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Project Union 10. 9. 2020

Project: Vogue Union | Miguel Vieira, de olhos postos no futuro

by Mónica Bozinoski

 

Diz que nunca pensou desistir ou mudar de área, que nunca refaria nenhuma coleção e que está sempre focado nas próximas coleções. De olhos postos no futuro, é Miguel Vieira em discurso direto.

Miguel Vieira ©Cortesia do designer

Afirmar que Miguel Vieira está nisto há muito tempo não é uma qualquer “forma de dizer”, e muito menos um qualquer exagero lançado ao acaso. Porquê? Porque corria o ano de 1988 quando o designer criou a sua marca e a sua primeira coleção para mulher, expandindo mais tarde para o setor masculino com a sua primeira coleção para homem. Os anos que se seguiram foram feitos de muitos feitos, mas vamos tentar resumi-los da melhor forma: 1991 marca o ano em que Miguel Vieira expôs pela primeira vez uma coleção em todos os salões da Expofashion da Filmoda, onde se torna um participante habitual; 1994 e 1995 são recordados como os anos em que lança as suas coleções de calçado para homem e para mulher, respetivamente; e os dois anos seguintes vêm o criador português a marcar presença nos mais diversos eventos, da ModaLisboa ao Portugal Fashion, e a colocar as suas coleções nas principais capitais da Moda, entre elas Paris, Londres, Milão, Nova Iorque e Tóquio.

Como o próprio escreve por email à Vogue Portugal, foi “um dos poucos designers portugueses a alcançar as mais exigentes Semanas de Moda mundiais, apresentando as suas coleções na New York Fashion Week, na São Paulo Fashion Week, na Milan Fashion Week Uomo, na Barcelona Fashion Week e na Madrid Fashion Week, entre outras”. Acrescente os inúmeros méritos e prémios que foi recebendo ao longo dos anos – entre eles galardão de Melhor Designer Nacional nos GQ Men of the Year, em 2017 – e não restam dúvidas de que estamos perante um designer que não só está nisto há muito tempo, como sabe precisamente o que faz.

Descrevendo a sua linha como “casual chic e quase sempre muito minimalista, baseada no preto e no branco com apontamentos cinzas, cores que já se tornaram na sua imagem de marca”, o designer explica queaposta “essencialmente em roupas usuais com tecidos fluidos e cortes perfeitos, sendo recorrentes os detalhes de afeitaria”. Mas se quiser um resumo ainda mais direto ao assunto da marca, Miguel Vieira diz que a mesma pode ser espelhada no slogan “ver e tocar para querer!”, e que a peça que melhor reflete o seu ADN é um vestido em pele e tecido, “porque em termos de modelagem foi um grande desafio (um verdadeiro puzzle)”.

“Desde a minha adolescência, sempre gostei de arte e de design, sempre gostei de desenhar”

©Cortesia do designer

“Desde a minha adolescência, sempre gostei de arte e de design, sempre gostei de desenhar”, conta Miguel Vieira, dizendo que o seu gosto, na altura, não passava especificamente pela Moda. “Mais tarde, quando estava a tirar o curso de controle de qualidade, optei pela vertente de têxtil. Lentamente comecei a gostar bastante de tecidos, fios. Aliei o curso com o gosto do desenho e comecei a desenhar peças de roupa.” Hoje, com um percurso invejável numa indústria altamente competitiva – uma indústria que, muitas vezes, leva muitos a mudar de rumo –, o criador não hesita em responder com um direto “não” à pergunta de alguma vez ter pensado desistir de tudo e mudar de área, da mesma forma que nos escreve um “não refazia uma coleção passada” quando questionamos se poria as mãos na massa para alterar alguma coisa no seu trabalho passado. Nas suas próprias palavras, Miguel Vieira está “sempre focado nas próximas coleções”.  

E falando nas próximas coleções: o que nos pode contar sobre elas? “A história que a Miguel Vieira conta na coleção para o inverno 2021 é sobre pessoas que têm confiança na sua aparência e vêm a sua indumentária como uma extensão de si mesmos, como algo que faz parte do seu ADN”, explica o criador. “Estas personagens marcantes têm o poder de ser elas próprias, fogem a estereótipos e usam o que querem, quando querem. Para elas, o clássico pode ser moderno porque a sua atitude as torna irreverentes e únicas. Elas protagonizam a libertação do estigma social que diz que devemos vestir-nos segundo um género.” Como acrescenta Miguel Vieira, “é importante ver a fluidez de género como algo natural e de escolha livre, eliminar os rótulos impostos pela sociedade que nos limitam como indivíduos e começar a ver a fluidez de género como algo natural e de escolha livre.”

É uma mensagem spot on para um futuro que se quer assim mesmo: livre de rútulos, livre de imposições, livre de estigmas. Um futuro onde celebramos a diferença e lutamos pela igualdade. Um futuro onde reina a criatividade, a liberdade, a esperança e a união. Uma união claramente presente na resposta de Miguel Vieira à questão de colaborar com um colega designer português. “[Colaboraria] com todos os criadores de Moda portugueses”, diz o designer. “Porque têm grandes qualidades criativas e sobretudo por ‘fazerem omeletes sem ovos’”. 

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