as pegadas da marca, a data em que será apresentada não é conhecida. “A poderosa visão de Azzedine Alaïa é uma inspiração, uma vez que sempre procurou dar o tempo necessário para uma criação inovadora e duradoura. É com grande admiração e responsabilidade que procurarei levar mais longe do seu legado de celebrar a feminilidade e, em conjunto, moldar o futuro desta Maison,” afirmou Mulier no comunicado que o anunciou como diretor criativo. 

Enquanto aguardamos, ansiosamente, pela estreia de Pieter Mulier na Azzedine Alaïa reunimos algumas curiosidades sobre o designer belga que, 20 anos depois do seu começo, está pronto para o seu close up.

A formação de Pieter Mulier não passou pelo Design de Moda

Foi no Institut Saint-Luc, em Bruxelas, conhecido pelos grandes artistas e ilustradores que por lá passaram que Mulier estudou. Mas foi no curso de Arquitetura que se matriculou. O sue mentor, Raf Simons também não estudou de Design de Moda, a formação de Simons é Design Industrial na Escola de Artes LUCA, na cidade de Genk, também na Bélgica. 

O braço direito de Raf Simons

Foi como estagiário, a convite de Raf Simons, que Pieter Mulier entrou no seu atelier, trabalhando na coleção que Simons iria apresentar para o outono/inverno de 2002, a Virginia Creeper Collection. Um ano depois regressão à casa que o viu nascer e assume o cargo de senior head designer, ficando responsável pelas coleções masculinas até ao ano de 2010. Entre 2006 e 2009, foi consultor na Jil Sander, durante o período em que Raf Simons era o diretor criativo, somente em 2010 é que se mudou definitivamente para a marca fundada pela designer alemã. 

Dois anos depois, quando Raf Simons se mudou para a Christian Dior, Mulier seguiu-lhe os passos. Foi durante esse período e graças ao documentário Dior and I, que registou todo o processo criativo por detrás da coleção de estreia de Alta-Costura de Simons na Christian Dior que o mundo teve um pequeno vislumbre de Pieter Mulier. 

Em 2016, Raf Simons e Pieter Mulier deixam a Europa e rumam à Big Apple. Simons assumiu a liderança da  Calvin Klein e nomeou Mulier como diretor criativo da linha feminina da marca norte-americana. A coleção de estreia, a coleção do outono/inverno 2017, foi um verdadeiro sucesso para a crítica especializada que não lhe poupou elogios. Simons levou Mulier ao agradecimento final.

Raf Simons e Pieter Mulier, 2017. © Getty Images
Raf Simons e Pieter Mulier, 2017. © Getty Images

Sobre a sua relação com Raf Simons, Pieter Mulier contou à revista Another: “Passou de colegas de trabalho para uma amizade. Acho sempre que foi como um jogo de ping-pong. O Raf ensinou-me muito sobre arte - sabes que as referências deles são sobre arte e arquitetura - e, felizmente, essa é também a minha formação, então isso ajuda e funciona nos dois sentidos.”

Apesar de não ter seguido Raf Simons para a Prada, deixando muitos dos fashion insiders com a pulga atrás da orelha, a verdade é que Pieter Mulier assume agora um dos trabalhos mais cobiçados em Paris. 

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