Entrevistas   Beleza   Coleções  

Helena Vaz Pereira assina o primeiro desfile de cabelos da ModaLisboa: “O cabelo passou a ser o ator principal”

12 Oct 2026
By Rita Petrone

Ontem, dia 11 de outubro, durante a ModaLisboa Priority, Helena Vaz Pereira oficializou a passagem dos bastidores para o palco principal das passerelles. Ao lado de L’Oréal Professionnel, a hairstylist assinou o primeiro desfile do evento inteiramente dedicado ao cabelo e conversou com a Vogue Portugal sobre o conceito e processo criativo por detrás deste novo projeto.

Diz-se que os melhores looks se constroem da cabeça aos pés. Num mundo em que o cabelo e o vestuário andam a par e passo, a 67ª edição da ModaLisboa deu as boas-vindas a um novo conceito de desfile: uma mostra inteiramente dedicada ao universo capilar. Assinado por Helena Vaz Pereira, hairstylist e pro influencer L’Oréal Professionnel, o desfile, intitulado Veste-me, prova que o cabelo tem o poder de revelar ao mundo parte da nossa personalidade, atitude e identidade. Numa edição que marca a passagem de Helena Vaz Pereira dos bastidores para o palco principal da ModaLisboa, a Vogue Portugal falou com a hairstylist sobre este novo projeto, desenvolvido lado a lado com L’Oréal Professionnel, e também sobre as tendências de cabelo com lugar marcado para a próxima estação quente.


Assina, ao lado da L'Oréal Professionnel, o primeiro desfile inteiramente dedicado ao cabelo na ModaLisboa. Quais acredita serem as maiores vantagens e os principais desafios em passar do backstage para a passerelle?

Este desfile representa um momento muito especial, porque durante muitos anos o meu trabalho esteve ligado ao backstage, a interpretar e a complementar a visão dos criadores através do cabelo. Passar para a passerelle significa dar ao cabelo o protagonismo que muitas vezes já tem, mas que nem sempre é o centro da narrativa. A grande vantagem é poder contar uma história exclusivamente através do cabelo, sem estar condicionado por uma coleção de roupa. O desafio foi precisamente esse: construir uma coleção com princípio, meio e fim, onde cada corte, cada cor e cada styling têm uma razão de existir e onde o cabelo assume o papel principal.

Como nasceu o conceito “Veste-me” e porque diz que o cabelo é a primeira peça que vestimos?

Veste-me nasce da ideia de que o cabelo é aquilo que levamos connosco todos os dias. Antes da roupa, dos acessórios ou de qualquer outro elemento exterior, o cabelo já comunica algo sobre nós. Um corte, uma cor ou uma determinada forma de pentear podem transformar a maneira como nos vemos e como somos vistos. O cabelo tem essa capacidade extraordinária de revelar personalidade, atitude e identidade. Pode mostrar quem somos ou até aquilo que queremos ser. Por isso, nesta coleção, o cabelo deixa de ser um complemento e passa a ser o ator principal.

O cabelo é um incontornável aliado do vestuário nos desfiles de Moda. Com os papéis revertidos, qual foi o papel do vestuário nesta apresentação?

Nesta apresentação, o vestuário funciona como um elemento de apoio à narrativa do cabelo. Não queria que a roupa competisse com os looks, mas sim que ajudasse a criar uma imagem global e a reforçar a identidade de cada proposta. O objetivo foi criar uma harmonia entre todos os elementos visuais, permitindo que o cabelo continuasse a ser o protagonista, mas integrado numa linguagem estética completa.


Para esta apresentação, cita referências das artes plásticas, da música, do punk rock e do teatro. Qual pesou mais no desfile?

É difícil escolher apenas uma referência, porque esta coleção nasce precisamente da mistura de diferentes universos que me acompanham há muitos anos. As artes plásticas trazem-me a liberdade de pensar formas e volumes, a música e o punk rock trazem atitude e irreverência, enquanto o teatro acrescenta uma dimensão de personagem e transformação. Tudo isto é filtrado pelo meu olhar enquanto hairstylist, sempre com uma base muito forte de técnica, precisão e respeito pelos fundamentos do corte.

Partiu dos fundamentos clássicos do hairstyling para chegar ao editorial e ao avant-garde. Porque escolheu esse caminho para este desfile?

Porque acredito que a criatividade só é verdadeiramente livre quando existe uma base sólida. Os cortes clássicos são a linguagem fundamental do hairstyling: são aquilo que aprendemos, aperfeiçoamos e reinventamos ao longo do tempo. Partir desses códigos permitiu-me desconstruí-los e explorar novas possibilidades, passando de uma base mais reconhecível para propostas mais editoriais e conceptuais. Quis mostrar essa evolução: da técnica nasce a criatividade.

A coleção revisita seis cortes clássicos. Qual foi o que mais gostou de trabalhar?

Os cortes executados foram: Square Layer, Bob, Bixie, Modern Shag, Buterfly e One Lenght. Mas o que mais gostei de fazer foi o Modern Shag, pela evolução do shag tradicional.


Como equilibrou criatividade e rigor técnico na preparação dos vários looks? Sobrou espaço para o improviso criativo?

O rigor técnico é sempre o ponto de partida do meu trabalho. Para mim, a criatividade não existe sem domínio da técnica, porque é esse conhecimento que permite explorar novas possibilidades. Ao mesmo tempo, um processo criativo precisa de espaço para descoberta. Durante a preparação dos looks houve momentos de experimentação, de testar diferentes formas, texturas e acabamentos até encontrar aquilo que fazia sentido para a narrativa da coleção. O equilíbrio está precisamente aí: ter uma direção muito clara, mas permitir que o processo revele novas ideias.

Depois de tantos anos a assinar cabelos para outros criadores, como Luís Carvalho, Carlos Gil ou Dino Alves, o que muda em ser a autora da coleção?

Quando trabalhamos com um criador, o nosso papel é interpretar a sua visão e encontrar a melhor forma de a traduzir através do cabelo. É um exercício muito desafiante e enriquecedor. Neste caso, a responsabilidade é diferente porque parto da minha própria visão e da minha própria linguagem criativa. É uma oportunidade de mostrar aquilo que acredito que o cabelo pode ser enquanto forma de expressão artística.


Como foi gerir o calendário da ModaLisboa, entre o backstage de tantos desfiles e a preparação do seu?

Foi um grande desafio, mas também uma experiência muito especial. A ModaLisboa sempre fez parte do meu percurso e estar envolvida em diferentes momentos desta edição tornou tudo ainda mais significativo. Foi necessário muito planeamento, organização e uma equipa muito preparada para conseguir conciliar todos os desafios. Mas é também essa intensidade que torna este universo tão estimulante.


Usou exclusivamente produtos L'Oréal Professionnel, da descoloração ao styling. Além disso, a coleção foi pensada como alinhada com as referências para 2027. Que tendências futuras vê para o cabelo e que produtos acredita serem essenciais às mesmas?

Acredito que o futuro do cabelo passa cada vez mais pela personalização. Não existe uma tendência única: existe uma procura por looks que respeitam a identidade de cada pessoa e que permitem expressar diferentes lados da personalidade. As técnicas de cor, os cortes adaptados a cada rosto e os diferentes acabamentos vão continuar a ter um papel muito importante. Nesta coleção quis precisamente explorar essa diversidade, mostrando como um mesmo universo pode dar origem a diferentes interpretações. De todos os produtos destaco 3 dos quais não poderia executar este desfile e coleção: Dia Light de L’Oréal Professionnel, para neutralizar e tonalizar; Óleo Bifásico Absolut Repair Molecular de L’Oréal Professionnel para poder atingir qualquer resultado sem comprometer a suavidade e leveza; e o meu preferido Flex Pli de L’Oréal Professionnel que me garante a memória de qualquer que seja o styling.

FotografiaMelissa Vieira, Rafaela Lopes e Rita Gazzo para Fora de Serviço
Rita Petrone By Rita Petrone
All articles

Relacionados


Moda   Coleções  

ModaLisboa Priority: Estas são as propostas dos designers nacionais para a primavera/verão 2027

12 Oct 2026

Entrevistas   Beleza   Coleções  

Helena Vaz Pereira assina o primeiro desfile de cabelos da ModaLisboa: “O cabelo passou a ser o ator principal”

12 Oct 2026

Lifestyle   Compras  

À mesa com Victoria Beckham: a estreia da designer no universo de homeware, com a Westwing

12 Oct 2026

Moda   Coleções  

Em Paris, o passado nunca esteve tão na Moda

09 Oct 2026