Béhen primavera/verão 2027. Fotografia de Sofia Rodrigues via Instagram @lisboafashionweek
Em nome de manter a Moda como prioridade inabalável, a ModaLisboa Priority decorreu entre 7 e 11 de outubro com uma única missão: garantir que a estação primavera/verão 2027 veste talento português.
Entre os dias 7 e 11 de outubro, a Moda voltou a assumir o leme da cidade de Lisboa. Entre apresentações, exposições e desfiles, a 67ª edição da ModaLisboa reafirmou a Moda como parte essencial da vida cultural e económica da capital. Sob o mote Priority, o evento defende princípios claros: criar uma nova classe de talentos emergentes e apoiar quem luta, dia após dia, por fazer da Moda a sua profissão. É uma espécie de lembrete de que, há 35 anos, dentro e fora das nossas fronteiras, a Lisbon Fashion Week mantém a missão de democratizar o acesso aos recursos e mercados de uma indústria tão efusiva quanto criativa, de inovar com propósito e de elevar a identidade portuguesa a Arte tangível com valor real. Afinal, como afirma Eduarda Abbondanza, presidente da Associação ModaLisboa: “É fácil declarar prioridades. Mais difícil é mantê-las quando perdem centralidade, quando exigem investimento ou quando os resultados demoram a chegar. É essa consistência que queremos defender: continuar a fazer o que é necessário, sem confundir mudança com progresso”.

Béhen
Alexandre Azevedo / ModaLisboa powered by Canon
Nesta edição, foi a Béhen que deu início às apresentações das propostas nacionais para a próxima primavera/verão. Na nova coleção, intitulada Desta água não beberei, Joana Duarte cruza o imaginário popular da Nazaré com a prática balnear portuguesa do final do século XIX e início do século XX. Entre inspirações piscatórias e a leveza sazonal tão característica dos meses quentes, as técnicas tradicionais e o folclore nacional voltam a assumir o leme da mostra. A coleção é uma dualidade visível, repleta de silhuetas pretas que realçam a força do mar e de pitadas de azul e branco que espelham a paz que nele (ou dele) vive. Acima de tudo, afirma-se como o mais recente conto na antologia da marca, ainda que short and sweet.

Esquerda: Francisco Martinho. Direita: Granatum.
Alexandre Azevedo / ModaLisboa powered by Canon

Esquerda: Ronni. Direita: Marta Amorim.
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Como manda a tradição, o calendário de desfiles no Pátio da Galé arrancou com mais uma edição da iniciativa Sangue Novo. Desta vez, voltamos a começar do zero. Nesta primeira fase, as atenções focaram-se em 10 novos talentos, que competiram pela oportunidade de regressar à passerelle da ModaLisboa em março de 2027 com novas coleções. Na próxima edição, serão apresentadas as propostas dos 5 finalistas: Elio, Francisco Martinho, Granatum, Marta Amorim e Ronni.

Adolfo Dominguez
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Do talento emergente partimos para a estreia de uma marca há muito estabelecida no mercado nacional: Adolfo Dominguez. Neste debut nas passerelles portuguesas, a marca espanhola provou a sua fluência no que à Moda de autor diz respeito e apresentou uma coleção onde a alfaiataria clássica e a estética contemporânea se unem sob um único mote: provar, mais uma vez, que o grande segredo para um estilo atemporalmente do seu tempo reside numa boa capacidade de styling. No que se assumiu como um manifesto de exploração da cor, a passerelle encheu-se de peças versáteis, que sabem dialogar e trabalhar em conjunto. Num mix and match de tonalidades e texturas, com CROMA, a Adolfo Dominguez mostrou ser um laboratório criativo em constante mutação, ao serviço de uma Moda que se sente bem na sua própria pele.

Luís Carvalho
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No final do segundo dia de desfiles da ModaLisboa, todos os caminhos foram dar ao Museu do Tesouro Real, no Palácio da Ajuda, para a apresentação de Luís Carvalho. Para a primavera/verão 2027, o mestre da alfaiataria contemporânea dá continuidade ao universo da coleção anterior, com uma série de propostas fluidas, de proporções retas e em movimento. Entre verdes, brancos e azuis, a coleção surge como uma perspetiva adulta e fragmentada de uma infância passada na natureza. Os cortes orgânicos moldam-se ao corpo e espelham a sensação de vento na pele, enquanto as silhuetas longas dialogam entre si para comunicar a liberdade que separa a fragilidade da presença.

Portuguese Soul by APICCAPS
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O terceiro dia do evento deu-nos também as boas-vindas ao universo encantado do calçado, cortesia da apresentação da Portuguese Soul by APICCAPS. Intitulada Kindness, a proposta da iniciativa para a próxima estação quente reforça o poder de um bom par de sapatos, sobretudo quando feitos dentro das nossas fronteiras. Entre loafers em tons neutros e claros (mas também a ocasional sandália com pop of colour), a coleção é um convite ao consumo nacional, sustentável e intencional. Num momento marcado pela velocidade e pelo consumismo desenfreado, a Portuguese Soul faz por abrandar e romantizar o ato da procura, mas também da escolha.

Arndes
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De regresso ao Pátio da Galé, Arndes apresentou uma coleção que espelha a tensão entre o que somos e a máscara que usamos para sermos aceites socialmente. Intitulada Irreal Social, a mostra partiu da ideia de que a sociedade contemporânea funciona como um palco onde nascem, vivem e renascem performances identitárias, por meio de diferentes códigos sociais, símbolos ou até tendências. Aqui, a alfaiataria oversized encontra detalhes em mesh, enquanto as transparências jogam contra si mesmas. Acima de tudo, numa miscelânea de texturas e camadas, as propostas da designer para a próxima estação quente mostram a imagem real que advém do fabricado, numa missão de provar que, no nosso cerne, somos a colagem estética de todas as nossas imperfeições.
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Helena Vaz Pereira assina o primeiro desfile de cabelos da ModaLisboa: “O cabelo passou a ser o ator principal”
Read MoreNo último dia da ModaLisboa, o foco voltou ao universo do calçado, desta vez pela mão de Luís Onofre. Para a primavera/verão 2027, o criador apresentou Chromatic Tension, uma coleção que celebra a cor, o contraste e a forma. Entre propostas tingidas em tons intensos, como azuis, amarelos, vermelhos e laranjas, cada silhueta assumiu-se como um diálogo puro entre os diferentes cantos do espectro cromático. De sapatos rasos a saltos de 10 centímetros, a coleção é uma ode às várias facetas da vida da mulher contemporânea e, ao mesmo tempo, um manifesto do ADN que há muito definiu Onofre como um dos principais nomes da Moda nacional.

Luís Onofre
Alexandre Azevedo / ModaLisboa powered by Canon
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