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Nos teus curtos 37 anos, viveste mais do que muitos centenários. O mais velho de seis irmãos, soubeste desde cedo o que é a solidão e o abandono, o que é não conhecer carinho, nem mesmo dos que mais to deviam. Aquela tua infância, “austera e fria”, como tu próprio a descreves, marcou só o início do que viria a ser uma sucessão sem fim de desgosto e mágoa. Na verdade, o começo das tuas angústias veio ainda antes de ti. Vincent, esse nome que te faz ser Vincent, nem teu é - a herança de um irmão defunto, cujo nome e dia passaram a ser teus também. Talvez não soubesses como ser quem querias, talvez pensasses ser apenas a sombra de um filho perdido.
Descobriste a arte logo cedo, esta que se tornou o teu refúgio, por incentivo da tua mãe, também artista. Perseguiste a ambição de um futuro rico e realizado, no qual os óleos eram o teu sustento. As tuas primeiras peças expressam a melancolia como vias a cidade, as dunas e os aldeões. As tuas camponesas estavam desgastadas e esgotadas - mas estavam mesmo, ou serão elas uma reflexão de ti mesmo? Esta visão era criticada pela Academia de Belas Artes em Antuérpia, nem mesmo na escola te deixavam ser Vincent, talvez porque sabiam também que não o eras.
Diz-se que vivias à base de café, cigarros e pão, mas nem assim te chamavam artista. As perturbações que te assombraram tornaram-se finalmente visíveis e inegavelmente reais quando, em 1888, cortaste a tua própria orelha - um espelho do remorso por teres ameaçado o teu cúmplice na pintura, Paul Gauguin. Não foi muito tempo depois que foste admitido no asilo psiquiátrico durante um ano de muita angústia, mas também muita pintura. Se estivesses aqui hoje, verias que os trabalhos que completaste durante esse ano são os teus mais conhecidos e prestigiados quadros. Aliás, a tua marca, a tua assinatura, é exatamente o espelho da tua reclusão: o cenário noturno que vias da janela do teu quarto no asilo.
Morreste pelas tuas próprias mãos, mas nem a tua partida foi fácil - foram mais de 30 horas em agonia, depois de te teres baleado no peito*. Vincent, cujo nome não é teu, nem a tua morte foi tua. Naquele idílico campo de trigo em que puxaste o gatilho, querias ter sido teu por um último momento, mas acabaste junto do teu irmão, ele que durante tantos anos te sustentou.
Partiste enquanto pintor perdido, sem o reconhecimento que sempre ambicionaste. Mas, Vincent, se estivesses aqui verias no que te tornaste. Graças à tua cunhada, que viu em ti o teu valor, todos sabem quem tu és. Todo o mundo conhece a vista noturna que tinhas do teu quarto no asilo e o café que visitavas à noite.
Se visses o mundo de hoje, saberias que tens um museu com o teu nome. Os teus quadros estão expostos por todo o mundo, onde as pessoas pagam para os ver. A tua Noite Estrelada vale mais de cem milhões de euros. As pessoas querem conhecer-te, Vincent, como viveste, onde dormias, querem deixar-se ser engolidas pelos teus campos e girassóis.
Se estivesses connosco, verias que o teu trabalho influencia a forma como vivemos e vemos o mundo hoje. Há músicas em tua homenagem, livros e poemas inspirados em ti. São inúmeros os filmes feitos sobre a tua vida e arte. Em 2017, foi lançado um filme, Loving Vincent, uma biografia que foi feita totalmente em pintura a óleo: ao longo de dez anos, 125 artistas pintaram mais de 65 mil quadros, que no fim fizeram a produção. É como ver um filme criado por ti.
É bonito pensar em quanto o mundo mudou. Desde essa derradeira madrugada em 1890 em que partiste, os teus desenhos já não são inúteis, são obras de arte. Deixaste de ser o louco da aldeia, agora és um dos mais influentes artistas da pintura impressionista. Se estivesses aqui, hoje, talvez ficasses finalmente em paz por ver onde chegaste, onde van Gogh chegou. O teu nome é finalmente teu, Vincent.
* A causa da morte de Vincent van Gogh ainda permanece incerta. Estudos recentes sugerem que o pintor pode ter sido baleado, e não ter-se suicidado.
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