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Entrevistas 2. 11. 2018

O coração de Maria Imaginário é de todos

by Ana Carvas

 

No dia 01 de novembro de 2018, em pleno coração da cidade de Lisboa, mais especificamente no Jardim Constantino, ergueu-se uma pinhata gigante em forma de coração. A culpada foi Maria Imaginário, a artista responsável pela intervenção que afirma através de um manifesto que este “é um grande (bocado do meu) coração, acessível para todos.”. 

©Cristiana Morais

“O meu trabalho sou eu, o meu trabalho é o meu coração, eu sou o meu coração, vivemos ambos dentro de mim e andamos sempre de mãos dadas.”. O coração de Maria Imaginário é grande, gigante, é de todos e é do mundo. Se não o soubéssemos já, poderíamos até estranhar tal afirmação altruísta, mas a arte, como sabemos, é de quem a vê, de quem a sente, e vive para além do artista. Numa viagem introspetiva, sobre si e sobre o seu coração, Maria imaginou uma pinhata, colorida e grande. Do imaginário para a realidade, a ideia materializou-se, e a Vogue quis saber tudo acerca desta intervenção de guerrilha. 

“Há dois fatores que determinam o porquê desta instalação: o primeiro é o meu amor por Lisboa, e de lhe dar algo meu; o segundo é a minha vontade constante de criar atmosferas através do meu trabalho.” contou-nos Maria Imaginário. “Na minha intenção inicial, não vejo esta intervenção de forma diferente das que fazia há 15 anos atrás, quando fazia ilegalmente graffitis com gelados coloridos nos prédios cinzentos e abandonados de Lisboa. Mas desta vez trago comigo outra maturidade e a necessidade de criar uma intervenção num espaço público para além da parede. Desta vez acrescentei à minha intenção inicial a necessidade de fazer algo com o qual as pessoas possam interagir, tocar e brincar sem medos, e é um coração acessível para todos.” E quem por lá passou durante o primeiro de novembro viu com os próprios olhos e sentiu com as próprias mãos do que é feito o seu coração.

"Acho que estou sempre em processo de reconstrução, sobretudo no que toca ao meu coração. Penso muito nele como se tivesse uma vida própria, fora de mim."

Sobre o conceito por detrás desta intervenção espontânea, acrescenta “trabalho muito o tema do coração e recentemente pintei um quadro com um coração pinhata e tive a necessidade de torná-lo real, sinto que assim a história desta pintura vai estar mais completa, porque pode deixar de ser só observada.”.

A escolha do local também foi tema de conversa, por não ser óbvia: o Jardim Constantino não é central nem o mais conhecido dos jardins de Lisboa. Mas como seria de esperar, Maria tem uma explicação para tudo “Vi o Jardim Constantino como há 15 anos via os prédios devolutos que pintava e quis dar-lhe um pouco de ânimo e cor. É um jardim pelo qual sempre senti um certo carinho, mas sempre o vi um pouco desleixado e ao abandono, agora sinto que é um jardim que está a crescer aos pouquinhos, está a melhorar, mas que ainda precisa de atenção e cuidado.”.

Porque o que acontece hoje são pequenos passos para um dia melhor amanhã, quisemos saber o espaço que ocupam estas três palavras no futuro da artista: intervenção de guerrilha. “Tenho muita sorte por adorar o que faço. Mesmo com a logística complicada e risco que fazem parte deste tipo de intervenção guerrilha, quero muito continuar a fazê-lo, sinto que o meu trabalho vai cada vez mais por este caminho, e não consigo sequer imaginar-me de outra forma no futuro. Estou sempre em processo de construção e estas instalações na rua são pilares essenciais para o meu crescimento como pessoa, como cidadã e como artista.”

© Cristiana Morais

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