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Tendências 6. 11. 2018

Menstruação: os métodos alternativos

by Mónica Bozinoski

 

Quando o tema é menstruação, existe um mundo para além dos convencionais pensos e tampões. A Vogue foi investigar os métodos alternativos para um período mais feliz.

©iStock

“Aquela altura do mês”, “a semana do tubarão”, “o Benfica joga em casa”, “Bloody Mary”, “Mar Vermelho” ou “The Red Wedding” (acreditamos que os fãs de Game of Thrones vão apreciar a referência). Quando o tema é um dos processos mais naturais da nossa anatomia e biologia enquanto mulheres - entenda-se, a menstruação -, segundo um inquérito mundial conduzido pela Clue, em conjunto com a The International Women’s Health Coalition, existem quase cinco mil palavras para “adocicar” aquilo que acontece durante o período. 

Os números não são uma surpresa. Afinal de contas, a menstruação é um assunto tabu, frequentemente envolto numa névoa de profundo desconhecimento, “uma maldição”, “uma coisa suja”, “uma coisa que tem que ser escondida” – basta pensar na última vez que se deslocou a uma casa de banho pública com um tampão fechado a sete chaves na palma da mão, com medo que alguém visse e percebesse que “é por isso que está com essa cara e esse humor hoje”. 

“Algo que é muito importante para mim e para os meus seguidores é a questão da saúde feminina”, contou Ingrid Nilsen ao então Presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, numa entrevista de 2016. “Recentemente, fiquei chocada quando descobri que os pensos higiénicos, os tampões e uma série de outros produtos menstruais são taxados como ‘itens de luxo’ em 40 estados do nosso país. Honestamente, não conheço ninguém que tenha a menstruação e considere isso um luxo – é algo que faz parte da nossa vida, e que é crucial à nossa saúde enquanto mulheres”, disse a YouTuber.

“Uma em cada dez raparigas entre as idades de 14 e 21 anos, no Reino Unido, não conseguem comprar produtos de higiene feminina quanto têm a menstruação”, escreveu a modelo Adwoa Aboah para a edição britânica da Vogue. “A ideia de que, num país cosmopolita como o nosso, existem mulheres cuja única solução é encher a sua roupa interior com folhas de jornais, ou que raparigas com 10 anos de idade estão a faltar à escola para evitar o sangramento pelos seus uniformes, é absolutamente assustador”, defendeu.

Se é verdade que os dois cenários são aterradores para as mulheres, e levantam uma série de questões sobre a forma como olhamos para o nosso corpo, também é verdade que sustentam a discussão e a normalização da menstruação nos quatro cantos do mundo: uma conversa que potencia não só uma série de movimentos sociais, políticos e solidários, mas também uma vaga de novas opções para “aquela altura do mês”.

A mudança de paradigma e o modo como olhamos para a nossa biologia começa sempre connosco, mulheres – e conhecer as escolhas que podemos fazer em prol do nosso corpo parece um bom primeiro passo. Do copo menstrual aos pensos reutilizáveis, passando por opções mais amigas do ambiente (e do organismo), a Vogue reuniu cinco métodos alternativos aos tradicionais pensos e tampões.

Copo menstrual 

Pode parecer revolucionário mas, na verdade, a primeira patente do copo menstrual surgiu em 1937. Apesar deste protótipo relativamente precoce, a popularidade do copo menstrual só começou a fazer-se sentir nos últimos anos, com uma lista crescente de marcas e opções para todos os tipos de anatomia e fluxo.

A promessa de nomes como Lunette, DivaCup, Easy Cup, MelunaMooncup ou Organicup é tão simples quando aliciante: à semelhança de um tampão convencional, o copo menstrual retem o sangue da menstruação graças ao seu reservatório. Ao contrário de um tampão, contudo, é um método reutilizável, com o dobro da capacidade dos produtos de higiene femininos tradicionais, e pode ser usado durante 10 a 12 horas seguidas. 

Para além de ser uma opção sustentável a longo prazo, tanto a nível ambiental como financeiro, o copo menstrual também pode ser uma escolha solidária. Através da iniciativa Buy One, Give One, a Ruby Cup ajuda a atenuar a problemática da pobreza associada à menstruação: por cada copo menstrual comprado, a marca doa outro a uma rapariga ou mulher sem acesso a cuidados menstruais. 

Disco menstrual 

Criado para reter, ao invés de absorver, o sangue da menstruação, o disco menstrual é um produto descartável com uma capacidade equivalente a cinco tampões regulares, e pode ser utilizado durante 12 horas seguidas. Apesar de ainda ser um método pouco conhecido, já é possível encontrar algumas opções no mercado, entre elas o Softdisc ou o Flex.

Ao contrário de um tampão ou de um copo menstrual, duas opções que são aplicadas na zona do canal vaginal, o disco menstrual é colocado na base do colo do útero. Extremamente moldável, este produto de higiene feminina e o seu método de aplicação prometem reduzir a secura e a irritação, bem como  a intensidade das cólicas menstruais, frequentemente associadas a outras opções de higiene feminina. 

Pensos laváveis e reutilizáveis 

Uma das opções mais eco-friendly desta lista, os pensos reutilizáveis são o método ideal para as mulheres que não estão preparadas para abdicar totalmente de um produto convencional, mas que procuram uma alternativa mais natural e amiga do ambiente. 

Para além de diminuírem o desperdício associado aos produtos de higiene feminina de utilização única, os pensos laváveis e reutilizáveis não contem plásticos, fragrâncias artificiais, adesivos ou químicos – por outras palavras, preservam o meio ambiente enquanto protegem a zona mais sensível do nosso organismo de agentes que podem causar irritação ou desconforto.

A durabilidade é outro ponto a favor dos pensos laváveis e reutilizáveis. Marcas como a Lunapads ou a GladRags, que oferecem uma série de opções individuais, bem como diversos kits para um período ainda mais sustentável, defendem que este tipo de pensos tem a duração média de cinco anos, mas que o tempo se pode estender dependendo do tipo de lavagem e frequência de uso. As opções estendem-se à Fluffy Organic & Eco, mas também podem ser transformadas num projeto do it yourself - basta encontrar um tecido que seja suave e absorvente, e dar largas à imaginação. 

Roupa interior 

Uma opção para ser usada a solo - ou em conjunto com outros produtos de higiene feminina, dependendo do tipo de fluxo de cada mulher e do nível de proteção pretendida -, as period panties (como são frequentemente designadas) foram criadas para serem utilizadas de ciclo em ciclo e contribuir para a preservação do meio ambiente, aproximando-se bastante de um penso lavável e reutilizável. 

Empresas como a Cocoro ou a Thinx incentivam as mulheres a conhecerem o seu fluxo antes de optarem pelo modelo mais adequado - um ponto verdadeiramente positivo para normalizar a forma como olhamos para os nossos ciclos menstruais -, e oferecem uma série de silhuetas clássicas com materiais antibacterianos e resistentes, capazes de absorver o líquido equivalente a dois tampões de tamanho regular, sem esquecer o conforto e proteção de quem as veste. 

Os amigos do ambiente 

Sabemos que é difícil abdicar de algo que nos acompanha todos os meses, ao longo de tantos anos - mas isso não significa que, dentro dos produtos de higiene feminina tradicionais, não possamos encontrar opções mais sustentáveis, ecológicas e amigas do ambiente. 

Bleed red, think green é o manifesto da DAME, um aplicador de tampões reutilizável que previne o desperdício de plástico gerado pelos famosos tampões com aplicador. Segundo estudos conduzidos pela empresa pioneira nesta tecnologia, ao usar o aplicador da DAME, será possível reduzir até doze mil unidades de plástico de uso único. 

Os produtos de higiene feminina orgânicos e biológicos são outra opção sustentável para o ambiente e para o corpo. Do Celeiro à Organii, existem diversas opções de cuidados de higiene feminina que garantem um período mais amigável a todos os níveis.

No Reino Unido, o método estende-se ainda a um serviço de subscrição de produtos de higiene feminina eco-friendly, designado por Freda. Para além de cuidados individuais como pensos diários e tampões orgânicos, a empresa oferece ainda a opção de costumizar uma caixa de produtos menstruais, mediante o fluxo e preferências, ao mesmo tempo que ajuda diversas organizações como a Bloody Good Period ou a Bloody Good Cause. 

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