Beleza   Tendências   Connected  

Como aliviar as dores menstruais sem medicamentos

23 Apr 2019
By Cátia Pereira Matos

Sentir algum tipo de dor durante a menstruação não é normal, mas é comum. Mais comum do que se pensa. Além da toma de analgésicos, que alternativas existem para aliviar o desconforto? Fomos investigar e descobrimos vários produtos, desde supositórios vaginais a aparelhos de eletroestimulação.

Sentir algum tipo de dor durante a menstruação não é normal, mas é comum. Mais comum do que se pensa. Além da toma de analgésicos, que alternativas existem para aliviar o desconforto? Fomos investigar e descobrimos vários produtos, desde supositórios vaginais a aparelhos de eletroestimulação.

© iStock

Pode ser um desconforto, passageiro ou permanente. Pode ser uma pontada, breve e lancinante. Pode ser uma cólica, que surge quando a mulher menos espera. Pode ser uma dor suportável, pode ser uma dor incapacitante. Certo é que ela está lá, todos os meses, a cada menstruação.

Esta dor tem um nome: chama-se dismenorreia e estima-se que afete entre 16% a 91% das mulheres em idade reprodutiva, podendo o desconforto ser intenso em 29% dos casos. “Apesar de ser uma situação comum, não é uma situação normal”, começa por esclarecer Diana Patrício, naturopata e autora do livro Saúde Feminina (Edições Chá das Cinco, € 16,60), referindo-se às dores na região pélvica e/ou lombar nos dias imediatamente antes da menstruação ou nos primeiros dias da mesma. “O natural seria que a mulher não sentisse desconforto nem dor”, diz. Mas o que fazer quando o ‘natural’ é precisamente uma menstruação dolorosa?

De um aparelho portátil que emite impulsos elétricos na região abdominal a supositórios vaginais, sem esquecer práticas como a acupuntura e a implementação de mudanças na alimentação e no estilo de vida, reunimos uma série de métodos que se apresentam como uma alternativa aos medicamentos convencionais. 

Pelo tamanho reduzido, design compacto e pelos botões que apresenta, o Livia mais parece um MP3. Não é um dispositivo que dê música, mas pode ajudar a embalar quem sofre de dores menstruais. A função deste aparelho, que cabe na palma de uma mão e, portanto, pode ser transportado facilmente na carteira, é emitir impulsos elétricos nas regiões onde o desconforto é maior — seja numa dada área do baixo-ventre, num ponto específico da zona lombar, sobre os ovários ou ao centro da região abdominal — através de dois eletródos que ficam colados à pele, tal qual dois pensos, para aliviar as dores e pontadas.

Long story short: a tecnologia desta máquina assenta na teoria do ‘Gate Control’, segundo a qual é possível suprimir uma sensação dolorosa por meio de uma eletroestimualção não dolorosa, impedindo assim que os sinais de dor cheguem ao cérebro e viajem pelo sistema nervoso central. No corpo, a sensação resultante dos impulsos elétricos do Livia é semelhante a um formigueiro, que é mais ou menos ligeiro consoante a intensidade dos impulsos, dependente do nível da dor associada. Ficando escondido debaixo da roupa, o aparelho pode ser usado durante o dia, em qualquer altura da fase menstrual, por um período máximo de 10h.

Garante a marca que o uso do Livia, que cumpre com as leis de segurança europeia no que à saúde diz respeito e tem o selo de aprovação da agência norte-americana Food and Drug Administration, é seguro, não afeta a fertilidade e não interfere com o equilíbrio hormonal. Mulheres com idade igual ou superior a 16 anos podem recorrer a este pequeno aparelho, sendo que a única situação em que o uso do mesmo não está recomendado é em mulheres com pacemakers.

E se com a passagem de um roll-on no baixo-ventre e na lombar pudesse apaziguar as dores menstruais? A Lola, marca norte-americana de produtos de higiene íntima pensada por e para mulheres, passou da intenção à ação e criou um produto assim. Trata-se do Cramp Care, um roll-on livre de parabenos e fragrâncias sintéticas apenas formulado com 17 óleos essenciais puros, entre os quais os óleos de camomila, gengibre e gerânio, associados ao alívio da dor muscular.

O Herbal Heating Patch, da marca Rael, é a versão 2.0 da botija de água quente, tendo a seu favor a comodidade e o design discreto (pode ser usado enquanto realiza as tarefas do dia a dia, sem que o sinta e sem que as pessoas notem que está a usá-lo). Depois de colado na parte da frente das cuecas (e nunca em contacto direto com a pele), este penso térmico proporciona, por um período máximo de seis horas, um calor reconfortante e consistente, para promover o fluxo sanguíneo e ajudar os músculos a relaxar, reduzindo assim o desconforto abdominal.

A principal substância dos supositórios vaginais da marca norte-americana Foria é o canabidiol (CBD), um derivado da planta de canábis que a Organização Mundial de Saúde considera ser seguro para o organismo humano. A redução do processo anti-inflamatório e da dor crónica são alguns dos efeitos já estudados deste componente. “Relativamente às dores menstruais, não excluo a possibilidade de integrar o CBD como uma substância que pode ajudar a aliviar o desconforto”, diz Diana Patrício. No entanto, a naturopata alerta para as eventuais interações que podem surgir entre a toma do canabidiol e alguns fármacos, sendo sempre necessária a avaliação de um profissional de saúde.

Mudanças no estilo de vida e as terapias alternativas

“Muitas vezes basta apenas corrigir hábitos alimentares, gerir os níveis de stress e fazer uma suplementação adequada que supra as carências existentes para apaziguar a dor e o desconforto associados ao período menstrual”, defende Diana Patrício. No que à alimentação diz respeito, a naturopata recomenda que sejam excluídos todos os produtos processados, por possuírem muitas vezes “substâncias que de alguma forma contribuem para a inflamação do nosso organismo", bem como o açúcar e o leite. O consumo de carnes vermelhas, de cereais com glúten e de laticínios, nomeadamente queijo e iogurte, também deve ser moderado, “dependendo da sensibilidade apresentada pela mulher aos mesmos, uma vez que são alimentos susceptíveis de causar inflamação.”

O que privilegiar, então? “Alimentos oferecidos pela natureza”, resume a especialista em medicina natural, antes de destacar os legumes, as frutas, os frutos secos, os ovos e os peixes. A naturopata não esquece as propriedades anti-inflamatórias do gengibre, pelo que “preparar e beber infusões com a raiz desta planta pode ajudar a aliviar a dismenorreia.”

No campo dos suplementos, há que considerar as carências existentes. “A carência de vitamina D, que é tão comum em todos nós, ainda que vivamos num país com sol, pode também contribuir para a dismenorreia”, alerta Diana Patrício. Assim, quando em falta no organismo, deve ser devidamente suplementada, após a observação médica. Também a suplementação de zinco e magnésio poderá proporcionar um alívio das dores menstruais, uma vez que estes minerais atuam na redução dos espasmos que dão origem à dor. A naturopata sugere ainda a toma de suplementos de curcuma, com concentrações adequadas de curcumina, bem como suplementos à base de enzimas como a bromelaína e a papeína. “Têm todos uma acção anti-inflamatória eficaz”, resume.

Em relação às terapias que se apresentam como uma mais-valia face à dismenorreia, Diana Patrício destaca a reflexologia e a acupuntura, pois não só “ajudam a amenizar os sintomas” como também, e sobretudo, “atuam nas suas causas.” Práticas como a meditação, o ioga e o pilates são ainda apontadas pela naturopata como sendo “excelentes para uma boa gestão de stress”, contribuindo, de forma bastante positiva, para aliviar o desconforto pélvico e abdominal associado à menstruação.

Quando nada parecer funcionar

As recomendações supramencionadas aplicam-se sobretudo aos casos de dismenorreia primária, a menos severa quando comparada com a dismenorreia secundária. Esta última geralmente traduz-se em dores “demasiado intensas” que não aliviam “com a toma de anti-inflamatórios, nem com a correção dos hábitos de vida e suplementação adequada, condicionando as rotinas da mulher ou adolescente, que se sente obrigada a faltar ao trabalho ou às aulas e, assim, deixa de conseguir executar com normalidade as tarefas do dia-a-dia”, refere a especialista em saúde feminina. Nestes casos, as dores podem estar associadas a doenças do sistema reprodutor como, por exemplo, a endometriose e a adenomiose, mas também à presença de fibromiomas ou anormalidades congénitas na anatomia do útero ou da vagina, pelo que a observação médica não deve ser descurada.

Cátia Pereira Matos By Cátia Pereira Matos

Relacionados


Atualidade  

Morreu Claude Montana, icónico designer dos anos 80

23 Feb 2024

Curiosidades   Atualidade  

Cisnes entre patos

23 Feb 2024

Moda   Street Style  

LFW | Models Off-Duty

23 Feb 2024

Beleza  

LFW outono/inverno 2024 | A beleza nos backstages

22 Feb 2024