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Curiosidades 9. 3. 2020

A história de uma Panthère imortal

by Rui Matos

 

A coleção Panthère de Cartier é o epitome da feminilidade, da sensualidade e da liberdade. Valores que permanecem desde o ano de 1914, que assinala a primeira aparição deste felino numa criação da marca.

© Instagram.com/cartier

“Esmeraldas, onyx, diamantes, um alfinete!” Reza a lenda que estas foram as palavras que Jeanne Toussaint gritou quando viu uma pantera durante um safari que estava a fazer com Louis-François Cartier. À época , já Toussaint era diretora do departamento de joias de luxo da Cartier, posição que assumiu em 1933, três décadas depois de ter integrado a Maison francesa, em 1913 como diretora de carteiras, acessórios e objetos. 

Apesar de Toussaint ser conhecida como “the Panthère”, nickname que Louis Cartier lhe deu, a primeira vez que uma pantera foi introduzida nas coleções Cartier foi em 1914, num relógio de pulso feminino em onyx e diamantes com o padrão do felino. Nesse mesmo ano, a Cartier pediu a George Barbier uma ilustração de uma mulher acompanhada por uma pantera que serviria como convite para uma exposição de joias. Mas as ambições de Jeanne Toussaint - uma das primeiras mulheres a assumir as rédeas de uma marca de joias nos anos 30 - ao utilizar a imagem deste felino iam muito além de ilustrações e padrões. 

A primeira pantera em três dimensões foi introduzida em 1948, através de uma encomenda feita por Eduardo VIII, Duque de Windsor, para a sua mulher Wallis, Duquesa de Windsor. A peça foi criada a partir de uma esmeralda de 116.74 quilates que Eduardo VIII guardava na sua coleção pessoal. Este alfinete tinha uma pantera em ouro e onyx sentada em cima de uma esmeralda enorme. Um ano mais tarde, e seguindo o lema “ano novo, pantera nova”, o casal voltou a encomendar outro alfinete à casa francesa, desta vez em safira. Os membros da família real britânica não foram os únicos a renderem-se aos encantos deste felino, personalidades como Daisy Fellowes, Nina Aga Khan, Barbara Hutton, Elizabeth Taylor, María Félix e Monica Bellucci são algumas das personalidades que incorporam o espírito feminino e audaz que estas joias transmitem a quem as usa.  

“Jean Toussaint era uma mulher muito vanguardista, quer na sua vida privada, quer na sua profissão. Definitivamente, Toussaint apoiava o empoderamento feminino através das suas criações fortes, mas também muito flexíveis e maleáveis, com o objetivo de permitir às mulheres uma facilidade no movimento e de as incentivar a ter uma nova liberdade e atitude,” confessou o departamento de herança da Cartier, numa entrevista à Vogue Austrália. A criadora francesa foi uma figura importante para abrir o caminho a uma nova geração de mulheres na indústria da joalharia, sem esquecer que pensou no design das joias de uma maneira que estas peças enaltecessem a beleza e personalidade de quem as usava. 

Dos alfinetes às pulseiras, dos colares aos relógios, dos brincos aos anéis, dos perfumes às carteiras, a pantera está presente na Cartier há 106 anos e é, sem qualquer dúvida, um símbolo da Maison francesa e do legado de Jeanne Toussaint, que deu a este felino uma estética mais escultural - a designer incentivou a sua equipa de criadores a visitar os zoológicos em Paris para poderem desenhar as panteras em todas as suas posições. 

Desde a sua primeira aparição, numa joia de Jeanne Toussaint, a motivos inspirados pela art deco, passando pelas joias dos anos 80 e pelos designs mais contemporâneos, a coleção Panthère de Cartier tem sido reinterpretada pela Maison francesa assim como o tweed é pela Chanel. A inspiração e o ADN que a tornaram um ícone imortal permanecem intactos, mas o design foi-se moldando às tendências do agora. 

Em 2020, à vasta coleção junta-se La Panthère, uma nova pulseira em ouro amarelo, onyx, esmeraldas e diamantes, com a expressão felina a dar continuidade à feminlidade, à elegância e sensualidade que uma pantera exige. 

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Cartier [Lisboa]
Av. da Liberdade 240 A,
1250-148 Lisboa
T. 213 302 420

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