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Tendências 9. 12. 2019

Eles têm coisas para nos dizer

by Patrícia Torres

 

Se de todas as vezes que olha para o relógio lhe acontece ver, insistentemente, números gémeos, como 11:11, 22:22 ou 21:12, isso não é só uma coincidência engraçada. Há quem acredite que os números gémeos são o anúncio de uma mudança profunda que está para chegar. E ela pode ser, tão só, querer de repente dedicar-se a aprender uma nova linguagem. Sim, porque os números também falam. Não acredita?

© Getty Images

No caso de encararmos os números como uma viagem, em que de 1 a 9 somos confrontados com diferentes paisagens, cheiros e cores, talvez possamos compreender aquilo que Pedro Trindade, arquiteto paisagista, nos diz sobre os números. “A numerologia é um GPS interno para sabermos onde estamos e para onde vamos. Mas é todo o trabalho que fazemos individualmente que conta. Ter o conhecimento só não basta, é preciso saber o que fazer com esse conhecimento. O que a numerologia nos dá é uma outra maneira de olhar para o todo e vermo-nos como um sistema.” A numerologia diz-nos que fazemos parte de um sistema que responde a padrões que, uma vez identificados, nos permitem reconhecer ciclos, estabelecer prazos para atingir objetivos ou escolher o momento certo para tomar decisões chave na nossa vida. Por exemplo, mudar de cidade, de emprego ou de país. Foi essa decisão de peso que levou Pedro a olhar para os números de outra maneira. “Eu passei por uma grande mudança de vida que não correu bem. Tentei ir trabalhar para o estrangeiro e a experiência não funcionou de todo. Eu queria mesmo que tivesse resultado. Era um projeto ligado à dança e eu queria muito agarrar a oportunidade de ter uma carreira internacional. Mas não resultou e fui obrigado a regressar e reestruturar a minha vida toda, começar do zero. Foi nesse momento que procurei a ajuda da numerologia.” 

Depois do zero, o número 1 é a energia do “ponto de partida, é o número pioneiro, original que nos impulsiona a abrir caminhos e a expressar ideias criativas, ousadas e corajosas. Traz consigo a oportunidade de uma visão única e inovadora que permite que se criem novas oportunidades para o mundo, ousando pensar diferente, fazer diferente e ser diferente. O risco associado ao número 1, é seguir um caminho tão próprio que não existe espaço para que os outros o acompanhem, existe aqui o perigo de assumir o papel do ‘guerreiro solitário’.” Ana Sequeira, que acaba de nos descrever o tipo de paisagem do primeiro número, é especialista em numerologia e autora de vários livros sobre o tema. “A numerologia é uma ferramenta de origem milenar que tem vindo a ganhar o seu espaço e popularidade como instrumento de autoconhecimento. Existem várias escolas, dentro da numerologia, mas aquela de que mais ouvimos falar é a que remonta aos estudos de Pitágoras”, o notável matemático grego para quem o cosmos é regido por relações matemáticas e “pai” do teorema de Pitágoras, que diz que, “em qualquer triângulo retângulo, o quadrado do comprimento da hipotenusa é igual à soma dos quadrados dos comprimentos dos catetos”. 

Confuso? Sem dúvida. Mas, resumindo, segundo a teoria deste matemático, e na qual assentam as bases da numerologia, tudo no universo está ligado, organizado e em equilíbrio, sendo os números a base dessa ligação, que mostra padrões de causalidade e consequência nos movimentos da própria vida. Ana Sequeira explica que, “talvez por desconhecimento e por surgir como um desafio às mentes mais lógicas, a numerologia tem vindo a ser catalogada como ‘esoterismo’, com uma conotação que fica muito aquém daquilo que nos permite em termos práticos, sobretudo no que diz respeito à compreensão das nossas potencialidades, personalidade e escolhas quotidianas.” Antes de procurar a ajuda da numerologia, Pedro Trindade já tinha percebido existirem na sua vida coisas que teimavam em repetir-se, nem sempre de forma positiva. 

Identificar que existe um padrão é o primeiro passo. O segundo, é descobrir o que fazer para alterar esse movimento repetitivo. “Era sempre uma frustração. As parcerias que eu estabelecia eram sempre muito desequilibradas, eu dava sempre mais do que a outra pessoa. Foi este tipo de coisas que, com a numerologia, comecei a perceber onde é que no meu mapa numerológico se refletia esta situação explicitamente. Isto não é uma coisa esotérica, é uma coisa que se reflete na vida prática. Quando as pessoas falam de fatalismo, ‘eu sou assim, nasci assim’ não é o caso. A numerologia diz que as coisas menos positivas têm de se trabalhar para poderem transformar o menos bom, ou uma fraqueza numa força. E, no meu caso, isso era muito explícito na área dos relacionamentos, nas parcerias que eu estabelecia, e foi a primeira chave para eu perceber que tinha de ser eu a projetar algo diferente, para começar a ver mudanças. E comecei logo por alterar a relação que eu tinha comigo. Fui obrigado a olhar para a maneira como eu estabelecia as minhas prioridades, como é que eu cuidava de mim. E posso dizer que, naturalmente, essa mudança de comportamento na relação comigo mesmo se refletiu logo no tipo de pessoas que comecei a atrair e isso foi mágico, foi espetacular.” 

O número 2 é, segundo as leis da numerologia, aquele que traz o equilíbrio a uma realidade dual e de contrastes. É o que está permanentemente em busca da harmonia, da concórdia e da paz e, por isso, está ligado à qualidade da diplomacia, da empatia, da paciência e de tudo o que é delicado. Porém, falta-lhe a capacidade da ação, do dinamismo e da autovalorização. “Não são atribuídas mensagens aos números”, diz Ana Sequeira. “Costumo dar aos meus alunos a analogia de que olhar para os números de 1 a 9 é como olhar para uma empresa. Dentro da empresa, para que tudo funcione em equilíbrio, é importante que cada pessoa cumpra a sua função, trazendo o melhor que existe em si para fazer um bom trabalho e contribuir para a saúde da empresa. 

Quando olhamos para os números nessa lógica, percebemos que são todos diferentes, todos trazem noções, desafios e oportunidades diferentes, mas todos são necessários. De 1 a 9, de forma muito resumida, temos noções como autonomia (1), a diplomacia (2), a expressão (3), a segurança (4), a liberdade (5), a partilha (6), a reflexão (7), a materialização (8) e a ligação à humanidade (9).” Para compreender a numerologia não é preciso acreditar em nada. Basta apenas estar atento e ter interesse em saber mais, para além das evidências. Pedro estava atento. Daí a decidir aventurar-se para além das evidências foi um passo. 

“Nunca fui supersticioso e a numerologia não tem nada a ver com sorte ou azar. Mas eu já tinha percebido que havia um número que se repetia na minha vida. Nasci no dia 23 de março, morei em três casas diferentes, com os meus pais, que eram sempre número 23 e na escola, durante vários anos, fui o número 23. Eu dizia, ‘ah isto é muito engraçado, não sei porque é que isto acontece, mas acontece’. E agora percebo porque é que este número é tão importante. O que mudou é que tento estar mais consciente.” Mais consciente de que há números que falam connosco. Mas será esse o caso quando vemos marcados no relógio os tais números gémeos? Ana Sequeira responde que “os números representam conceitos e permitem orientações preciosas. Mas, do meu ponto de vista, existe uma tendência generalizada a achar-se que se vemos números repetidos, ou capicuas, estamos a receber avisos ou mensagens especiais sobre a nossa vida. A forma como dirigimos a nossa atenção acaba por ditar o que atraímos ao nosso campo vibracional e de ação. É como quando decidimos comprar um carro de X marca e, de repente, só vimos carros dessa marca a passar por nós. Se a nossa atenção está voltada para aí, é natural que notemos mais facilmente essa correspondência no exterior. No caso dos números mestres ou capicuas, sim podemos olhar para o significado desses números e ponderar de que forma eles refletem preocupações ou ideias que pairam na nossa cabeça, com referência ao que está presente na nossa vida nesse momento, mas mais do que as mensagens, o importante é saber o que fazer com elas.” 

O número 23 repetia-se na vida de Pedro. Mas, afinal, isso quereria dizer alguma coisa? Ou estaria ele a dar atenção a mais a uma mera coincidência? “O número 23 vem falar-me da minha necessidade em viajar. Assim que acabei o ensino secundário quis continuar a estudar fora do país. Eu vivi muito a energia desse número na base da fuga, do escapismo e hoje consigo ter consciência disso. Percebo que as viagens, enquanto experiências, são importantes para mim e, se calhar, ter um trabalho que me permita estar ao ar livre, ter a flexibilidade e a sensação de liberdade é importante para me sentir realizado. Mas que isso não me impeça de criar raízes num sítio, que era uma coisa que eu nunca criava. Sempre fui um bocadinho aéreo, nunca tive grande estrutura na vida e perceber isso foi uma grande descoberta. Ou vai sendo, porque é preciso fazer um trabalho interior constante para perceber o que faz sentido.” O número 23, quando desconstruído, ou seja, somando o 2 ao 3, resulta num 5. Ao número 5 correspondem os conceitos de liberdade, expansão, mudança e os prazeres. Ana Sequeira explica melhor. “O 5 não gosta de se sentir preso ou limitado. Não lida bem com ordens, convenções, horários ou hierarquias. Tem alguma dificuldade em criar vínculos ou dedicar-se a compromissos para a vida. Mas sendo inteligente, versátil e espontâneo, o 5 tem a capacidade de aprender ao nível da excelência tudo aquilo a que se dedicar, desde que leve até ao fim a sua aprendizagem.” Embora a numerologia se posicione fora das linhas de campo do coaching, por ser tão personalizada, ela oferece uma orientação e é um apoio à mudança. 

Gretha Thunberg quer mudar o mundo. E se olharmos para a data de nascimento da jovem sueca ativista ambiental – 3 de Janeiro de 2003 – facilmente concluímos que, de acordo com as contas ditadas pelo seu mapa numerológico (que se baseia na soma de todos os algarismos), Thunberg é um 9. “É o humanitário, o filantropo, o sensato, o tolerante, o inspirador e o espiritual”, diz-nos Ana Sequeira. “O 9 tem a capacidade de percecionar o mundo que o rodeia através dos sentidos. Tudo em si é intenso e, por vezes, dramático, o que o leva a compadecer-se com as injustiças, as dores e as dificuldades. Tem vontade de curar o mundo e não receia dedicar toda a sua vida a essa tarefa que abraça como uma missão. Quando é trabalhado em desequilíbrio, o 9 perde-se nas suas ideias, o que o pode levar a adotar caminhos extremos. Ou vive enredado nos seus dramas emocionais, despojado de tudo e alheado da realidade ou se transforma num ditador impiedoso, intolerante e injusto que não consegue ver para além daquilo que é a sua perceção da realidade.” Aqui, qualquer semelhança com a realidade poderá não ser pura ficção. 

Ana Sequeira não se admira com a precisão com que os números falam de nós, de um determinado momento da nossa vida ou do nosso destino. Porém, deixa o aviso. “A numerologia não dita o futuro e, quanto a mim, não deve ser usada dessa forma por haver grandes possibilidades de condicionamento. A numerologia serve para trazer à nossa consciência as nossas limitações e as nossas oportunidades para escolher melhor e, assim, viver bem. Uma das formas mais eficazes que a numerologia tem para fazer isso é desenhar um mapa de potencialidades (talentos, dons, recursos internos) que nos permite sentirmo-nos mais capazes perante qualquer situação. Em termos gerais, olhando para o mapa de alguém, identificamos padrões formados pelos números dessa pessoa e, tal como uma teia complexa (tão complexa como o ser humano) desenhamos estratégias para o seu equilíbrio mental e emocional. Por exemplo, se num mapa existe a falta do número 2, é possível que a pessoa se sinta constantemente desafiada no seus relacionamentos, porque a empatia, a diplomacia e o equilíbrio entre o dar e o receber não estão devidamente estruturados na sua personalidade. Logo, são um ponto a melhorar. Todo este trabalho interno vai ter um impacto em todas as áreas da vida dessa pessoa.” E foi isso mesmo que aconteceu na vida de Pedro Trindade. 

Mas de que forma é possível aplicar numa vida inteira 60 minutos de uma consulta de numerologia? “Há várias maneiras de chegar aos resultados que pretendemos atingir. A numerologia fala muito do propósito de vida e isso ajudou-me não só a perceber o que é que eu queria fazer, mas também como é que eu o queria fazer. Uma leitura completa do mapa dá imensa informação, claro. Mas os cursos que eu fiz deram-me autonomia para a cada ano eu conseguir fazer uma análise dos trimestres, por exemplo, e perceber quando é que são os momentos em que eu devo estar super focado na questão da comunicação ou identificar quando é que são as alturas mais paradas, mas ótimas para estabelecer contactos. Só com uma leitura do mapa fica-se com uma ideia mais superficial, e isto é um trabalho contínuo. Porque nós nunca somos só uma coisa. Nós somos uma série de coisas e de forças. Descobrir essas forças é o que te dá capacidade de olhar para o teu mapa e ganhar perspetiva e ganhar consciência daquilo em que te vais transformando com o tempo.” 

Números gémeos, ou mestres, têm de facto uma força especial, como nos confirma Ana Sequeira quando diz que “eles representam energias potenciadas, mas também desequilíbrios em potência.” Tomemos o 11 como exemplo. “Se o 1 representa tanto a tendência à liderança como ao autoritarismo, no caso do 11 estes pólos estão mais vincados. O número 11 significa aquele que ilumina o caminho dos outros através da sua coragem e espírito inovador, mas para isso é preciso que tenha uma enorme capacidade de responsabilização, caso contrário, o autoritarismo vai prevalecer. Existe muito a tendência a considerar-se que quem tem números mestres (gémeos) no seu mapa (no propósito de vida, por exemplo) que é mais especial que qualquer outra pessoa. 

No entanto, é importante referir que na numerologia não existem hierarquias. Por norma, aliás, quem tem números mestres tem maior tendência a sentir desafios na vida por ter dificuldade em equilibrar a sua parte emocional. Portanto, mesmo os números repetidos que se costumam ver no relógio, por exemplo, podem ser interpretados como sincronicidades e informações do inconsciente, mas isso transcende o estudo da numerologia.” 

Cada número transporta consigo uma energia, ou um conceito, que fica impresso no sistema do qual fazemos parte ou sobre o qual agimos. Abaixo pode encontrar as principais características de cada um dos números de 1 a 9. 

UM: É corajoso, determinado e visionário. Não tem receio de expor as suas ideias, não tem medo de falhar e de ousar. Sabe que tudo o que faz tem um impacto na vida dos outros, por isso mede a sua impetuosidade, criando espaço para que os outros também se expressem. Sabe exigir o respeito pela sua individualidade, respeita os outros e respeita-se a si. 

DOIS: É genuinamente dedicado, apoia, escuta e ajuda quando é solicitado. Usa a sua sensibilidade para perceber o mundo à sua volta e ajudar os outros a conectarem-se com as suas próprias emoções. É resiliente e estruturado. Valoriza-se, reconhece as suas capacidades e cuida de si quando sente necessidade. 

TRÊS: Encara a vida de forma entusiasta e partilha a sua alegria de viver com os demais - sorri e faz sorrir. É talentoso e criativo, e coloca a sua energia vibrante ao serviço de um mundo mais belo. Conhece o seu valor e os seus limites na vida dos outros. 

QUATRO: Dedica-se a construir a sua vida sem tomar atalhos. É paciente, dedicado e focado. É perseverante, persistente e resiliente. Ainda que preze a segurança, consegue identificar as oportunidades de sucesso e aproveita-as. Equilibra o lado mental com o lado emocional, permitindo-se sentir e seguir o coração. 

CINCO: É interessado, aventureiro, entusiasta e progressista. Reconhece a importância da persistência e leva até ao fim aquilo que começa. Sabe que a liberdade se conquista através de escolhas conscientes, e não de fugas. Associa responsabilidade, disciplina e ousadia. 

SEIS: Cuida, aceita e ama incondicionalmente. É tolerante e conhece os seus limites de interferência na vida dos outros. Reconhece as suas necessidades e sabe quando pedir ajuda. Entende que não pode salvar o mundo, no entanto faz o seu melhor para deixar a sua marca. 

SETE: É intuitivo e utiliza essa intuição para ajudar à iluminação dos outros. Confia em si, nos outros e na vida. É sereno, pois sabe que tudo acontece com um propósito. Procura a verdade acima de tudo e sabe dissociar-se daquilo que corrompe a essência espiritual e a natureza humana. 

OITO: É corajoso, determinado, perspicaz - um líder nato. Tem um profundo sentido de justiça, pois sabe que o que se coloca no mundo é-nos devolvido em igual medida. É consciente do seu valor e cria mais valor à sua volta. É um gestor ao serviço do bem do mundo. 

NOVE: Respira amor, sente amor e partilha amor - é inspirador e inspirado. Sabe que não pode resolver os problemas do mundo e não se preocupa com a dimensão do impacto das suas ações. Apenas se preocupa em estar alinhado com os seus valores. É íntegro, tolerante e desapegado das necessidades mundanas. Respeita os que o rodeiam como iguais. 

Fonte: Ana Sequeira, especialista em numerologia 

Artigo originalmente publicado na edição de novembro de 2019 da Vogue Portugal. 

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