Num dos momentos mais marcantes da sua vida pessoal e profissional, Olga Leventis falou com a Vogue Portugal sobre a chegada do seu novo filho e a nova vertente da sua fundação Uprising – o Surf Lab, um projeto com grande impacto social que se associa ao surf da Nazaré.
Modelo, empreendedora e mãe, Olga Leventis afirma-se como uma presença marcante e influente. Atualmente, vive dois novos (e importantes) momentos da sua vida: a chegada do seu terceiro filho com o marido Nick, e a expansão da sua fundação Uprising — desta vez, numa nova vertente na Nazaré, com o Uprising Surf Lab.
Para desvendar um pouco mais sobre estes dois novos capítulos, a Vogue Portugal conversou com Olga, que partilhou o propósito por detrás da instituição, assim como reflexões sobre o seu percurso pessoal e a forma como projeta o futuro à luz das novidades que se avizinham.

Apesar de estar agora grávida, já foi mãe anteriormente. Como tem sido a experiência desta vez?
Cada gravidez é diferente, mesmo quando pensamos que sabemos o que esperar. Desta vez, sinto-me muito mais atenta ao meu corpo e com um maior respeito para com os meus ritmos. Com o meu primeiro filho, estava constantemente a tentar “fazer tudo certo”. A minha segunda gravidez já foi mais focada na saúde e no descanso. Esta tem sido a mais difícil até agora – com enjoos matinais intensos, mais fadiga e momentos que realmente me obrigam a abrandar. A gravidez ensina-nos a ter paciência de uma forma muito física. Relembra-nos que nem tudo pode ser controlado e que a confiança é essencial.
A maternidade mudou algumas das suas perceções pessoais ou profissionais?
Sem dúvida. A maternidade mudou a minha definição de sucesso. Costumava medir as coisas em termos de velocidade, produtividade e resultados. Agora, valorizo muito mais a consciência, o impacto e o significado. Profissionalmente, isso tornou-me mais focada – não perco tempo com coisas que não se alinham com os meus valores. Já pessoalmente, tornou-me mais suave, mas também mais forte.
A família ocupa um lugar central na sua vida, assim como o seu trabalho. Como conseguiu encontrar um equilíbrio saudável entre o trabalho e a sua vida em casa?
O equilíbrio não é algo que se alcança de uma vez só. É algo que se ajusta constantemente. Deixei de acreditar em horários perfeitos ou regras rígidas. Alguns dias são mais focados no trabalho, outros pertencem inteiramente à minha família. O que importa é estar totalmente presente onde quer que esteja. Aprendi a estabelecer limites mais claros, a dizer que não com mais frequência e a aceitar que o equilíbrio é diferente em cada fase da vida.

O que aprendeu ao trabalhar como modelo que levou consigo quando entrou no mundo das relações públicas?
A carreira de modelo ensinou-se o poder das imagens e da narrativa. Mas também o quão frágeis elas podem ser. Compreendi desde cedo como são construídas as narrativas, como as pessoas são apresentadas e a responsabilidade que isso acarreta. Ao entrar no mundo das relações públicas, levei essa consciência comigo. Abordo a comunicação com respeito pela pessoa por trás da imagem. A autenticidade não é uma tendência, é algo que o público sente imediatamente.
Além da sua agência de relações públicas, também lidera um projeto com forte impacto social – a fundação Uprising. De onde surgiu a ideia de criar essa organização?
A fundação cresceu de forma muito orgânica. Muito antes de existir formalmente, ajudar os outros já fazia parte da minha vida. Costumava trabalhar com diversas instituições de caridade na Ásia, fornecendo equipamentos desportivos e aulas para crianças. Mas quando a guerra na Ucrânia começou, tudo se tornou muito concreto e urgente. Eu não conseguia separar a minha vida pessoal do que estava a acontecer ao meu redor. O que começou como uma ação imediata – recolher, organizar, responder – lentamente se tornou num compromisso estruturado. A fundação nasceu da necessidade de criar um impacto a longo prazo, não apenas respostas de emergência.
Houve algum momento decisivo na sua carreira ou alguma experiência pessoal que tenha sido determinante para avançar com este projeto?
As primeiras semanas da guerra foram decisivas. Os meus amigos e familiares estavam lá e eu não podia fazer muito para os proteger. Não havia tempo para pensar, apenas agir. Vi como as pessoas se mobilizavam rapidamente, mas também como a ajuda pode ser caótica sem estrutura. Esse momento foi esclarecedor: o impacto real requer presença, continuidade e responsabilidade. A fundação tornou-se uma forma de transformar a urgência emocional numa ação estável.

Quais foram principais desafios que enfrentou durante o processo de criação e consolidação da fundação?
O maior desafio foi a resistência emocional. Quando se trabalha com comunidades vulneráveis, há histórias que ficam connosco. Estruturalmente, aprendi que construir sistemas transparentes, eficientes e escaláveis leva tempo. Tivemos muito cuidado para não nos apressarmos e para não prometermos mais do que podíamos cumprir. Consolidação significa escolher profundidade em vez de visibilidade, e esse nem sempre é o caminho mais fácil.
Sabemos que trabalha ao lado do seu marido, Nick. Há algo que tenha aprendido com a sua família e que leve para a sua liderança e trabalho profissional? Ou vice-versa?
Trabalhar com a família ensina-nos honestidade. Aprendemos a comunicar mais claramente, a confiar uns nos outros e a respeitar os pontos fortes de cada um. Da minha família, trago empatia e paciência para a minha liderança. Do trabalho, trago estrutura e clareza para os nossos projetos pessoais. Por outro lado, o Nick traz a sua experiência em desportos radicais e resistência, bem como o seu profundo conhecimento de trabalho de caridade e a sua rede de contactos. Os dois mundos influenciam-se constantemente – quando há respeito mútuo, esse equilíbrio torna-se uma força.

Recentemente lançou o Uprising Surf Lab na Nazaré. Como surgiu a ideia desse novo conceito e o que o diferencia?
Nick: Nazaré é um daqueles lugares raros onde o oceano se mostra na sua forma mais pura. Rapidamente nos lembramos que não estamos no controlo e que a preparação, o respeito e a presença são tudo. O Uprising Surf Lab surgiu do desejo de criar esse tipo de ambiente – onde o talento local pode crescer, onde o conhecimento é partilhado e onde as pessoas são apoiadas para florescer ao longo do tempo, não apenas para ter um bom desempenho num determinado momento.
Olga: O Uprising Surf Lab não é uma escola de surf comercial, mas sim uma experiência humana coletiva. Trata-se de criar o ambiente certo – mental e emocional – para que as pessoas cresçam e se conectem com a natureza e compreendam os seus próprios limites. O Surf Lab reflete a nossa crença comum de que o verdadeiro desempenho vem do equilíbrio: entre força e consciência, ambição e responsabilidade.
Por fim, quais são os seus principais objetivos e ambições, tanto pessoais como profissionais, para os próximos anos?
A minha prioridade é continuar presente como mãe, como parceira, como mulher. Profissionalmente, quero continuar a construir projetos que se alinhem com os meus valores: comunicação honesta, impacto significativo e visão a longo prazo. Já não procuro velocidade ou visibilidade. Estou interessada em profundidade, responsabilidade e em criar algo que ainda seja relevante daqui a muitos anos.
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