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Outubro Rosa: eis como reduzir o risco de cancro da mama

15 Oct 2026
By Maria Berentzen

Valeria Buldini fotografada por Antonio Dicorado, com styling de Sergio Alvarez para o The Big Book of Trends da Vogue Portugal, publicado em setembro de de 2024.

Uma em cada oito mulheres desenvolve cancro da mama ao longo da vida. Este número é assustador – mas há esperança, pois muitos fatores de risco podem ser controlados. Neste mês dedicado à consciencialização do cancro da mama analisamos esses fatores.

O cancro da mama é um dos tipos de cancro mais comuns entre as mulheres em Portugal. Anualmente, mais de 9 mil mulheres são diagnosticadas com esta doença. Estatisticamente, cerca de uma em cada oito mulheres será afetada ao longo da vida. Embora não seja possível evitá-lo completamente, é possível influenciar o risco. Existem, de facto, fatores que aumentam a probabilidade de desenvolver a doença e outros que podem ajudar a reduzi-la.

Nada disto oferece garantias. Por vezes, é simplesmente azar. Ainda assim, vale a pena reduzir o próprio risco tanto quanto possível. O professor Olaf Ortmann, membro da direção da Sociedade Alemã do Cancro e diretor da Clínica Universitária de Ginecologia e Obstetrícia de Regensburg, explica como o fazer.

O papel da hereditariedade no cancro da mama

Quando a mãe já teve cancro da mama ou irmã também o tem, o risco de cancro da mama pode ser hereditário: “Já se conhecem, entretanto, várias mutações genéticas que conduzem a um risco acrescido de cancro da mama”, afirma o ginecologista Ortmann. No entanto, isso diz respeito apenas a uma pequena parte dos casos. Na maioria dos casos, a causa é desconhecida.

“Os genes mais conhecidos e há muito identificados são o BRCA1 e o BRCA2”, afirma o especialista. “Quando sofrem mutações, perdem o seu efeito protetor na mama”. Na verdade, estes genes têm a função de reparar alterações no material genético e, assim, prevenir o cancro. Se isso não funcionar, o risco de as mulheres afetadas desenvolverem cancro da mama aumenta consideravelmente. Na população em geral, esse risco situa-se em cerca de 12%. “Nas mulheres portadoras de mutações nos genes BRCA, o risco pode aumentar até 80%”.

Por isso, as mulheres em que a mutação é conhecida recebem aconselhamento específico. Isto aplica-se, por exemplo, a um rastreio precoce rigoroso e intensivo ou a cirurgias em que as mamas são removidas a título preventivo. A atriz Angelina Jolie, por exemplo, decidiu dar este passo há alguns anos para reduzir o seu risco.

As hormonas podem aumentar o risco

As hormonas sexuais também podem aumentar o risco de cancro da mama, em especial os estrogénios e as hormonas do corpo lúteo, como a progesterona. “Isto inclui tanto as hormonas produzidas pelo próprio organismo como as hormonas utilizadas para fins terapêuticos”, afirma o médico. A terapia de substituição hormonal durante e após a menopausa também desempenha um papel no cancro da mama.

Regra geral, segundo o especialista, as mulheres têm de tomar hormonas durante vários anos para que o risco de cancro da mama aumente de forma relevante. No entanto, a terapia de substituição hormonal durante a menopausa e após esta pode aumentar significativamente o bem-estar em algumas mulheres. “Nestes casos, é necessário ponderar os benefícios e os riscos”. Mesmo quem utiliza contraceção hormonal e toma a pílula pode, por esse motivo, apresentar um risco ligeiramente mais elevado de cancro da mama. “No entanto, estes efeitos são relativamente ligeiros”, afirma o especialista.

Como prevenir o cancro da mama através de hábitos saudáveis?

Todos os anos, cerca de 9 mil mulheres em Portugal recebem o diagnóstico de cancro da mama. Assim, o cancro da mama é, de longe, o tipo de cancro mais frequente nas mulheres. Ainda assim, vale a pena relembrar que os homens também podem ter cancro da mama, mas é muito raro. Além disso, o cancro da mama é o tipo de cancro mais frequente nas mulheres.

Quem quiser reduzir o seu risco, do ponto de vista estatístico, deve prestar especial atenção à alimentação e ao peso corporal: o excesso de peso aumenta o risco. Especialmente quando o Índice de Massa Corporal (IMC) é superior a 30. “O risco de cancro da mama pode duplicar devido a isso”, afirma Ortmann.

Quem reduz o peso, por outro lado, diminui esse risco. Isso tem ainda a vantagem de reduzir também o risco de enfartes do miocárdio, doenças cardiovasculares e doenças metabólicas. Segundo o especialista, as mulheres devem, por isso, procurar manter o seu peso normal. Ou tentar voltar a atingi-lo.

O consumo de álcool e o tabagismo também podem aumentar o risco de cancro. Por isso, o ideal é abster-se completamente destas práticas ou, pelo menos, controlar bem o consumo de álcool e não exagerar.

A alimentação também tem influência?

Além disso, há indícios de que a composição da alimentação também desempenha um papel quanto ao cancro da mama. “Estudos de grande escala demonstraram que, para além do risco de doenças cardiovasculares, também o risco de cancro pode ser reduzido através de uma dieta mediterrânica”, afirma o médico.

Mais concretamente, isto significa que o risco de cancro da mama e de outros tipos de cancro diminui quando se consomem muitos vegetais e pouca carne e, sobretudo, quando se procura ingerir o mínimo possível de gorduras animais. Atribui-se também um efeito benéfico a determinados óleos, como o azeite.

Como o exercício físico reduz o risco de cancro na mama?

Além disso, estudos demonstram que a prática de desporto pode reduzir o risco de cancro da mama e de outros tipos de cancro. Para tal, basta fazer caminhadas rápidas durante três a cinco horas por semana ou praticar outra atividade física de intensidade semelhante. Existem ainda indícios de que a amamentação reduz o risco de cancro nas mães.

Como avaliar o risco?

Existem vários programas que permitem calcular o risco pessoal de cancro da mama. Entre os fatores que influenciam essa avaliação contam-se, por exemplo, os antecedentes pessoais, os exames físicos e também a densidade mamária, que pode ser determinada através de uma mamografia. “Um dos fatores de risco mais significativos são as mutações genéticas hereditárias”, afirma Ortmann.

A existência de uma mutação genética específica é então investigada quando, com base no historial familiar, existe uma certa probabilidade de que tal ocorra. É o caso, por exemplo, quando familiares próximos tiveram cancro da mama com frequência ou ainda em idade muito jovem. “O aconselhamento a este respeito pode ser prestado por geneticistas, ginecologistas ou ainda por centros especializados em cancro da mama e dos ovários de origem familiar”, afirma o especialista.

Tudo o que precisa de saber sobre a prevenção

Quanto mais cedo o cancro da mama for detetado, melhores são as hipóteses de cura. As mulheres têm direito a consultas de rotina através do Sistema Nacional de Saúde. Recomenda-se, além disso, que as mulheres realizem regularmente a auto-palpação da mama. Entre os 45 e os 74 anos, as mulheres são, além disso, convidadas a realizar uma mamografia de rastreio de dois em dois anos. Este exame radiológico faz parte do programa nacional de deteção precoce. Encontrará mais informações, entre outros locais, na Liga Portuguesa Contra o Cancro.

Traduzido do original, disponível aqui.

Maria Berentzen By Maria Berentzen

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