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Dedicatória

Entrevistas 23. 4. 2018

Em nome da liberdade melódica

by Rui Matos

 

Filipe Sambado & Os Acompanhantes de Luxo é o segundo álbum do cantautor português. Em entrevista à Vogue Portugal revelou alguns detalhes sobre o seu novo projeto que é, como todos os outros, "sempre sobre sentimentos ou amor.".

© Rui Palma

Em Deixem Lá, o primeiro single extraído deste novo trabalho, Sambado pede, ironicamente, autorização ao senso comum para ser o que quiser, sem entraves à sua personalidade, indepentemente do seu género. “E se eu parecer uma mulher/ O que é que isso quer dizer/ Visto sempre o que eu quiser/ Dê lá por onde der”, canta. 

No seu novo trabalho discográfico, editado pela Valentim de Carvalho, Filipe conta com 'Acompanhantes de Luxo', são eles Primeira Dama, Alexandre Rendeiro, C de Crochê e Luis Barros, os músicos que o têm acompanhado em concerto durante os últimos anos.

O disco reune músicas que funcionam como forma de hinos à possibilidade de sermos outras coisas. No mês em que celebramos a liberdade, este álbum é por si só a libertação, e chega em forma de melodias que partem de uma matriz mais experimental e resultam em canções que vamos querer (na verdade já estamos a) ouvir em loop. 

Conversámos com o músico português Filipe Sambado para descobrir mais sobre o seu novo universo musical, numa pequena entrevista que desmistifica a complexidade única da sua música. 

Como foi o processo criativo por detrás do álbum? Foi colectivo na crítica mútua. Processos são períodos ou etapas, e neste acabei por estar acompanhado, quando estou precisamente a tentar subjetivar ideias e ações. Na prática, fiz as canções e eles foram determinantes nos arranjos. Tenho a sorte de tocar com pessoas que admiro e de quem sou muito próximo. 

É um manifesto sobre liberdade? É sobre mim, sobre o que me rodeia e obriga a ganhar consciência da falta dessa liberdade. É sempre sobre sentimentos ou amor. O desapego sem a ataraxia estóica de quem não tem de sentir. Mas é acima de tudo sobre escolhas e sobre saber estar comigo próprio.

Estás de volta num formato banda. Foi o culminar de uma agenda. Era um disco que queríamos fazer e achámos que mais para a frente se poderia tornar complicado. Não queríamos perder esta oportunidade de ter este registo. Eu insisti para que acontecesse. Já apresentamos este formato ao vivo, há quatro anos, e há dois que defini o percurso deste disco em banda.

A roupa e a maquilhagem são temas que vais abordando ao longo de Filipe Sambado & Os Acompanhantes de Luxo. É uma espécie de revolta contra a heteronormatividade? Não é uma revolta, é um pacificador. Estou-me a responder a mim e ao que me rodeia e incomoda. A mim traz-me paz. 

Como descreves a tua relação com a Moda? Tento que não me formate. Olhar mais para as minhas vontades e menos para as tendências. Mas o que me rodeia é sempre a minha maior influência. É um ciclo complexo.

Cantar em português ainda é um desafio? Tenho o meu espaço e nunca ninguém me impediu de fazer o que quero. Faça eu melhor ou pior. Há espaço para tudo. Se há barreiras maiores transcendem-me, não faço essas contas. A mim parece-me saudável. Tenho muitos amigos músicos e poucos ou nenhuns vivem da música. (...) Ninguém ou muito poucos vivem da sua obra. A mim alimentam-me substancialmente e mantém-me a vontade de lhes dar tanto quanto me dão a mim. Seja amizade, palavras, copos, dormida, mimos. Importa-me mesmo é estar rodeado das pessoas de quem gosto.

Filipe Sambado & Os Acompanhantes de Luxo já está disponível nas plataformas digitais e em versão física. No dia 26 de abril, esta quinta-feira, o disco é apresentado no Lux, em Lisboa. 

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