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Entrevistas 17. 1. 2018

Mariana Rodrigues, a ilustradora a dar que falar

by Rui Matos

 

O trabalho da artista nacional não passa despercebido e há já quem o reconheça a nível mundial. A Nespresso, por exemplo, acabou de recrutar o seu imaginário visual. Falámos com a ilustradora para perceber o seu percurso profissional.

É sempre gratificante ver um português chegar mais longe, seja em que área for, mas no mundo das artes tem um gostinho especial pela qualidade da competição internacional. Mariana Rodrigues é uma ilustradora portuguesa sediada em Londres e trabalha em regime freelancer na capital britânica. Deixou o Porto, cidade onde nasceu e cresceu, para viver primeiro em Zurique, depois no Japão e por fim em terras de Sua Majestade.

Foi através do seu imaginário visual que conquistou a Nespresso: depressa foi contactada para colaborar com a marca na criação da imagem dos novos cafés da casa - O Arabica Ethiopia Harrar e o Robusta Uganda -, uma edição limitada que celebra as origens do café e que será distribuída mundialmente.

Fomos conhecer Mariana Rodrigues à loja Nespresso do Chiado, em Lisboa, para saber mais sobre a colaboração, a consequente visibilidade global e sobre o seu percurso profissional e arte.

Como surgiu o convite da Nespresso e o que significa trabalhar para uma marca com este alcance internacional?
Foi algo que me deixou muito feliz, é realmente um honra trabalhar com uma marca que está presente em todo o mundo. A Nespresso contactou-me há uns meses, porque achou que talvez eu seria a pessoa ideal para trazer vida a esta nova coleção. Eu já fiz isto há tantos meses, mas ver que saiu ontem mundialmente e perceber realmente que está em países como os Estados Unidos da América ou a Coreia é muito estranho e muito bom ao mesmo tempo.

De onde surgiu a ideia para criar as ilustrações desta nova edição limitada dos cafés: o Arabica e o Robusta? Foi uma homenagem à Etiópia e ao Uganda, certo? 
Vêm das origens e das raízes desses cafés. Ambos vêm do Uganda e da Etiópia e tive que transmitir tudo o que esta à volta dos mesmos: os mitos, as paisagens, onde é que eles crescem. Tudo isso foi importante para descrever o melhor possível estes cafés.

Como é que essa homenagem se traduziu no papel, ou seja, de que forma as ilustrações espelham os dois destinos representados?
Recebi um briefing sobre a história dos cafés, fiz a minha pesquisa para saber um bocadinho mais sobre os cafés, por exemplo: o Etiópia cresce em paisagens mais montanhosas, tem o mito de Caldi, que descobriu o café. Já o Uganda cresce em lugares mais tropicais, mais perto de água, tem notas de chocolate, raízes mais escuras. Tudo isto serviu de inspiração para contar essa história.

O trabalho da Mariana é baseado na desconstrução de objetos, muitas vezes da natureza. Em que é que se inspira para a construção de novas ilustrações?
Vem tudo do mundo natural, a natureza está em todo o lado. Vem de tudo o que me rodeia, gosto de tirar fotografias e ter em reserva para ter, caso precise de inspiração, gosto de ir a jardins e analisar os pequenos detalhes. Portanto, a natureza é a minha maior fonte de inspiração e o sítio onde mais gosto de estar.

Trocou Portugal pela capital britânica. Porquê e como surgiu essa oportunidade/escolha? 
Eu sempre vivi em Portugal, nascida e criada no Porto, sou formada em design gráfico e sempre trabalhei em design gráfico, só que entretanto senti a necessidade de ir para fora. Fui para Zurique continuar a trabalhar como designer gráfica, mas achei que não era bem aquilo. A ilustração era a minha grande paixão, decidi atirar-me de cabeça. Entretanto, vivi em Tóquio, onde comecei a construir o meu portefólio e a aprender mais sobre o mundo da ilustração. Mas como Tóquio é muito longe, decidi ir para Londres, onde a indústria criativa tem mais oferta, as oportunidades são únicas e achei que seria o próximo passo.

Que tipo de mensagem quer veicular com o seu trabalho?
Acima de tudo, nem que seja partilhar um bocadinho de felicidade, um sorriso na cara das pessoas e transportá-las para outros lugares, envolvendo-as nas minhas ilustrações.

Como é o dia-a-dia de Mariana, a ilustradora?
Gosto sempre de dar uma volta antes de me sentar à secretária com café - sou viciada em café, esta colaboração teve tudo a ver comigo. Gosto de passear até jardins para me inspirar e arejar a cabeça, depois vou para o meu estúdio.

Com que artistas ou marca gostava de colaborar, alguma vez pensou nisso? 
Gostava muito de trabalhar com marcas de Moda, assim ambicionando uma Gucci ou uma Hermès. Em Portugal, gostava de colaborar com a Vista Alegre. No mundo da música, Bjork.

Que referências tem, enquanto artista?
A Bjork, o Alessandro Michele da Gucci, que tem feito um trabalho brilhante, o artista botânico japonês Azuma Makoto, acho o trabalho dele super diferente e fantástico.

Com um currículo tão vasto, quais são os trabalhos que guarda com mais carinho?
Não é por estarmos aqui a falar da Nespresso, mas sem dúvida que é um deles, gosto imenso do resultado, não por ter sido eu a fazê-lo, mas acho que está realmente bom. Gostei imenso de trabalhar com a Bombay Sapphire, foi um trabalho bastante importante no meu currículo.

Que metas faltam alcançar?
Muito sinceramente, estou tão focada, devo admitir que a Bombay Sapphire e a Nespresso estão a trazer-me coisas tão boas e positivas. Se eu conseguir continuar a fazer aquilo que faço a 100% é o que eu mais quero.

Qual é a tendência do momento na ilustração? 
É uma boa pergunta, não sei se há uma tendência. A animação é cada vez mais importante. Todos os trabalhos que tenho feito têm sido animados. Traz outra dimensão ao trabalho e é giro ver as nossas ilustrações a mexerem-se.

Enquanto trabalha, o que gosta de ouvir?
Além da Bjork, Bon Iver, Arcade Fire e Patrick Watson, para quem já fiz um trabalho, foi o meu primeiro cliente comercial - criei uma t-shirt.

O ano de 2018 da Mariana vai ser?
Tenho algumas campanhas que desenvolvi no ano passado e só vão sair este ano, estou muito excitada para que saiam. Existem alguns projetos que estão debaixo do tapete.

Ficamos com curiosidade em relação aos futuros trabalhos que, na impossibilidade de saciar de imediato, pode ser pelo menos atenuada espreitando o Instagram da artista.

Imagens © Instagram e Nespresso

 

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