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Tendências 12. 9. 2019

Qual é, afinal, a diferença entre pele seca e pele desidratada?

by Mónica Bozinoski

 

Pode ser um exercício meticuloso, mas é sempre o mais eficaz. Na procura de compreender melhor a pele, mergulhámos em águas turvas, mas voltámos à superfície com a resposta para o debate pele seca versus pele desidratada.

 Fotografia de Fernando Gomez. Cabelos e maquilhagem de Rosa Matilda.

Na infinidade de frases, páginas e capítulos dedicados ao á-bê-cê da pele, aquilo que sabemos sobre o maior órgão do nosso corpo é um eterno jogo de força entre mitos e factos. Submergir na imensidão do conhecimento cosmético é sinónimo de encontrar certezas tão antigas como “a pele é um reflexo das nossas escolhas” ou “envelhecer é um destino inevitável”. Outra verdade, talvez mais surpreendente do que a importância de usar protetor solar todos os dias, ou seguir religiosamente a máxima de retirar a maquilhagem antes de dormir, é a diferença silenciosa entre pele seca e pela desidratada. Convencionadas como palavras sinónimas, “seca” e “desidratada” não poderiam ser duas noções mais distintas — e as disparidades começam assim que procuramos compreender o seu significado no universo dermatológico. A resposta é, respetivamente, um tipo de pele e um estado de pele.

“O tipo de pele e o seu grau de hidratação é geneticamente determinado: existem pessoas com pele nor
mal, oleosa, mista ou seca”, diz-nos a dermatologista 
Paula Quirino. Na sua essência, a pele seca, pela qual
 podemos culpar a árvore genealógica, distingue-se 
pela produção insuficiente de sebo ou de óleo. Se, para
 a pele oleosa, estas palavras representam um filme 
de terror, para a pele seca, são um romance distante. Com um papel essencial na retenção da hidratação, a falta destes agentes naturais e fundamentais ao funcionamento ótimo da pele reflete-se no aspeto escamado e áspero, e numa maior tendência a rugas pronunciadas. A par das causas hereditárias, o clima e o envelhecimento, que diminui de forma significativa a produção de sebo, afiguram-se como fatores que agravam as características da pele seca.

Na sua essência, a pele seca distingue-se 
pela produção insuficiente de sebo ou de óleo.

O cenário não é o mais atrativo, mas, como diz o ditado, depois da tempestade vem a bonança — e se as inovações constantes e fascinantes da indústria da Beleza nos continuam a ensinar algo, é que nunca nada está verdadeiramente perdido. Apesar de o tipo de pele com que nascemos ser permanente, como explica Paula Quirino, “a pele seca não é patológica”. Este suspiro de alívio significa que, com cuidados específicos, capazes de manter os níveis de hidratação, é sempre possível melhorar a aparência da pele. Os conselhos da dermatologista passam por “utilizar produtos direcionados ao longo do ano, particularmente durante o inverno”, sem nunca esquecer os meses de verão, quando a proteção solar deve ser reforçada.

Continuamos o debate e passamos a palavra à pele desidratada. Ao contrário da pele seca, a pele desidratada define-se como um estado, temporário, que ocorre quando existe falta de água nas camadas superiores da epiderme. Como esclarece Paula Quirino, apesar de “a pele seca ser mais suscetível à desidratação e ter tendência a enrugar com mais facilidade”, a verdade é que “qualquer tipo de pele, em qualquer zona do corpo, pode ficar desidratada”. Podemos garantir que não acabou de ler uma frase retirada de uma obra de ficção — pele normal, mista, e até mesmo oleosa, podem passar algumas temporadas no deserto do Saara. Como reconhecer que a pele precisa de um boost de hidratação? Estar alerta para sinais como “aspeto rosado, áspero, descamativo e fissurado”, bem como sensação de desconforto que, como nos diz a especialista, pode surgir num grau de intensidade variável.

A pele desidratada define-se como um estado, temporário, que ocorre quando existe falta de água nas camadas superiores da epiderme.

Quanto aos porquês da desidratação da pele, como clarifica Paula Quirino, estes estão diretamente ligados a “fatores que alteram a função barreira da pele”. Entre eles, a dermatologista destaca fatores genéticos, associados à idade ou a desequilíbrios hormonais, fatores patológicos, como psoríase ou eczema atópico, fatores externos como a temperatura, a humidade, a radiação ultravioleta e a poluição, e ainda fatores internos, como o nosso maior inimigo, o stress. Aquilo que pomos no rosto e no organismo, por mais cliché que possa parecer, também desempenha um papel fundamental no estado de hidratação da pele. Como nos explica a dermatologista, os fatores iatrogénicos, como tópicos para acne ou para rugas, e mesmo fármacos orais, podem ser apontados como possíveis causas para o estado de pele desidratada.

O segredo para conseguir levantar a poeira e preservar o fator de hidratação natural da pele? “Aplicar produtos que, ao serem absorvidos pelas camadas superiores da epiderme, impeçam a perda de água transepidérmica, mantendo assim a pele hidratada por mais tempo”, recomenda a especialista.

Na clareza daquilo que separa a pele seca da pele desidratada, existe, contudo, um porto de abrigo comum: a importância da ingestão de água para a hidratação cutânea. Não é uma noção revolucionária, uma ideia pioneira ou a inovação do século, mas, até prova em contrário, vamos continuar a recorrer a esta velha máxima com a mesma segurança de uma boia salva-vidas .

Artigo originalmente publicado na edição de junho 2018 da Vogue Portugal.

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